La force des choses
5.10.08
Do 5 de Outubro
De maneira geral, pode pois, dizer-se que a revolução foi feita por esse "povo" (e obviamente, pela Carbonária militar), sob a direcção das camadas mais baixas da pequena burguesia. É também interessante sublinhar que, de um ponto de vista sócio-profissional, os carbonários portugueses de 1910 se aparentavam muito estreitamente aos sans culottes do Ano II, aos "setembristas" de 1836 e aos communards de 1871. Por toda a Europa se extinguia já o mundo material a que pertenciam e, com ele, a ideologia que era a sua e os "grandes" exemplos históricos que os animavam. Na verdade, enquanto os chefes "respeitáveis" do Partido Republicano Português tomavam por modelo os republicanos franceses "pós-Dreyfus", os militantes da Carbonária Portuguesa punham os olhos em 1793, em Mazzini e na Barcelona anacrónica do fim do século. Significativemente, excepto por dúzia e meia de operários fabris e um ou outro electricista, fotógrafo ou motorista, as profissões conhecidas dos revolucionários de Outubro nada tinham a ver com a tecnologia dominante na Europa da época. De certo modo, a República vinha cem anos atrasada e os republicanos, que se proclamavam construtores de um país "novo", eram efectivamente homens do passado.
in Valente, VP, O Poder e o Povo, Gradiva 1976 (pg 139)
Etiquetas: história, polido, portugal
24.9.08
Pudor
Falando de Nacira, uma princesa do Cuangar, especialmente promíscua, não resistiu a comentar que, embora "bonita", de vez em quando, "o beiço lhe descaía, os olhos amorteciam" e ela "tomava uma aparência estúpida", reveladora da sua "desregrada" vida. in: Valente, V.P. (2006) Um herói português, Henrique Paiva Couceiro (1861-1944). Aletheia editores

