Os nomes dos submarinos

Os países na Nato, tendem a denominar os submarinos com nomes de predadores marinhos, de deuses, de seres mais ou menos míticos e são, geralmente, ordenados alfabeticamente ou por grandes séries de letras – ex: “Oberon” foi uma classe de submarinos ingleses, que teve grande sucesso de exportação, (Chile, Brasil, Canadá, Austrália) nas décadas de 50 e 60; todos os outros dessa classe, na frota britânica, tinham nomes começados por “ O “ como por exemplo “ Osíris “ – este último foi vendido em segunda mão ao Canadá para peças... Portugal não escapou à regra, sendo que esta foi estabelecida há muito, pois tivemos submarinos pela primeira vez em 1913 (ainda encomendados pelo Sr. Carlos de Bragança em Janeiro de 1908...mau agoiro?). Assim os nossos “predadores marinhos” já foram repetidos várias vezes – esta última é a 4ª ou a 5ª esquadrilha de submarinos. Já tivemos “Nautilos”, “Neptunos” e “Narvais”; “Espadartes”, “Focas” e “Golfinhos” e os que agora estão velhos e serão substituídos eram o S163-Albacora, S164-Barracuda, S165-Cachalote e S166-Delfim (A, B, C e D). Albacora é igualmente um peixe carnívoro, voraz e grandote (1.2 m de comprimento) da família dos atuns - é até quase completamente igual anatomicamente. A sua forma específica inspirou alemães e americanos já no final da II Guerra, o que produziu o chamado "stream-lined submarine" e navios de pesquisa com o mesmo nome (USS Albacore, por exemplo).
Uma vez que os números dos novos submarinos são S167 e S168 – na sequência directa dos anteriores – é estranho que tenham sido adoptados nomes de armas para caçar animais marinhos (Tridente e Arpão) pois o que seria normal seria a repetição dos nomes “Espadarte” – E, e “Foca” – F. Existe no entanto uma patusca razão para tal: nos dias que correm “Espadarte” é coisa digna, mas “Foca” poderia suscitar, entre os nossos aliados “anglo-falantes”, risinhos na casa das máquinas ou paródia nos gabinetes da Nato: “ Foca ” é foneticamente igual a “ Fuck her “, ou seja “ Fode-a” ou "Ela que se foda". Há 40 anos, no tempo do respeitinho, a coisa não seria importante, mas agora foi preciso salvaguardar a “toponímia” e a malta da Armada, sempre atenta, fez a alteração. Mário Freire

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Não são brinquedos!

O novo NRP Arpão (S 168) baptisado pela Dra Maria Barroso à direita do comodoro Mello Gomes
Existem razões várias para que todo este processo se tenha tornado longo, complicado, opaco, pouco sério e, sabemo-lo agora, recheado de personagens de reputação duvidosa.
A decisão do governo Guterres, a da compra, fez todo o sentido: o submarino é um sistema de armas poderoso, potencia frotas de superfície, que por isso podem ser menores, mais ágeis e de menor custo e vulnerabilidade. Guterres chamou-lhe a “Bomba atómica dos pobres”, ou seja: “sabemos que forças poderosas podem agredir / atacar o País ou a União, mas ficam a saber que isso terá para eles custos materiais e humanos avassaladores; aqui reside a dissuasão. Não estou a ver o católico e mui-sério Guterres a deixar-se comprar por quaisquer negociantes de armas ou a deixar-se convencer por um qualquer militar reformado. A decisão foi de certeza ponderada e, segundo muita gente, correcta.
Fiquei particularmente chocado com o embaraço e a gritante ignorância do deputado Diogo Feyo, pessoa que prezo e estimo sinceramente, demonstrada no Jornal das Nove da SIC de dia 31.
Aqui vai alguma cronologia, com a minha modesta ajuda, para esclarecimento de quem queira: Salazar comprou a pronto, entre 1964 e 1968, 4 submarinos à França, que foram aumentados ao efectivo da Armada com os seguintes nomes e números-de-amura:
S163 – NRP Albacora (A)
S164 – NRP Barracuda (B)
S165 – NRP Cachalote (C)
S166 – NRP Delfim (D)
Em 1975 (!) o submarino S165 Cachalote, que tinha sido pago pelos Portugueses a pronto, foi devolvido a França e esta forneceu-o ao Paquistão, que mantinha à época mais uma guerra com a Índia (a França pagou-nos? era um acordo? era um favor? se pagou, quem recebeu o dinheiro? um intermediário? o erário público? um almirante revolucionário? um partido político? seria interessante investigar...). O navio foi incorporado na Marinha do Paquistão com o número S134 e o nome GHAZI. O submarino Paquistanês S131 HANGOR, do mesmo tipo, tinha afundado a fragata indiana INS KHUKRI em 12/07/1971.
Os nossos restantes 3 submarinos foram envelhecendo, navegando e cumprindo as suas discretas mas fundamentais missões.
À data da decisão de Paulo Portas / Governo Barroso, 2004, só já restariam operacionais 2, logo a decisão da compra de só duas unidades estava toscamente justificada perante a chamada “opinião pública”, assim como representava uma efectiva economia.
É preciso dizer que uma frota destas deve, teórica e idealmente, ser composta por 4 unidades: um em manutenção, outro em grande revisão e outros dois operacionais e agindo em conjunto. Três unidades são consideradas, por especialistas verdadeiros, uma frota possível mas “apertada”. Com dois, apenas um está operacional e nem sempre. Mas é melhor que nada. A guerra-fria acabou, os serviços de informações militares podem ajudar tentando antecipar ameaças e a disponibilidade dos navios e melhorando assim gestão da frota. Esta deve também apoiar missões anti-droga, anti-tráfico humano / escravatura, anti-pirataria e anti-terrorismo, com uma boa coordenação. A escolha só de dois navios era, apesar de tudo, justa e mais barata.
Foram escolhidos os melhores e mais eficazes submarinos da actualidade, os alemães: de facto, o material francês (e espanhol...) que perdeu o concurso não era de modo nenhum capaz de estar sequer próximo do nível de qualidade e eficácia dos navios escolhidos por Portugal. O sistema de propulsão sem oxigénio e silencioso (AIP – Air Independent Propulsion) que os franceses diziam que já tinham, estava apenas em fase de ensaio e ao que é sabido, dava problemas difíceis de ultrapassar; como paliativo prometiam incorporar depois da venda a Portugal, esse equipamento nos nossos navios, o que jamais iria acontecer. Os submarinos Franco-espanhóis eram apenas aparentemente mais baratos. Também deve ser referido que nem a França nem a Espanha queriam incorporar nas respectivas frotas esse tipo de navio. A própria Espanha, co-produtor/fabricante, definiu para a sua frota uma máquina mais ambiciosa, e muito mais cara, com sistemas de combate americanos, mísseis de cruzeiro e ainda espera pelo famoso motor sem oxigénio (AIP) de concepção francesa, o que parece ter aborrecido, ou outra coisa em “ido”, a parte francesa do negócio. Queriam portanto vender-nos material que rotulavam internamente de 2ª.
O submarino alemão que Portugal escolheu é o melhor: tem o seu motor independente do ar completamente funcional e eficaz; é furtivo ao ultra-som (sonar) e ao radar; é muito silencioso; tem um enorme raio-de-acção. Quebrava também uma dependência de Espanha e de França que não nos seria benéfica. Há também quem afirme – não sei se é verdade – que os nossos velhos submarinos de fabrico francês beneficiaram de técnicas portuguesas de melhoramento e reparação que Portugal jamais pôde registar e que foram abusivamente aproveitadas pelos franceses sem licença. Por tudo isto a escolha pelo submarino alemão parecia óbvia.
Se chegarem a ser aumentados ao efectivo da Armada terão os seguintes números-de-amura e nomes:
S167 – NRP Tridente (T)
S168 – NRP Arpão (A)
As negociatas, concursos viciados, pseudo-comissões de avaliação, pressões e outras boas-acções levaram a um processo longo e cheio de impugnações e protestos por parte do concorrente Franco-Espanhol. Os submarinos escolhidos por Portugal até tiveram de mudar de nome – truques de secretaria... O que compramos chama-se oficialmente Tipo U209-PN (Portuguese Navy) mas é directamente derivado do Tipo U214 com mais cerca de 4 a 5 metros de comprimento para alojar equipamento de comunicações e de gestão, de concepção e fabrico Nacionais e para poder ter uma guarnição parcialmente feminina. Como se vê foram feitos à medida das nossas necessidades e completamente adaptados às missões que vão desempenhar. NÃO SÃO BRINQUEDOS!
Mário Freire
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Para que serve um submarino?

Para que serve um submarino?
1-Recolhe informações, úteis à segurança do Estado, sem ser visto, usando sensores ópticos, acústicos e electromagnéticos ou seja, periscópios, sonares e radares.
2-Controla o tráfego marítimo, distinguindo muito facilmente o que é civil do que é militar (de qualquer país) e o que é navio de superfície do que é submarino, a distâncias consideráveis e sem precisar de se mostrar (vir à superfície), portanto sem denunciar a sua presença.
3-Recolhe ou coloca pessoas, civis ou militares, em qualquer costa do Atlântico e parte do Indico, em segredo e segurança, permitindo levar a cabo missões de resgate vitais para o Interesse Nacional e para a segurança de Portugal.
4-Escolta e protege unidades civis e militares que naveguem à superfície, ou estruturas permanentes ou móveis (plataformas, trabalhos de prospecção e investigação científica etc.).
5-Tem uma considerável capacidade de dissuasão pois tem uma enorme capacidade destrutiva, vulgo, “poder-de-fogo”.
6-Os seus equipamentos de detecção, sensores e capacidade de cartografar o fundo marítimo para navegação, permitem-lhe também a localização: de navios afundados, de destroços, de pontos de impacto de aeronaves na água (acidentes).
7-Em alguns casos, têm a capacidade de colocar mergulhadores e levar a cabo missões de salvamento subaquáticas, assim como missões de sabotagem e de guerra, fim primeiro da sua existência.
8-Têm a capacidade de potenciar o papel das unidades de superfície, tornando desnecessária uma vasta frota de combate (uma vasta frota é também vulnerável e cara de operar, guarnecer e manter).
9-Um submarino é eminentemente um navio de combate, mas como todos os navios de combate, a exemplo das fragatas, pode executar outras missões, nomeadamente apoio à vida / trabalho no mar e salvamento - os navios não-combatentes são limitados em todas as outras capacidades e missões, executando bem apenas aquelas para as quais foram pensados.
10-Este ponto pretende ser um resumo: Os submarinos salvaguardam bens materiais e vidas humanas, sobretudo de militares (homens de carne-e-ôsso) que naveguem ao serviço de Portugal, e que não são marcianos mas portugueses. Enviar, numa qualquer missão oceânica, destinada a apoiar interesses de Portugal e/ou a proteger vidas de portugueses em trabalho ou em missão noutro qualquer país costeiro (exemplo, Guiné em 1998), enviar pois, homens a bordo de navios que ostentem a Bandeira Nacional não deverá ser um acto irresponsável. Não se enviam navios desprotegidos ou desarmados para lado nenhum. Sem submarinos a Marinha precisará sempre de protecção alheia, não terá autonomia nas decisões políticas e estratégicas ou para o que quer que seja; precisaremos sempre de pedir licença - ou socorro - a alguém e isso tem custos: Portugal deixará de controlar minimamente as suas águas, com credibilidade, e tornar-se-á irrelevante.
Perante esta enumeração das capacidades da arma submarina, é imperativo que o governo, e outras entidades que zelam, ou deviam zelar, pelo Superior Interesse na Nação (a médio e longo prazo, e não gerindo calendários eleitorais) respondessem em público às seguintes perguntas:
A – Está o Governo de Portugal empenhado em conservar a capacidade, que só os submarinos permitem, de obter e recolher informações, de maneira discreta e autónoma, que são vitais para a segurança da República e dos homens e mulheres que nos representam dentro e fora do território nacional? Ou simplesmente quer evitar cobardemente que se fale nisto?
B – Está o Governo interessado em ter a capacidade de saber quem navega nas nossas águas, tanto à superfície como abaixo dela, e saber o que lá fazem e porquê? Ou pelo contrário, está disposto a abdicar da capacidade de saber se estão a fazer cemitérios clandestinos de produtos tóxicos e/ou radioactivos por meios submarinos estrangeiros?
C – Quer o Governo conservar a capacidade de colocar ou extrair pessoas, em caso de necessidade, de qualquer ponto de qualquer costa atlântica, defendendo o interesse e a segurança nacionais? Ou, pelo contrário, quer deixar cair, de forma irresponsável, essa capacidade e assim atingir estrondosamente a total e humilhante dependência dos nossos “parceiros da união”, que manifestamente nos adoram?
D – Está o Governo, sim ou não, empenhado em ter a capacidade submarina de apoiar e proteger as nossas unidades de superfície, trabalhando com elas em equipa, sejam elas fragatas, navios-patrulha, navios reabastecedores, navios hidrográficos e de pesquisa científica, unidades auxiliares da marinha ou também embarcações civis que honestamente desenvolvem a sua ingrata actividade? Se “não”, como vai o Governo justificar ou explicar, que as vidas dos marinheiros civis e militares assim como os navios que ostentam a Bandeira de Portugal são coisas descartáveis?
E – Será que ninguém repara que alguns dos nossos mais desleais adversários são nossos “parceiros” na União Europeia e que estes rejubilarão se perdermos a nossa capacidade submarina, aparecendo logo fazendo-se necessários, tomando assim o nosso legítimo e antigo lugar no mar? Que diz o Governo da constante tentativa de assalto às nossas águas oceânicas e às suas riquezas naturais e minerais?
F – Porque será que quase todos os países oceânicos prosseguem ferozmente o seu reequipamento submarino e o Governo está disposto, bacocamente, a ouvir “recomendações” desses mesmos países (europeus) no sentido da rejeição dos nossos submarinos?
G – Quer o Governo conservar o muito necessário controlo sobre o “nosso oceano”, mantendo Portugal como uma nação forte e digna, ou quer, pelo contrário, caminhar a passos largos para a irrelevância total e dar o país em “outsourcing” (porque não privatizar a polícia ou vender o Ministério Público a estrangeiros, que certamente poderiam dizer que “vocês não são eficazes a investigar o crime”?); Qual é o limite do aceitável para os políticos?
Mário Freire
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1939 começou a guerra!
Às 4:45H o exército alemão atravessou a fronteira polaca, iniciando a execução do Fall Weiss (Plano Branco).As tácticas da Blitzkrieg (guerra relâmpago) são executadas por 53 divisões com 1.500.000 homens divididas em dois grupos de exércitos (Norte e Sul), apoiados por 2.600 tanques e 2.000 aviões.
Face a esta força encontram-se 39 divisões polacas com 900.000 soldados bem treinados e motivados, mas com tácticas e equipamentos ultrapassados
A Segunda Guerra Mundial estendeu-se, a partir de 1939, por seis longos anos.
Pelo número de estados envolvidos, pelo número de soldados mobilizados e de armas utilizadas, pela diversidade de cenários onde se desenrolaram as batalhas e pelo número de baixas, pode considerar-se este conflito como uma Guerra Total.
De hoje em diante tentarei lembrar os principais acontecimentos, como se revivesse essas fúnebres noticias, que durante 2.194 dias foram marcando a existência da mais desgraçada geração humana.
As causas mais remotas têm raízes na Paz de Paris e nos sequentes tratados de Versailles a Sévres.
A Alemanha, a própria Itália, e alguns dos novos estados balcânicos, constituíam focos de descontentamento, desafiando o sistema internacional estabelecido pós Primeira Grande Guerra.
A Grande Depressão que se desencadeou em Outubro de 1929 na América, estendeu-se à sociedade europeia, impedindo o pagamento das brutais indemnizações de guerra alemãs à França e Inglaterra.
Por outro lado, a ascensão dos regimes totalitários de cunho fascista – particularmente em Roma e Berlim – legitimavam politicamente e davam peso militar ao descontentamento reinante.
As causas imediatas produziram-se entre 1936 e Agosto de 1939.
Em Março de 1936 o chanceler alemão ordenou ao exército do III Reich a ocupação a zona desmilitarizada do Reno alegando que a França asfixiava e cercava. Os protestos de Londres e Paris de pouco valeram, e assim se violou um dos acordos de 1919, ratificado em Locarno em 1925.
Os passos seguintes só foram agravando as relações entre a Alemanha – foco do revisionismo internacional – e as democracias ocidentais, garantes do Tratado de Versailles e da Sociedade das Nações.
A ajuda prestada por Berlim e Roma na insurreição contra a II Republica espanhola a partir de Julho de 1936 ampliou a hostilidade entre os governos fascistas e o par anglo-francês.
Em Setembro de 1938, imediatamente após o Anschluss (incorporação da Áustria no Reich) Hitler deu mais um passo para a guerra com a anexação dos Sudetas Checo-eslovacos. Como na Áustria, justificou-se com a elevada percentagem de população alemã.
Londres e Paris cederam mais uma vez pelo Acordo de Munique.
A cedência alimentou, por um lado a audácia de Hitler, que conquistava território sem custos, e por outro o sentimento derrotista nas democracias; perante isto Sir Winston Churchill exclamou “You have chosen dishonor over war. You shall have both”
Uma terceira consequência dessa capitulação, foi a de levar Stalin a pensar que as democracias, atemorizadas perante a Alemanha, entregavam vítimas (Checoslováquia) para apaziguar a fera, e lhe reorientar os apetites para Leste. Temeu que as democracias aceitassem outro Munique à custa do estado Polaco, o que colocava a União Soviética – já fragilizada pela derrota na guerra de Espanha – na primeira linha da ambição alemã. Tratou portanto de firmar um Pacto de não-agressão solicitado por Hitler, que ficava com as mãos livres para atacar a Polónia. Em segredo a Alemanha e a União Soviética acrescentavam a divisão das esferas de influência no Leste, partilhando a Polónia e dando à União Soviética poder sobre os pequenos estados bálticos e Finlândia.
Quando a Whermacht iniciou o ataque à Polónia, Londres e Paris não puderam salvá-la, mas assumiram o compromisso contraído com Varsóvia, declararando guerra ao III Reich.
Segundo testemunhos, Hitler pensava que iriam ceder. Mas tinha também outras razões para avançar: a idade (50 anos) incitava-o a não adiar mais os seus “grandes desígnios”; a economia alemã, fragilizada pela enorme despesa militar, obrigava-o a procurar (pela força se necessário) os recursos que lhe começavam a faltar; e provavelmente também, o salto em frente para a loucura, essa “prova última do Homem”, emocionava e atraía a sua ambicição megalómana.
Sem que percebessemos claramente - era ainda um conflito europeu, localizado - assistiamos ao início de algo com uma dimensão gigantesca: uma segunda guerra planetária.
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1940 Adlertag: o dia da àguia
Nestes dias de guerra, a Alemanha a ocidente, a União Soviética no leste, dominam o espírito da Europa. O novo governo fascista da Roménia optou por se juntar, no início de Julho, ao Eixo Roma-Berlim. Do outro lado, a URSS de Stalin anexou os estados bálticos (Estónia, Letónia e Lituânia).Após longas discussões o almirante Raeder, comandante da marinha alemã, conseguiu convencer Hitler, dos risco tremendo que é atravessar o canal, com navios cheios de tropas, e a não prosseguir com a Operação Seelowe sem primeiro derrotar a RAF, conseguindo a supremacia aérea.
Estes argumentos da marinha, aliados à habitual fanfarronice de Goering - já enganou Hitler em Dunquerque e outras, bem mais graves, se seguirão certamente - levaram à directiva nº 17: destruição da aviação inglesa.
Frente a frente estão 600 caças Hurricane e menos de cem modernos Spitfire ingleses contra as impressionantes frotas aéreas da Luftwaffe: 1.200 bombardeiros Heinkel 111 e Dornier 17, mais de 1.000 caças Me 109 e Me 110.
O mau tempo atrasou a ofensiva aérea até há poucos dias. Mas desde do dia 13 (o dia da àguia), que vagas de bombardeiros e caças alemães se lançam ao ataque sobre as costas do canal e o sudoeste da Grã-Bretanha.
Hoje realizou-se o maior ataque aéreo de sempre sobre a Inglaterra. 1.800 aviões alemães em cinco vagas, sobre uma frente de 500 milhas. Pela parte britânica entraram em combate 22 esquadrilhas. Perdas de 76 aviões alemães contra 34 britânicos.
Recomeçou a guerra, agora pelo ar…
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1940 Hitler passeou-se em Paris
Hoje, como um sinal dos tempos que vivemos, um vitorioso Adolf Hitler passeou toda a manhã numa Paris deserta – a maioria da população evacuou a cidade. Este artista falhado, que chegou chanceller do Reich alemão, acalentava o sonho há muito. Fez-se acompanhar pelo seu arquitecto e pelo seu escultor preferidos, Albert Speer e Arno Brecker.Vieram de madrugada de Compiégne, onde foi assinou o armistício. Apesar do triunfo, o vazio que acompanhou a passeata, parece simbolizar o vazio que irá envolver cada vez mais este homem providencial.
A comitiva automóvel entrou pela Porte de La Villete e seguiram-se as pérolas arquitectónicas da cidade luz do percurso gizado pelos seus artísticos acompanhantes: Opera, Madeleine, Campos Elíseos, Arco do Triunfo, Invallides, Notre Dame e um final magnífico no Sacré-Coeur, do alto da escadaria: Hitler pôde ver uma cidade silenciosa e reluzente sob sol matinal, estendida a seus pés. Speer contou que Hitler, com os olhos a brilhar, lhe dissera terem sido as três horas mais felizes da sua vida.
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1940 A França caiu... Armistício
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Hoje, foi assinado o acordo entre os delegados da França e Alemanha.
Daqui a dois dias (dia 24) será assinado com a Itália. As hostilidades cessarão completamente na madrugada de 25. Muitos vêem as condições deste armistício como particularmente duras, mas estão esquecidos, dizem os alemães, das severas condições a que forçaram a Alemanha na mesma carruagem, na floresta de Compiégne, em 1918.
Em cerca e mês e meio de combates, desde 10 de Maio, a França teve 360.000 baixas humanas (90.000 mortos e 270.000 feridos); 1.800 blindados destruídos; 1.200 aviões abatidos (a melhor parte do Armée de l’Air); parte dos navios de guerra fugiu para Inglaterra (2 cruzadores, 10 destroyers e 7 submarinos), mas a maioria da esquadra seguiu para os portos mediterrânicos de Oran e Mers-el-Kibir, às ordens de Vichy.
Acrescentam-se a estas baixas mais 68.000 ingleses (900 aviões perdidos e todo o equipamento pesado do exército); 23.000 belgas; 9.000 holandeses
A Alemanha, no mesmo período, sofreu 138.000 baixas (27.000 mortos e 111.000 feridos); perdeu 1.100 blindados e 1.400 aviões (pesado para a Luftwaffe) a que acrescem cerca de 3.800 baixas italianas; Fizeram 1.900.000 prisioneiros de guerra franceses e 600.000 belgas.
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1940 A França de joelhos!

Situação militar em completa deterioração em França. Desde a queda de Paris, que a campanha se transformou numa fuga; da costa do canal ao rio Mosa, os exércitos franceses encontram-se em retirada permanente. Nunca se viu nada assim em França…
As triunfantes colunas blindadas alemãs, empurram, por todo o lado, desmoralizadas colunas francesas, que se misturam com refugiados civis. Do ar vêm incessantes ataques da Luftwaffe. Tornou-se impossível formar a nova frente, que o alto comando francês preconizava ao longo do rio Loire.
No Reno, as forças do general Dollman, com cobertura dos Stuka, romperam a linha Maginot, primeiro a sul de Saarbruecken, em seguida na zona de Colmar. Em simultâneo, partindo do Aisne, os panzer de Guderian, depois de tomarem Dijon, inflectiram para sudeste, alcançando Besançon e Pontalier. Em resultado destas acções combinadas, o II exército francês, que guarnecia a linha Maginot, ficou cercado numa enorme bolsa, na Alsácia-Lorena.
No oeste a situação não é melhor. Os alemães ocupam Caen e Chebourg na Mancha ocidental; o mesmo se passa mais a sul com Rennes, Le Mans e Nevers. Na desgraça geral, o primeiro-ministro Reynaud demitiu-se perante a recusa do conselho de ministros (Bordéus) em aceitar uma oferta de Churchill, para selar a união com o Reino Unido.O velho marechal Pétain, novo primeiro ministro, fala em rendição; consta mesmo que já foi pedido à Alemanha um armistício.
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1940 o espectro da derrota

Four days of bloody fighting have gone by since then. Our army is now cut into several parts. Our divisions are decimated. Generals are commanding battalions. The Reichswehr has just entered Paris. We are going to attempt to withdraw our exhausted forces in order to fight new battles. It is doubtful, since they are at grips with an enemy which is constantly throwing in fresh troops, that this can be accomplished.
At the most tragic hour of its history France must choose.Will she continue to sacrifice her youth into a hopeless struggle ?
(...)
The only chance of saving the French nation, vanguard of democracies, and through her to save England, by whose side France could then remain with her powerful navy, is to throw into the balance, this very day the weight of American power. It is the only chance also of keeping Hitler, after he has destroyed France, and then England from attacking America thus renewing the fight of the Horatii against the three Curiatii.
I know that the declaration of war does not depend on you alone. But I must tell you at this hour, so grave in our history as in yours, that if you cannot give to France in the hours to come the certainty that the United States will come into the war within a very short time, the fate of the world will change. Then you will see France go under like a drowning man and disappear after having cast a last look towards the land of liberty from which she awaited salvation.
Telegrama do primeiro ministro francês, Paul Reynaud, ao presidente Franklin Roosevelt, hoje
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1940 Fall Rot
Desde o dia seguinte à queda de Dunquerque (5 de Junho) que está em curso o plano vermelho (Fall Rot) da Whermacht: a segunda parte do ataque à França. Para sul e sudoeste, apartir de Amiens em direcção a Rouen, apartir de Soissons em direcção a Paris, os panzer estão de novo em marcha. Hoje, a França já ferida de morte, levou uma facada pelas costas: a Itália declarou-lhe guerra, e ataca pelo sul o exército francês dos Alpes.
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1940 Dunquerque caíu!

Winston Churchill pronunciou ontem, no parlamento britânico, um discurso que vai ficar para a História: we shall defend our Island, whatever the cost may be, we shall fight on the beaches, we shall fight on the landing grounds, we shall fight in the fields and in the streets, we shall fight in the hills; we shall never surrender
Desde o dia 26 de Maio, que estava em curso a operação Dynamo, inicialmente prevista para evacuar 40.000 homens. Dessa data até ontem, foi um incessante e louco vai e vem debaixo do fogo da Luftwaffe, apesar do empenho da Royal Air Force. Uma estranha flotilha de cerca de 900 embarcações de todo o tipo – desde barcos de guerra a pequenos barcos de recreio – retirou de solo Francês, 340.000 soldados, entre os quais 140.000 franceses.
Em quase duas semanas de combate morreram cerca de 30.000 aliados e 10.000 alemães. Às perdas humanas juntam-se cerca de uma centena de aviões abatidos para cada lado, mais seis destroyers ingleses e três franceses afundados.
Apesar da derrota, a Inglaterra salvou o seu exército.
Mas teve perdas maciças de equipamento – 60.000 veículos e 2.000 canhões ficaram nos areais de Dunquerque – que serão muito difíceis de colmatar.
As forças francesas do general Blanchard que cobriram heroicamente a retirada, e sem saída, os últimos 35.000 renderam-se hoje às forças alemãs de Von Rundstedt.
Numa situação desastrosa, findou a primeira parte da batalha pela França.

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1940 Dunquerque: a batalha dura há uma semana


O inimigo atacava por todo o lado, com grande força e violência. O grosso da sua potencia e a mais numerosa das suas forças aéreas foi lançada sobre Dunquerque e as suas praias. Exercendo grande pressão sobre as estreitas saídas, tanto do leste como do oeste, o inimigo começou a bombardear as praias, os únicos lugares por onde os barcos podiam levar a cabo as operações de ida e vinda.
Semearam o canal e os mares de minas magnéticas; lançaram a aviação em ondas repetidas, ás vezes com mais de uma centena de aviões em cada formação, para cobrir de bombas o único cais que restava e as dunas que os soldados tinham escolhido como único lugar de refugio. Submarinos e lanchas rápidas fustigaram o tráfego marítimo aliado.
Durante quatro ou cinco dias a luta foi tremenda e intensa. Todas as divisões blindadas, juntamente com grandes formações de artilharia e infantaria, lançavam-se em vão contra a faixa, cada vez mais estreita, cada vez mais contraída, na qual continuavam a lutar os exércitos inglês e francês.
Winston Churchill Memories, vol II
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1940 A Bélgica capitulou
Fim de Maio; a batalha do norte está praticamente perdida. Hoje o rei e o exército belga capitularam. Em Dunquerque, o exército britânico começa o reembarque (Operation Dynamo). O que resta do I exército francês tenta fazer outro tanto; mas será uma retirada forçosamente desastrosa.
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1940 Fechou-se no norte

Hoje a Wehrmacht fechou o cerco às forças aliadas na Bélgica e norte de França. Os ingleses recuaram para Dunquerque e o comando britânico pôs em acção a operação Dynamo, previamente planeada para evacuação do seu corpo expedicionário (BEF).Na confusão geral e duas semanas depois do inicio do ataque alemão, conseguimos ver a manobra militar de uma forma mais clara. Esperando o principal ataque através dos países baixos,na miragem de uma repetição do plano Schliefen (I grande guerra) a aliança franco-britânica avançou para norte, confiante na defesa sobre a linha Maginot a sul.
Mas o grosso do ataque alemão veio pelo centro, por Sédan, com unidades blindadas compactas (divisões Panzer) e apoiadas pela aviação de ataque ao solo (Stukas). Impossíveis de travar pelos contra-ataques aliados (Montcornet e Arras) os blindados alemães viraram para norte, em direcção ao canal, chegando a Calais que está neste momento cercada (imagem acima). O poder de choque e a rapidez dos alemães, encurralaram cerca de meio milhão de soldados franceses, ingleses e belgas, na armadilha para onde se tinham lançado duas semanas antes.
Separados do resto da França, com roturas de mantimentos e de munições, na desproporção de dois para um, a defesa dos aliados em torno de Dunquerque, onde montaram o posto de comando, é agora uma luta de vida ou de morte. Tentarão ganhar tempo que permita a evacuação por mar, mas metade dos exércitos aliados estão agora em risco de aniquilação.
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1940 Rommel chegou ao canal... A França precisa de um milagre
Após a penetração apartir de Sédan, os panzer em vez de seguirem directamente para Paris, dirigiram-se para Abeville e rumaram a norte. Rommel já está em Calais, na Mancha. Como se temia, o exército aliado ficou separado em duas partes, estando encurraladas na grande bolsa do norte, as melhores forças francesas e o corpo expedicionário inglês (BEF). O general Weygand, que substituiu Gamelin no comando supremo aliado, tentou ontem montar um contra-ataque (setas brancas), com o BEF e os seus Matilda pressionando pelo norte (Arras), e o VII exército francês com restos da 4ª divisão blindada de De Gaulle, pelo sul, apartir do Somme.
Tarde demais, a infantaria alemã já reforçou as posições conquistadas pelo avanço rápido dos panzer. Foi impossível quebrar o eixo de ataque alemão.
A situação dos exércitos aliados, divididos, sem mobilidade, nem apoio aéreo, está-se a tornar desesperada dia após dia.

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Le colonel Charles de Gaulle, commandant de la 4e division cuirassée de réserve
Que resultados não teria obtido, durante estes ultimos dias de Maio, um corpo de elite blindado, de que, aliás, já existiam numerosos elementos ainda que desmotivados e dispersos, em vez de uma pobre divisão frágil, incompleta, improvisada e isolada?Se o Estado tivesse feito o que devia fazer; Se quando ainda estava a tempo, tivesse orientado o seu sistema militar para a acção e não para a passividade; Se, consequentemente, os nossos chefes tivessem disposto do instrumento de choque e de manobra que com frequência se tinha proposto ao poder e ao comando; então, os nossos exércitos teriam tido a sua oportunidade e a França teria reencontrado a sua alma.
Charles de Gaulle, Memoires de guerre, vol I
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1940 Franceses falham contra-ataque em Montcornet
Perante o avanço de Guderian, cujos panzer ultrapassam Sédan, o coronel De Gaulle conseguiu convencer o estado-maior aliado, a dar uma oportunidade às suas unidades blindadas (equipadas com os pesados Char B). Esta tarde em Montcornet (antes de St Quentin no canal Sambre-Oise), os tanques franceses numa batalha furiosa, quase conseguiram vencer as colunas de tanques alemãs… até a Luftwaffe intervir, dispersando os franceses que perderam grande parte dos carros de combate. A supremacia aérea alemã começa a ser tão determinante, como a rapidez dos seus tanques.
O primeiro-ministro francês Daladier cedeu o seu lugar a Paul Reynaud após a catástrofe de Sédan. Churchill chegou também esta tarde para uma conferência com Reynaud e o comandante francês Gamelin.


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1940 Rotterdam em chamas, a Holanda rendeu-se!

Após os paraquedistas alemães de Student, terem tomado a “inexpugnável” fortaleza belga de Eben-Emael, que protegia o canal Albert, o exército holandês retirou-se para a área de Amsterdam e Rotterdam (tracejado no mapa) A rainha Guilhermina, com a família real e o governo, fugiram para Londres,onde formaram um governo no exílio.
Lançado um ultimatum, mas antes deste expirar, a Luftwaffe fustigou brutalmente Rotterdam.
Perante o bombardeamento de civis, o comandante do exército holandês, general Winkelmans, deu ordem de rendição que entrou em vigor às 11:00H locais. Arthur Seyss-Inquart será nomeado comissário do Reich, apoiado por Mussert, o Fuhrer dos nazis holandeses.
Actualmente, só as tropas holandesas da Zelândia continuam ainda a bater-se.
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1940 Os alemães estão em Sédan!
Os aliados franco-britânicos previam uma repetição do Plano Schliefen de 1914 (ataque pelo norte, Holanda e Bélgica), mas não o avanço pelas Ardenas, teoricamente inultrapassável segundo o marechal Pétain. 
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1940 A Europa de novo em guerra

Desde de Setembro de 1939 que a Alemanha, e a França apoiada pela Inglaterra, se olham de frente sem fazerem praticamente nada.
Cerca de 135 divisões em cada lado (2.350.000 alemães frente a 2.860.000 aliados franco-britânicos, belgas e holandeses), apoiados por carros de combate (2.700 alemães frente a 3.000 aliados) e aviões (3.200 alemães face a 1.700 aliados).
Os aliados, particularmente os franceses, bebendo na teoria estratégica de generais da I guerra mundial, como Pétain, apostaram em posições estáticas, defensivas, cujo ícone era a famosa Linha Maginot; pelo contrário, os alemães apostaram nos movimentos rápidos e profundos dos panzer, conjugados com a aviação de ataque ao solo, verdadeira artilharia aérea, que abrem caminho à infantaria; ainda por cima, tudo isto (Blitz Krieg) foi experimentado em acção real na Polónia, seis meses antes.
Os tanques alemães, combinando poder de fogo, com elevada velocidade, organizam-se em unidades independentes (divisões panzer), ao contrário dos aliados que, embora em maior número, têm blindados dispersos pelas unidades de infantaria (não acreditam no movimento rápido); este facto conjugado com a vantagem aérea virá a ser decisivo na batalha da França.
Durante estes últimos seis meses, vivemos um clima de tensão e angústia, de quando em quando, alimentado pela notícia de algum afundamento pelos submarinos alemães, como o porta-aviões britânico Courageous nas costas da Irlanda. Mas aparte a fraca tentativa de penetração francesa, durante a invasão da Polónia no ano passado, a inacção reinou no continente europeu.
Claro que houve a guerra do Inverno, a tentativa russa de fazer à Finlândia o mesmo que os seus “aliados” alemães fizeram à Polónia, mais uma vez perante a impotência anglo-francesa. Entre Novembro e Abril, os massivos exércitos de Stalin sangraram - mais de 200.000 mortos contra cerca de 20.000 finlandeses - frente á determinação finlandesa. Stalin moderou-se, mas a Finlândia foi obrigada a ceder o istmo e parte da Carélia Oriental, bem como a passagem de Petsamo.
Contudo,apesar do negrume dos fados – o Reich, a França e a Inglaterra mantêm-se em estado de guerra - esperava que as relações internacionais acalmassem; houve pedidos, entre eles o de Roosevelt e o do Papa, para se voltar à Paz.
Mas o fantasma de 1914 não nos larga. Em Abril deste ano a Alemanha – com o abastecimento de ferro sueco, ameaçado pelo bloqueio naval britânico - invadiu, sem aviso, a Dinamarca e a Noruega (Weserubung) e os aliados desembarcaram também forças no norte do país. Os dois lados confrontam-se e em sucessivas batalhas aero-navais foram afundados mais de uma dezena de navios alemães.
A falta de iniciativas guerreiras no continente, alimentava-me, no entanto, a esperança de, apesar do impasse, o tempo consolidar um qualquer status quo; chamou-se a isto, em França, uma “drôle de guerre”, em Inglaterra, a “phoney war” ou na Alemanha “Sitzkrieg”.
Ontem tudo mudou... os bárbaros voltaram. Deus nos ajude!
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