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La force des choses
30.9.07
 
In the rain

TaePark
I'm a-walkin' in the rain
Tears are fallin' and I feel the pain
Wishin' you were here by me
To end this misery
And I wonder
I wa-wa-wa-wa-wonder
Why
Ah-why-why-why-why-why she ran away
And I wonder where she will stay
My little runaway, run-run-run-run-runaway

(Del Shannon, runaway 1961)

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28.9.07
 
1939: Varsóvia rendeu-se ontem


"Eu queria Varsóvia grande.
Tanto eu como os meus colegas, estávamos a planear uma grande Varsóvia do futuro.
E Varsóvia é grande. Aconteceu mais cedo do que pensávamos.
E embora onde queriamos parques estejam barricadas, embora as nossas bibliotecas estejam a arder, embora os nossos hospitais estejam a arder, a cidade de Varsóvia, defendendo a honra da Polónia, está hoje no ponto mais alto da sua grandeza"
Última emissão de rádio pelo presidente da Câmara de Varsóvia, Stefan Starzynski em 27 de Setembro de 1939

Chegam-nos notícias da capital polaca, cercada desde dia 17.
Ontem ao meio dia foi assinado um cessar fogo entre o general Walerian Czuma da Armia Warszawa e o general Johannes Blaskowitz da Wehrmacht.
Varsóvia rendeu-se.
A situação militar nem era desesperada em termos militares, todos os ataques alemães têm sido neutralizados. Mesmo com a pressão de nove divisões alemãs e do bombardeamento maciço, contínuo, por terra e ar, os soldados polacos podiam ter aguentado, eventualmente, mais um mês - apesar da propaganda alemã ter dado a cidade como capturada várias vezes.
Mas a situação da população civil (mais de um milhão de almas) estava a tornar-se trágica, sem àgua nem medicamentos.
E sem esperança de ajuda aliada, após a invasão soviética pelo Leste, o esforço tornara-se vão.




A Wehrmacht ocupará a cidade só amanhã, mas os prisioneiros de guerra - mais de 100.000- começaram já a ser evacuados.
Entre os militares polacos fala-se em 6.000 mortos e 16.000 feridos, mais 25.000 mortos e 50.000 feridos entre a população civil da cidade arrasada.
Modlin e Hell ainda estão a lutar, mas a Polónia acabou.

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22.9.07
 
Terras que senti
Dei por mim rodeada de crianças. Foi tão bom senti-las perto, aquele olhar… e ter a oportunidade de lhes tocar, falar com elas, sentir o seu calor.
A primeira reacção é de espanto.
Um olhar negro profundo, entre o assustado e o curioso, é uma expressão que se vai repetindo em cada aldeia que visito, mas com a singularidade de cada região e…de cada pessoa.
Há uma confusão que se estabelece entre o “belo” e o “constrangedor”.
Mas prevalece a emoção e a verdade destes encontros entre “almas” sem cor, sem raça, sem religião, somos apenas seres humanos que nos cruzamos.
A humanidade devia procurar aprofundar o que tem de mais genuíno, de mais profundo, afinal o que tem de perene.
Isto sente-se, nestes momentos.
Neste caso, estou consciente de que foram “momentos únicos”, muito especiais, carregados de uma emoção ímpar e intransmissível, uma experiência interior privilegiada.
E todos estes momentos são tão fortes que nunca esquecerei os seus rostos.
Os rostos que irão marcar esta etapa da minha vida, são muitos…mas alguns ficarão registados para sempre.


Depois do trabalho concluído, o motor foi ligado, o ruído começou novamente e esta aldeia ficou para trás, debaixo de uma nuvem de pó.

Seguimos mais para norte.
A pobreza é sempre tanta que nos inibe.
Mas por outro lado, tudo é genuíno e por isso faz sentido, “sentir”.

Rita Jasmim

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20.9.07
 
Frankfurt
em Setembro as salsichas perdem o protagonismo

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1939 Nazis e Comunistas aliados

Mais de um milhão de soldados soviéticos estavam concentrados na fronteira polaca. Chegam agora notícias de uma ultima facada nas costas do estado moribundo.
A União Soviética entrou na Polónia oriental quase sem resistência.
Stalin, pudico até à ultima, esperou que o estado polaco desaparecesse do mapa; deu então ordem às tropas para ocuparem a parte pactuada há meses, secretamente, entre nazis e comunistas.

Ontem, russos e alemães encontraram-se em Brest-Litovsk para a partilha.
A grande batalha do Bzura já terminou, com a destruição do grosso dos exércitos polacos da Posnânia e mais de 170.000 prisioneiros.
Agora, só afortaleza de Modlin, nas margens do Vístula, a península de Hell no Báltico, e a capital Varsóvia, ainda resistem.




Entretanto a guerra alastra ao mar com afundamentos, por submarinos alemães, do paquete inglês Athenia, no passado dia 11, e do porta-aviões Courageous, há dois dias.
Ontem, também, veio-me á memória um dia de há vinte cinco anos atrás; tropas britânicas voltam a desembarcar no continente.

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18.9.07
 
Terra que vi
Foi a segunda vez que viajei neste meio aéreo.
Diga-se a verdade, o outro helicóptero era de passageiros, cómodo, insonorizado, destinado a fazer o transbordo de passageiros entre o aeroporto JFK e La Guardia.
Este helicóptero é bem diferente, é de carga.
Depois do carregamento, sobrou algum espaço para as pessoas. Rebateram-se aquela espécie de bancos (refira-se, sem costas) e o enorme ruído começou.
Ruído esse que nos acompanhou durante seis horas.

Chegámos ao primeiro destino.
Começou aí a verdadeira emoção.
Toda a população correu em direcção a este estranho “animal voador” e no meio de uma multidão pejada de crianças, surgiram dois idosos.

Vieram ter comigo com uma atitude de respeito tão visível nos seus rostos e olhares, baixaram a cabeça, apertaram-me a mão suavemente, senti a pele seca e curtida. Senti a idade daqueles homens.
E eles sentiram pela forma como os olhei a admiração que tenho pela função que exercem por esse interior fora.

Vinham identificados como Regedores, cargo acima de Soba,
num papelinho escrito à mão, com dificuldade e preso com um alfinete no bolso do (provavelmente único) casaco.
Esta aldeia, como tantas outras espalhadas pelo interior, é pobre, muito pobre.
Mas todas têm um local de reunião, de diálogo, um Jango onde o soba transmite as recomendações provenientes da Administração local e…onde se relata a História deste povo, os acontecimentos mais importantes da aldeia, onde se dirimem conflitos, onde também se julgam os cidadãos que prevaricaram.
Nestes locais, as famílias vivem em kimbos, a economia é se auto-subsistência e o tempo corre com uma única referência, o nascer e o pôr do sol, determinando as tarefas diárias para homens, mulheres e crianças.
Sim, porque aqui todos têm uma função dentro destas pequeninas comunidades e o conceito de “solidariedade” faz sentido, porque faz parte da sobrevivência.
Rita Jasmim

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17.9.07
 
1939 Varsóvia está cercada

Stukas picam estridentes para a cidade sacrificada

Desde o início do mês que se combate em todo o ocidente polaco.
Os aliados, Inglaterra e França, estão desde o dia 3 em estado de guerra com a Alemanha.
Após duas semanas fechou-se o cerco a Varsóvia, que severamente bombardeada resiste e lança apelos aos aliados ocidentais. O Marechal Smigly Rydz e o governo polaco fugiram para a Roménia.
Cracóvia e toda a zona industrial da Alta Silésia no sul, já caíram em poder dos alemães.
A Wehrmacht lançou dois movimentos em tenaz – de Norte e de Sul – com as divisões blindadas Panzer como pontas de lança da infantaria, apoiadas pelos bombardeios de artilharia e dos aviões Stuka. A tenaz fechou-se sobre a cidade de Lodz no oeste do rio Vístula, enquanto um outro movimento semelhante mas exterior, mais avançado, se dirigiu para Varsóvia.
No dia 11 a IV divisão Panzer atacou pela primeira vez os subúrbios de Varsóvia, e desde desse dia tem lugar uma violenta batalha nas proximidades do rio Bzura. Os polacos tentaram lançar contra ataques para travar o avanço alemão. Contudo, praticamente cercado, o núcleo do exército polaco está a desintegrar-se, e Varsóvia – para onde retiram todas as unidades que conseguem romper o cerco – ficou à mercê do avanço alemão.
Há duas semanas que a Polónia luta, mas sem esperança… só com o desespero acantonado na capital.

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12.9.07
 
Do amor
A relação marital é uma série de ilusões encadeadas no tempo.

Aquela célebre frase que muitos casais dizem em crise – afinal não te conheço – é talvez a frase mais verdadeira que algum dia disseram.
Não é possível conhecer alguém que se ama, porque a relação de amor é a relação que mais distorce a realidade.

in José Gameiro, Nem contigo nem sem ti, Terramar 2004

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11.9.07
 
Seis anos de Bin

Há duas formas de acabar a guerra no Iraque:
- uma, depende de nós, através da luta e dos massacres. É o nosso dever e os nossos irmãos estão-no cumprindo.
- A segunda solução está nas vossas mãos. Convido-vos a abraçar o Islão.

A melhor definição que encontro de fanatismo, deu-a Amos Oz; é obrigar o outro a mudar, para o salvar. Com a ciência, com a ideologia ou com a religião, é irrelevante, o que é preciso é matar. E quanto maior o massacre, maior será a purificação.

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10.9.07
 
Sympa psicadélique
création très artistique et sortant de l'ordinaire ;)

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7.9.07
 
A pedra

Tu não receberás sinal nenhum, porque a marca da divindade de quem tu pretendes obter um sinal é o próprio silêncio. As pedras não sabem nem podem saber nada do templo que constituem. Nem o bocado de casca, da árvore que ele constitui na companhia de outros. Nem a árvore ou a moradia, da propriedade que compõem juntamente com outros. Nem tu, de Deus. Seria preciso que o templo aparecesse à pedra ou a árvore à casca, o que não tem sentido, pois a pedra não dispõe de linguagem em que o receber. A linguagem é da escala da árvore.

Vim a descobrir tudo isto depois daquela viagem até junto de Deus. Sempre sozinho, fechado em mim diante de mim. Não tenho esperança alguma de sair, por mim, da minha solidão. A pedra não tem esperança de ser outra coisa que não pedra. Mas ao colaborar congrega-se e torna-se templo.

Saint-Exupéry, in "Cidadela". Presença, 1996

“Não tenho esperança alguma de sair, por mim, da minha solidão” “Seria preciso que o templo aparecesse à pedra”
Mas pá, foi por isso que Ele apareceu aqui. Várias vezes.
A mensagem é sempre a mesma,
“acredita em Mim e no meu amor”.
Porque “a pedra não dispõe de linguagem em que o receber”.
Porque “a pedra não tem esperança de ser outra coisa que não pedra. Mas ao colaborar congrega-se e torna-se templo”.

Colaborar deveria querer dizer amar.

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5.9.07
 
1939 ir morrer à Polónia
A noite ainda está escura. Em todas as fronteiras, da Silésia à Prússia, os oficiais consultam os mostradores luminosos dos relógios. São 4:45.
- Vorwarts!

Os motores arrancam, os homens avançam, as lagartas mordem a terra e com um barulho ensurdecedor, as máquinas esmagam os postos fronteiriços.

As primeiras rajadas rasgam a noite. A guerra começou na Polónia.Os homens recebem o baptismo de fogo. Guardas da fronteira retiram, continuando a fazer fogo. Já não é um exercício. As balas matam mesmo e os estilhaços rasgam a carne. Alguns não verão o nascer do Sol.
O dia surge com chuva. O tecto está baixo e poucos aviões descolam. Os combates travam-se só entre a infantaria e chega-se ao corpo a corpo.Por todo o lado ardem aldeias e florestas. Explosões surdas fazem tremer o chão.Os primeiros mortos jazem nas bermas em posições grotescas. A chuva continua a cair. Em breve tudo será um lamaçal sangrento.

Em Berlim, Adolf Hitler sobe com passos decididos à tribuna da Ópera Kroll, onde está instalado o Reichstag e discursa:
- A partir deste momento, não sou mais do que o primeiro soldado do Reich. Vesti novamente este dolman que considero sagrado. Só o tirarei com a vitória total ou, se o destino ma recusar, não sobreviverei.

Que pena não teres começado pelo suicídio. Poupava-se tanto sofrer e ficavas com o Inferno todo... só pra ti.

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4.9.07
 
Do Invisível
Já não tenho a pretensão de esperar pela aparição do arcanjo, porque ou ele é invisível ou não é.
E aqueles que esperam um sinal de Deus, é porque fazem dele um reflexo de espelho, onde não viriam a descobrir nada além deles próprios.


Saint-Exupéry in "Cidadela"
. Presença, 1996.

Redescoberto aqui

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Arte urbana: smarties!

Quando tirei as fotos estavam duas velhinhas perto comentando: ai que bonito que ficou!
Depois diz-lhe que não... que não é uma obra de arte, lol.
2.9.07
 
Equardor

Esmagavam-se, um contra o outro, como animais no cio, entregues pelo mar à areia da praia, para que consumissem o desejo. Todo o tempo Luís Bernardo fora arrastado por aquela onda devastadora de desejo, por aquela mulher voluptuosa e linda que se despira e viera ter com ele, mar adentro, e agora, de repente, sentiu que devia dizer ainda alguma coisa, ser alguma coisa mais do que um macho preparando-se para cobrir uma fêmea.
- Schiu, Luís… come. Come to me!
A mão dela voltou a procurar-lhe o sexo, segurou-o com força, descolou-o da sua própria barriga e, arqueando ligeiramente o corpo, abriu as pernas e encaminhou-o para dentro de si. Então ele entregou-se sem mais pensamentos, começou a entrar nela devagar, contendo-se, mas sentiu-a molhada, de uma espuma espessa que não era só de mar, e, com um suspiro quase inaudível, entrou fundo nela, tão fundo que sentiu a terra girar sobre a sua cabeça, sentiu que a areia do chão tremia como o corpo dela, sentiu-lhe a língua salgada, qualquer coisa ainda mais que se abria e que se rasgava para o receber, algures, debaixo da terra, um vulcão adormecido rugiu e ele rugiu também, com o vulcão, com ela, um ronco surdo em que tudo se fundiu de repente numa explosão em que já só via estrelas cintilando no fundo dos olhos e o azul ou verde dos olhos de Ann servindo de céu a todo aquele caos e, mesmo no segundo antes de se sentir perder e deixar ir no mais fundo dela e de si mesmo, teve ainda tempo para um último assomo de lucidez, onde lhe surgiu nítida e perfeitamente crua a certeza de que se perdera para sempre no corpo, no olhar e no abismo daquela mulher.
Muito tempo depois – uma eternidade, para quem, como ele, se sentia de repente um criminoso à beira de ser descoberto – Ann soltou-se dos seus braços, pousou-lhe um beijo suave sobre a boca e, suspirando, disse:
- Agora tenho de ir.


(Miguel Sousa Tavares, Oficina do Livro, 6ª edição 2003)
Rita Jasmim

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