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La force des choses
25.3.09
 
Ritinha
Das poucas imagens que em mim superam a de baixo; são pessoas destas que dão a cor ao mundo.

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15.3.09
 
Enamoramento e Amor

A polaridade da vida cotidiana está entre a tranquilidade e o desassossego.
A do enamoramento, entre o êxtase e o tormento.
Francesco Alberoni

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9.3.09
 
I am crying tears of ice
Tears of Ice falling down my cheeks
forming a lake in it's surface
I see your faces and I watch till it's gone
There were times all I did was cry out your names
the only thing I feel now is pain

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6.3.09
 
Apeteceu-me morrer
E pedi assim a Deus:
Dai-me a paz dos estábulos, das coisas arrumadas, das colheitas recolhidas. Deixai-me ser, por me ter acabado de realizar. Estou cansado dos lutos do meu coração. Sou velho de mais para recomeçar em todos os meus ramos. Vim perdendo, um por um, os amigos e os inimigos. Vi uma luz brilhar no meu caminho de ócios tristes. Afastei-me, voltei, olhei: fui encontrar os homens à volta de um bezerro de oiro, mais por estupidez do que por verdadeiro interesse. E as crianças que hoje nascem parecem-me mais estranhas do que os rapazitos bárbaros que desconhecem a religião Levo comigo o peso de tesouros inúteis.

Para uma pessoa ser justa tem de se fechar numa torre. Eu vi os homens perto de mais, sinto-me cansado. Aparece-me, Senhor, pois tudo se torna mais difícil quando se perde o gosto de Deus.

Antoine de Saint-Exupéry, Cidadela, 73

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5.3.09
 
A espera
Vivemos até aqui demoradamente.
Mas a temporalidade mudou desde os tempos da ditadura: esta fazia dos portugueses seres adiados; hoje, em democracia, numa sociedade normalizada, à superfície das coisas, o presente eterno que foi o nosso já esconde mal as mutações que se vão operando, o adiamento transformou-se em espera, a espera em ansiedade e a ansiedade aspira cada vez mais ao real.
José Gil, Portugal, hoje: o medo de existir – Relógio D’água 2004

Não sei como é, mas... assenta-me como uma luva

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1.3.09
 
Eu
Eu que nunca verei a aventura de perto
Que nunca beijarei os lábios da Distância
E nunca sentirei vir p’ra mim a fragrância
De Índias reais sob um céu outro e certo
E eternamente numa incerta infância

Pessoa, A vida de Arthur Rimbaud, 23-02-914

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26.2.09
 
Nihil: aceitemos… é a vida.
Lembremo-nos que esta expressão vem de longe, e de uma outra zona discursiva: costumava terminar os comentários e análises de António Guterres, o primeiro-ministro socialista.
Com uma leve carga de resignação, ela pretendia exprimir uma velha sabedoria cristã: aceitemos os males do mundo, os dissabores, tudo o que vai contra a nossa vontade, porque isso resulta de uma lógica e de um poder que nos ultrapassam.
E já que a lógica do tempo histórico é imbatível, aproveitemos então para, na nossa pequena esfera, tirarmos pequenos benefícios individuais.
O sentimento de responsabilidade por uma comunidade, por um país, parece ter desaparecido.

Em política esse tipo de transferência de regras morais de conduta para a esfera governativa pode ser extremamente perigoso. A resignação leva à impotência, a passividade à inércia e ao imobilismo: o governo de Guterres caiu porque não governou, ponto final. O de Durão Barroso não terminou, por razões de conveniência pessoal do primeiro-ministro.
(José Gil, Portugal, hoje: o medo de existir – Relógio D’água 2004)

Quem mais, como eu, se vê espelhado nesta couraça, que simultaneamente protege e castra?

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19.2.09
 
Summum, crede, nefas animam praeferre pudori, et, propter vitam, vivendi perdere causas
É coisa torpe, podes crer, antepor a vida à honra e, salvando a vida, perder a razão de viver. (Juvenal, Satirae 8.82)

Este verso de Juvenal, citado por Kant, citado por Bergson, exprime bem a força intrínseca do imperativo moral, e a depreciação que sofremos, quando a pureza dos motivos cede à auto-estima. Muito pouco apreciado, no tempo corrente...

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31.1.09
 
Particularidades
por que não devemos nós, calma, e pacientemente rever nossos próprios pensamentos, e examinar e ver completamente o que são realmente estas aparências em nós? (Teeteto)

O meu amigo Jrd resolveu provocar-me com um desafio encadeado. Em síntese, trata-se de revelar seis particularidades sobre mim próprio; indicar seis blogues para a corrente e informá-los da nomeação.
Apesar do atraso, que renitência posso eu opor ao pedido de um amigo?
Coloco então ante vós, a introspecção e os segredos a descobrir:
1.Nasci ao Tejo, o que não é nenhuma particularidade, para além de saber a sal

2.Descendo da arraia-miúda, o que não classifica ninguém, para além da fortuna não durar muito.
3.O meu engano de alma, era estremecer ante rugidos mecânicos e odores de rícino, mas o cronómetro não deu tau no meu segundo.
4.Não soube ser arquitecto, fiquei-me pelo projecto; projecto que hoje é a entrega à sabedoria
5.A fraqueza do meu trabalho, é a frustração de esperar por Deus, com as chaves do jardim na mão.
6.Não soube defender-me dos meus afectos; caíram de quatro e a consequências são três meninas de grandes bigodes e cauda farta… pago-lhes amor com mais amor…e uma vida de cão.

Agora, despeço-me sem nomear a dúzia pretendida, que a minha crença impede-me da busca d'ecos noutros elos. Interrompo-me assim contra-corrente, cuidando de não ofender ninguém, com esta marmelada semi-camoniana, lol

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25.1.09
 
Penso que me é permitido concluir como um facto estabelecido pela história moderna que toda a gente, ou quase, num conjunto de circunstancias dadas, faz o que se lhe diz que faça; e, peço desculpa, há poucas probabilidades de ser o leitor a excepção, tal como eu não a fui.
Se nasceram num país ou numa época em que não só ninguém aparece para matar as vossas mulheres, os vossos filhos, mas em que ninguém aparece também para vos dizer que matem as mulheres e os filhos dos outros, dêem graças a Deus e vão em paz.

Mas mantenham sempre presente no espírito esta ideia: talvez tenham tido mais sorte do que eu, mas nem por isso são melhores do que eu. Porque no momento em que tenham a arrogância de pensar sê-lo, aí começa o perigo.
Jonathan Littell, As benevolentes, Dom Quixote 2007

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10.12.08
 
Que se dane o roque-enrole
Aqui não há quem chore, hoje sobra a saudade e um leve início de surdez
Thumbphones guillulizados

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4.12.08
 
Da vã glória

Hoje ouvi o Manuel de Oliveira dizer isto:
as derrotas são muito mais importantes do que as vitórias, porque é nas derrotas que o homem é chamado a si mesmo.

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3.12.08
 
Para que tudo mude é preciso que algo permaneça, um Centro;
São eras sobre eras, tempos atrás de tempos, e não há mais que andar na circunferencia de um círculo que tem a Verdade no ponto que está no centro.

Dispersão ou Eterno Retorno?

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29.11.08
 
Por mais que viaje
por mais que conheça, o sair de um lugar, o chegar a um lugar, conhecido ou desconhecido, nunca perco, ao partir, ao chegar, e na linha móbil que os une,a sensação de arrepio.
O medo do novo, a náusea...

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22.11.08
 
Louvai ao senhor!
Dou graças ao Senhor por ter encontrado este bando à beira do caminho.
É quase como ser do mesmo calção do Bob Dylan.
Ele são coisas assim:
Duas vezes o número um, é matemática de serão
Passado a ouvir a comum, desgovernada confusão


Que se dane o Roque éne Role
Isto é folclore
Emocionante...

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24.9.08
 
Pudor
Falando de Nacira, uma princesa do Cuangar, especialmente promíscua, não resistiu a comentar que, embora "bonita", de vez em quando, "o beiço lhe descaía, os olhos amorteciam" e ela "tomava uma aparência estúpida", reveladora da sua "desregrada" vida.

in: Valente, V.P. (2006) Um herói português, Henrique Paiva Couceiro (1861-1944). Aletheia editores

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28.8.08
 
Egeu

Enquanto contemplava as gaivotas, pensei: É este o caminho a seguir; procurar um ritmo de liberdade e segui-lo com uma fé absoluta.
Nikos Kazantzakis in “Zorba the Greek”

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16.7.08
 
Pronto! tinha de ser... rendi-me ao Tamagoshi

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12.7.08
 
Nunca confundas movimento com acção

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8.5.08
 
Administrativistas tauromáquicos (desabafo!)
Um toiro, quando se sente acossado encosta-se às tábuas, e ninguém o tira dali. Levanta os cornos, mas não sai de lá.
Há pessoas assim...

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