La force des choses
6.12.09
5.3.09
A espera
Vivemos até aqui demoradamente.Mas a temporalidade mudou desde os tempos da ditadura: esta fazia dos portugueses seres adiados; hoje, em democracia, numa sociedade normalizada, à superfície das coisas, o presente eterno que foi o nosso já esconde mal as mutações que se vão operando, o adiamento transformou-se em espera, a espera em ansiedade e a ansiedade aspira cada vez mais ao real.
José Gil, Portugal, hoje: o medo de existir – Relógio D’água 2004
Não sei como é, mas... assenta-me como uma luva
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26.2.09
Nihil: aceitemos… é a vida.
Lembremo-nos que esta expressão vem de longe, e de uma outra zona discursiva: costumava terminar os comentários e análises de António Guterres, o primeiro-ministro socialista. Com uma leve carga de resignação, ela pretendia exprimir uma velha sabedoria cristã: aceitemos os males do mundo, os dissabores, tudo o que vai contra a nossa vontade, porque isso resulta de uma lógica e de um poder que nos ultrapassam.
E já que a lógica do tempo histórico é imbatível, aproveitemos então para, na nossa pequena esfera, tirarmos pequenos benefícios individuais.
O sentimento de responsabilidade por uma comunidade, por um país, parece ter desaparecido.
Em política esse tipo de transferência de regras morais de conduta para a esfera governativa pode ser extremamente perigoso. A resignação leva à impotência, a passividade à inércia e ao imobilismo: o governo de Guterres caiu porque não governou, ponto final. O de Durão Barroso não terminou, por razões de conveniência pessoal do primeiro-ministro.
(José Gil, Portugal, hoje: o medo de existir – Relógio D’água 2004)
Quem mais, como eu, se vê espelhado nesta couraça, que simultaneamente protege e castra?
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