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La force des choses
1.9.09
 
1939 começou a guerra!
Às 4:45H o exército alemão atravessou a fronteira polaca, iniciando a execução do Fall Weiss (Plano Branco).
As tácticas da Blitzkrieg (guerra relâmpago) são executadas por 53 divisões com 1.500.000 homens divididas em dois grupos de exércitos (Norte e Sul), apoiados por 2.600 tanques e 2.000 aviões.

Face a esta força encontram-se 39 divisões polacas com 900.000 soldados bem treinados e motivados, mas com tácticas e equipamentos ultrapassados


A Segunda Guerra Mundial estendeu-se, a partir de 1939, por seis longos anos.
Pelo número de estados envolvidos, pelo número de soldados mobilizados e de armas utilizadas, pela diversidade de cenários onde se desenrolaram as batalhas e pelo número de baixas, pode considerar-se este conflito como uma Guerra Total.
De hoje em diante tentarei lembrar os principais acontecimentos, como se revivesse essas fúnebres noticias, que durante 2.194 dias foram marcando a existência da mais desgraçada geração humana.

As causas mais remotas têm raízes na Paz de Paris e nos sequentes tratados de Versailles a Sévres.
A Alemanha, a própria Itália, e alguns dos novos estados balcânicos, constituíam focos de descontentamento, desafiando o sistema internacional estabelecido pós Primeira Grande Guerra.
A Grande Depressão que se desencadeou em Outubro de 1929 na América, estendeu-se à sociedade europeia, impedindo o pagamento das brutais indemnizações de guerra alemãs à França e Inglaterra.
Por outro lado, a ascensão dos regimes totalitários de cunho fascista – particularmente em Roma e Berlim – legitimavam politicamente e davam peso militar ao descontentamento reinante.

As causas imediatas produziram-se entre 1936 e Agosto de 1939.
Em Março de 1936 o chanceler alemão ordenou ao exército do III Reich a ocupação a zona desmilitarizada do Reno alegando que a França asfixiava e cercava. Os protestos de Londres e Paris de pouco valeram, e assim se violou um dos acordos de 1919, ratificado em Locarno em 1925.
Os passos seguintes só foram agravando as relações entre a Alemanha – foco do revisionismo internacional – e as democracias ocidentais, garantes do Tratado de Versailles e da Sociedade das Nações.
A ajuda prestada por Berlim e Roma na insurreição contra a II Republica espanhola a partir de Julho de 1936 ampliou a hostilidade entre os governos fascistas e o par anglo-francês.
Em Setembro de 1938, imediatamente após o Anschluss (incorporação da Áustria no Reich) Hitler deu mais um passo para a guerra com a anexação dos Sudetas Checo-eslovacos. Como na Áustria, justificou-se com a elevada percentagem de população alemã.
Londres e Paris cederam mais uma vez pelo Acordo de Munique.
A cedência alimentou, por um lado a audácia de Hitler, que conquistava território sem custos, e por outro o sentimento derrotista nas democracias; perante isto Sir Winston Churchill exclamou “You have chosen dishonor over war. You shall have both”
Uma terceira consequência dessa capitulação, foi a de levar Stalin a pensar que as democracias, atemorizadas perante a Alemanha, entregavam vítimas (Checoslováquia) para apaziguar a fera, e lhe reorientar os apetites para Leste. Temeu que as democracias aceitassem outro Munique à custa do estado Polaco, o que colocava a União Soviética – já fragilizada pela derrota na guerra de Espanha – na primeira linha da ambição alemã. Tratou portanto de firmar um Pacto de não-agressão solicitado por Hitler, que ficava com as mãos livres para atacar a Polónia. Em segredo a Alemanha e a União Soviética acrescentavam a divisão das esferas de influência no Leste, partilhando a Polónia e dando à União Soviética poder sobre os pequenos estados bálticos e Finlândia.

Quando a Whermacht iniciou o ataque à Polónia, Londres e Paris não puderam salvá-la, mas assumiram o compromisso contraído com Varsóvia, declararando guerra ao III Reich.
Segundo testemunhos, Hitler pensava que iriam ceder. Mas tinha também outras razões para avançar: a idade (50 anos) incitava-o a não adiar mais os seus “grandes desígnios”; a economia alemã, fragilizada pela enorme despesa militar, obrigava-o a procurar (pela força se necessário) os recursos que lhe começavam a faltar; e provavelmente também, o salto em frente para a loucura, essa “prova última do Homem”, emocionava e atraía a sua ambicição megalómana.

Sem que percebessemos claramente - era ainda um conflito europeu, localizado - assistiamos ao início de algo com uma dimensão gigantesca: uma segunda guerra planetária.

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15.7.08
 
1940 Adlertag: o dia da àguia
Nestes dias de guerra, a Alemanha a ocidente, a União Soviética no leste, dominam o espírito da Europa. O novo governo fascista da Roménia optou por se juntar, no início de Julho, ao Eixo Roma-Berlim. Do outro lado, a URSS de Stalin anexou os estados bálticos (Estónia, Letónia e Lituânia).
Após longas discussões o almirante Raeder, comandante da marinha alemã, conseguiu convencer Hitler, dos risco tremendo que é atravessar o canal, com navios cheios de tropas, e a não prosseguir com a Operação Seelowe sem primeiro derrotar a RAF, conseguindo a supremacia aérea.
Estes argumentos da marinha, aliados à habitual fanfarronice de Goering - já enganou Hitler em Dunquerque e outras, bem mais graves, se seguirão certamente - levaram à directiva nº 17: destruição da aviação inglesa.

Frente a frente estão 600 caças Hurricane e menos de cem modernos Spitfire ingleses contra as impressionantes frotas aéreas da Luftwaffe: 1.200 bombardeiros Heinkel 111 e Dornier 17, mais de 1.000 caças Me 109 e Me 110.
O mau tempo atrasou a ofensiva aérea até há poucos dias. Mas desde do dia 13 (o dia da àguia), que vagas de bombardeiros e caças alemães se lançam ao ataque sobre as costas do canal e o sudoeste da Grã-Bretanha.
Hoje realizou-se o maior ataque aéreo de sempre sobre a Inglaterra. 1.800 aviões alemães em cinco vagas, sobre uma frente de 500 milhas. Pela parte britânica entraram em combate 22 esquadrilhas. Perdas de 76 aviões alemães contra 34 britânicos.
Recomeçou a guerra, agora pelo ar…

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23.6.08
 
1940 Hitler passeou-se em Paris
Hoje, como um sinal dos tempos que vivemos, um vitorioso Adolf Hitler passeou toda a manhã numa Paris deserta – a maioria da população evacuou a cidade. Este artista falhado, que chegou chanceller do Reich alemão, acalentava o sonho há muito. Fez-se acompanhar pelo seu arquitecto e pelo seu escultor preferidos, Albert Speer e Arno Brecker.
Vieram de madrugada de Compiégne, onde foi assinou o armistício. Apesar do triunfo, o vazio que acompanhou a passeata, parece simbolizar o vazio que irá envolver cada vez mais este homem providencial.
A comitiva automóvel entrou pela Porte de La Villete e seguiram-se as pérolas arquitectónicas da cidade luz do percurso gizado pelos seus artísticos acompanhantes: Opera, Madeleine, Campos Elíseos, Arco do Triunfo, Invallides, Notre Dame e um final magnífico no Sacré-Coeur, do alto da escadaria: Hitler pôde ver uma cidade silenciosa e reluzente sob sol matinal, estendida a seus pés. Speer contou que Hitler, com os olhos a brilhar, lhe dissera terem sido as três horas mais felizes da sua vida.

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22.6.08
 
1940 A França caiu... Armistício

No dia 17 a França tinha pedido um armistício à Alemanha e à Itália.
Hoje, foi assinado o acordo entre os delegados da França e Alemanha.
Daqui a dois dias (dia 24) será assinado com a Itália. As hostilidades cessarão completamente na madrugada de 25. Muitos vêem as condições deste armistício como particularmente duras, mas estão esquecidos, dizem os alemães, das severas condições a que forçaram a Alemanha na mesma carruagem, na floresta de Compiégne, em 1918.

Em cerca e mês e meio de combates, desde 10 de Maio, a França teve 360.000 baixas humanas (90.000 mortos e 270.000 feridos); 1.800 blindados destruídos; 1.200 aviões abatidos (a melhor parte do Armée de l’Air); parte dos navios de guerra fugiu para Inglaterra (2 cruzadores, 10 destroyers e 7 submarinos), mas a maioria da esquadra seguiu para os portos mediterrânicos de Oran e Mers-el-Kibir, às ordens de Vichy.
Acrescentam-se a estas baixas mais 68.000 ingleses (900 aviões perdidos e todo o equipamento pesado do exército); 23.000 belgas; 9.000 holandeses
A Alemanha, no mesmo período, sofreu 138.000 baixas (27.000 mortos e 111.000 feridos); perdeu 1.100 blindados e 1.400 aviões (pesado para a Luftwaffe) a que acrescem cerca de 3.800 baixas italianas; Fizeram 1.900.000 prisioneiros de guerra franceses e 600.000 belgas.
Acabou a batalha de França… mas não a guerra. O discurso de De Gaulle (chefe da França Livre) a partir de Londres, significa que, de agora em diante, há duas qualidades de franceses: vencidos e resistentes. Apesar da derrota, os aliados conseguiram fazer evacuar para Inglaterra cerca de 500.000 homens - 300.000 com o “milagre” de Dunquerque e o resto com a operação Ariel – e tanto a Royal Navy como a Royal Air Force mantêm potencial de combate.
Com toda a probabilidade, será a Inglaterra a batalha que se segue.

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20.6.08
 
1940 A França de joelhos!






Situação militar em completa deterioração em França. Desde a queda de Paris, que a campanha se transformou numa fuga; da costa do canal ao rio Mosa, os exércitos franceses encontram-se em retirada permanente. Nunca se viu nada assim em França…
As triunfantes colunas blindadas alemãs, empurram, por todo o lado, desmoralizadas colunas francesas, que se misturam com refugiados civis. Do ar vêm incessantes ataques da Luftwaffe. Tornou-se impossível formar a nova frente, que o alto comando francês preconizava ao longo do rio Loire.
No Reno, as forças do general Dollman, com cobertura dos Stuka, romperam a linha Maginot, primeiro a sul de Saarbruecken, em seguida na zona de Colmar. Em simultâneo, partindo do Aisne, os panzer de Guderian, depois de tomarem Dijon, inflectiram para sudeste, alcançando Besançon e Pontalier. Em resultado destas acções combinadas, o II exército francês, que guarnecia a linha Maginot, ficou cercado numa enorme bolsa, na Alsácia-Lorena.
No oeste a situação não é melhor. Os alemães ocupam Caen e Chebourg na Mancha ocidental; o mesmo se passa mais a sul com Rennes, Le Mans e Nevers. Na desgraça geral, o primeiro-ministro Reynaud demitiu-se perante a recusa do conselho de ministros (Bordéus) em aceitar uma oferta de Churchill, para selar a união com o Reino Unido.O velho marechal Pétain, novo primeiro ministro, fala em rendição; consta mesmo que já foi pedido à Alemanha um armistício.

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14.6.08
 
1940 o espectro da derrota

Mr. President: I thank you for having published in America the message I sent you on June 10. I told you then that for six days and six nights our troops had been fighting without an hour of respite, and at one against three, with war material five times less powerful.
Four days of bloody fighting have gone by since then. Our army is now cut into several parts. Our divisions are decimated. Generals are commanding battalions. The Reichswehr has just entered Paris. We are going to attempt to withdraw our exhausted forces in order to fight new battles. It is doubtful, since they are at grips with an enemy which is constantly throwing in fresh troops, that this can be accomplished.
At the most tragic hour of its history France must choose.Will she continue to sacrifice her youth into a hopeless struggle ?
(...)
The only chance of saving the French nation, vanguard of democracies, and through her to save England, by whose side France could then remain with her powerful navy, is to throw into the balance, this very day the weight of American power. It is the only chance also of keeping Hitler, after he has destroyed France, and then England from attacking America thus renewing the fight of the Horatii against the three Curiatii.
I know that the declaration of war does not depend on you alone. But I must tell you at this hour, so grave in our history as in yours, that if you cannot give to France in the hours to come the certainty that the United States will come into the war within a very short time, the fate of the world will change. Then you will see France go under like a drowning man and disappear after having cast a last look towards the land of liberty from which she awaited salvation.


Telegrama do primeiro ministro francês, Paul Reynaud, ao presidente Franklin Roosevelt, hoje

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10.6.08
 
1940 Fall Rot
Desde o dia seguinte à queda de Dunquerque (5 de Junho) que está em curso o plano vermelho (Fall Rot) da Whermacht: a segunda parte do ataque à França. Para sul e sudoeste, apartir de Amiens em direcção a Rouen, apartir de Soissons em direcção a Paris, os panzer estão de novo em marcha.
Hoje, a França já ferida de morte, levou uma facada pelas costas: a Itália declarou-lhe guerra, e ataca pelo sul o exército francês dos Alpes.

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5.6.08
 
1940 Dunquerque caíu!


Winston Churchill pronunciou ontem, no parlamento britânico, um discurso que vai ficar para a História: we shall defend our Island, whatever the cost may be, we shall fight on the beaches, we shall fight on the landing grounds, we shall fight in the fields and in the streets, we shall fight in the hills; we shall never surrender

Acabou a luta em Dunquerque, com a rendição do I exército francês.
Desde o dia 26 de Maio, que estava em curso a operação Dynamo, inicialmente prevista para evacuar 40.000 homens. Dessa data até ontem, foi um incessante e louco vai e vem debaixo do fogo da Luftwaffe, apesar do empenho da Royal Air Force. Uma estranha flotilha de cerca de 900 embarcações de todo o tipo – desde barcos de guerra a pequenos barcos de recreio – retirou de solo Francês, 340.000 soldados, entre os quais 140.000 franceses.

Em quase duas semanas de combate morreram cerca de 30.000 aliados e 10.000 alemães. Às perdas humanas juntam-se cerca de uma centena de aviões abatidos para cada lado, mais seis destroyers ingleses e três franceses afundados.
Apesar da derrota, a Inglaterra salvou o seu exército.
Mas teve perdas maciças de equipamento – 60.000 veículos e 2.000 canhões ficaram nos areais de Dunquerque – que serão muito difíceis de colmatar.

As forças francesas do general Blanchard que cobriram heroicamente a retirada, e sem saída, os últimos 35.000 renderam-se hoje às forças alemãs de Von Rundstedt.
Numa situação desastrosa, findou a primeira parte da batalha pela França.

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1.6.08
 
1940 Dunquerque: a batalha dura há uma semana


O inimigo atacava por todo o lado, com grande força e violência. O grosso da sua potencia e a mais numerosa das suas forças aéreas foi lançada sobre Dunquerque e as suas praias. Exercendo grande pressão sobre as estreitas saídas, tanto do leste como do oeste, o inimigo começou a bombardear as praias, os únicos lugares por onde os barcos podiam levar a cabo as operações de ida e vinda.

Semearam o canal e os mares de minas magnéticas; lançaram a aviação em ondas repetidas, ás vezes com mais de uma centena de aviões em cada formação, para cobrir de bombas o único cais que restava e as dunas que os soldados tinham escolhido como único lugar de refugio. Submarinos e lanchas rápidas fustigaram o tráfego marítimo aliado.

Durante quatro ou cinco dias a luta foi tremenda e intensa. Todas as divisões blindadas, juntamente com grandes formações de artilharia e infantaria, lançavam-se em vão contra a faixa, cada vez mais estreita, cada vez mais contraída, na qual continuavam a lutar os exércitos inglês e francês.

Winston Churchill Memories, vol II

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28.5.08
 
1940 A Bélgica capitulou
Fim de Maio; a batalha do norte está praticamente perdida. Hoje o rei e o exército belga capitularam. Em Dunquerque, o exército britânico começa o reembarque (Operation Dynamo). O que resta do I exército francês tenta fazer outro tanto; mas será uma retirada forçosamente desastrosa.

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26.5.08
 
1940 Fechou-se no norte

Hoje a Wehrmacht fechou o cerco às forças aliadas na Bélgica e norte de França. Os ingleses recuaram para Dunquerque e o comando britânico pôs em acção a operação Dynamo, previamente planeada para evacuação do seu corpo expedicionário (BEF).
Na confusão geral e duas semanas depois do inicio do ataque alemão, conseguimos ver a manobra militar de uma forma mais clara. Esperando o principal ataque através dos países baixos,na miragem de uma repetição do plano Schliefen (I grande guerra) a aliança franco-britânica avançou para norte, confiante na defesa sobre a linha Maginot a sul.
Mas o grosso do ataque alemão veio pelo centro, por Sédan, com unidades blindadas compactas (divisões Panzer) e apoiadas pela aviação de ataque ao solo (Stukas). Impossíveis de travar pelos contra-ataques aliados (Montcornet e Arras) os blindados alemães viraram para norte, em direcção ao canal, chegando a Calais que está neste momento cercada (imagem acima). O poder de choque e a rapidez dos alemães, encurralaram cerca de meio milhão de soldados franceses, ingleses e belgas, na armadilha para onde se tinham lançado duas semanas antes.
Separados do resto da França, com roturas de mantimentos e de munições, na desproporção de dois para um, a defesa dos aliados em torno de Dunquerque, onde montaram o posto de comando, é agora uma luta de vida ou de morte. Tentarão ganhar tempo que permita a evacuação por mar, mas metade dos exércitos aliados estão agora em risco de aniquilação.

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22.5.08
 
1940 Rommel chegou ao canal... A França precisa de um milagre











Após a penetração apartir de Sédan, os panzer em vez de seguirem directamente para Paris, dirigiram-se para Abeville e rumaram a norte. Rommel já está em Calais, na Mancha. Como se temia, o exército aliado ficou separado em duas partes, estando encurraladas na grande bolsa do norte, as melhores forças francesas e o corpo expedicionário inglês (BEF). O general Weygand, que substituiu Gamelin no comando supremo aliado, tentou ontem montar um contra-ataque (setas brancas), com o BEF e os seus Matilda pressionando pelo norte (Arras), e o VII exército francês com restos da 4ª divisão blindada de De Gaulle, pelo sul, apartir do Somme.
Tarde demais, a infantaria alemã já reforçou as posições conquistadas pelo avanço rápido dos panzer. Foi impossível quebrar o eixo de ataque alemão.
A situação dos exércitos aliados, divididos, sem mobilidade, nem apoio aéreo, está-se a tornar desesperada dia após dia.

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20.5.08
 
Le colonel Charles de Gaulle, commandant de la 4e division cuirassée de réserve
Que resultados não teria obtido, durante estes ultimos dias de Maio, um corpo de elite blindado, de que, aliás, já existiam numerosos elementos ainda que desmotivados e dispersos, em vez de uma pobre divisão frágil, incompleta, improvisada e isolada?

Se o Estado tivesse feito o que devia fazer; Se quando ainda estava a tempo, tivesse orientado o seu sistema militar para a acção e não para a passividade; Se, consequentemente, os nossos chefes tivessem disposto do instrumento de choque e de manobra que com frequência se tinha proposto ao poder e ao comando; então, os nossos exércitos teriam tido a sua oportunidade e a França teria reencontrado a sua alma.

Charles de Gaulle, Memoires de guerre, vol I

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17.5.08
 
1940 Franceses falham contra-ataque em Montcornet
Perante o avanço de Guderian, cujos panzer ultrapassam Sédan, o coronel De Gaulle conseguiu convencer o estado-maior aliado, a dar uma oportunidade às suas unidades blindadas (equipadas com os pesados Char B). Esta tarde em Montcornet (antes de St Quentin no canal Sambre-Oise), os tanques franceses numa batalha furiosa, quase conseguiram vencer as colunas de tanques alemãs… até a Luftwaffe intervir, dispersando os franceses que perderam grande parte dos carros de combate. A supremacia aérea alemã começa a ser tão determinante, como a rapidez dos seus tanques.

O primeiro-ministro francês Daladier cedeu o seu lugar a Paul Reynaud após a catástrofe de Sédan. Churchill chegou também esta tarde para uma conferência com Reynaud e o comandante francês Gamelin.

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14.5.08
 
1940 Rotterdam em chamas, a Holanda rendeu-se!

Após os paraquedistas alemães de Student, terem tomado a “inexpugnável” fortaleza belga de Eben-Emael, que protegia o canal Albert, o exército holandês retirou-se para a área de Amsterdam e Rotterdam (tracejado no mapa)

A rainha Guilhermina, com a família real e o governo, fugiram para Londres,onde formaram um governo no exílio.

Lançado um ultimatum, mas antes deste expirar, a Luftwaffe fustigou brutalmente Rotterdam.

Perante o bombardeamento de civis, o comandante do exército holandês, general Winkelmans, deu ordem de rendição que entrou em vigor às 11:00H locais. Arthur Seyss-Inquart será nomeado comissário do Reich, apoiado por Mussert, o Fuhrer dos nazis holandeses.
Actualmente, só as tropas holandesas da Zelândia continuam ainda a bater-se.

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12.5.08
 
1940 Os alemães estão em Sédan!
Os aliados franco-britânicos previam uma repetição do Plano Schliefen de 1914 (ataque pelo norte, Holanda e Bélgica), mas não o avanço pelas Ardenas, teoricamente inultrapassável segundo o marechal Pétain. O general Gamelin, comandante das forças aliadas, foi hoje surpreendido pelo avanço dos panzer de Guderian (na imagem) que atravessando a floresta das Ardenas, alcançaram o rio Mosa na zona de Sédan, cortando as forças aliadas em dois (Plano Manstein). O segundo exército francês no Sul, foi separado do primeiro que, com a British Expeditionary Force (BEF) se internou na Bélgica para travar o ataque alemão pelo Norte. A situação é grave para as forças aliadas do Norte, que correm o risco de corte de abastecimentos e até de ficarem cercadas. Para mais, Paris fica à mercê do avanço alemão.

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11.5.08
 
1940 A Europa de novo em guerra


Desde de Setembro de 1939 que a Alemanha, e a França apoiada pela Inglaterra, se olham de frente sem fazerem praticamente nada.

Cerca de 135 divisões em cada lado (2.350.000 alemães frente a 2.860.000 aliados franco-britânicos, belgas e holandeses), apoiados por carros de combate (2.700 alemães frente a 3.000 aliados) e aviões (3.200 alemães face a 1.700 aliados).

Os aliados, particularmente os franceses, bebendo na teoria estratégica de generais da I guerra mundial, como Pétain, apostaram em posições estáticas, defensivas, cujo ícone era a famosa Linha Maginot; pelo contrário, os alemães apostaram nos movimentos rápidos e profundos dos panzer, conjugados com a aviação de ataque ao solo, verdadeira artilharia aérea, que abrem caminho à infantaria; ainda por cima, tudo isto (Blitz Krieg) foi experimentado em acção real na Polónia, seis meses antes.

Os tanques alemães, combinando poder de fogo, com elevada velocidade, organizam-se em unidades independentes (divisões panzer), ao contrário dos aliados que, embora em maior número, têm blindados dispersos pelas unidades de infantaria (não acreditam no movimento rápido); este facto conjugado com a vantagem aérea virá a ser decisivo na batalha da França.

Durante estes últimos seis meses, vivemos um clima de tensão e angústia, de quando em quando, alimentado pela notícia de algum afundamento pelos submarinos alemães, como o porta-aviões britânico Courageous nas costas da Irlanda. Mas aparte a fraca tentativa de penetração francesa, durante a invasão da Polónia no ano passado, a inacção reinou no continente europeu.
Claro que houve a guerra do Inverno, a tentativa russa de fazer à Finlândia o mesmo que os seus “aliados” alemães fizeram à Polónia, mais uma vez perante a impotência anglo-francesa. Entre Novembro e Abril, os massivos exércitos de Stalin sangraram - mais de 200.000 mortos contra cerca de 20.000 finlandeses - frente á determinação finlandesa. Stalin moderou-se, mas a Finlândia foi obrigada a ceder o istmo e parte da Carélia Oriental, bem como a passagem de Petsamo.

Contudo,apesar do negrume dos fados – o Reich, a França e a Inglaterra mantêm-se em estado de guerra - esperava que as relações internacionais acalmassem; houve pedidos, entre eles o de Roosevelt e o do Papa, para se voltar à Paz.
Mas o fantasma de 1914 não nos larga. Em Abril deste ano a Alemanha – com o abastecimento de ferro sueco, ameaçado pelo bloqueio naval britânico - invadiu, sem aviso, a Dinamarca e a Noruega (Weserubung) e os aliados desembarcaram também forças no norte do país. Os dois lados confrontam-se e em sucessivas batalhas aero-navais foram afundados mais de uma dezena de navios alemães.
A falta de iniciativas guerreiras no continente, alimentava-me, no entanto, a esperança de, apesar do impasse, o tempo consolidar um qualquer status quo; chamou-se a isto, em França, uma “drôle de guerre”, em Inglaterra, a “phoney war” ou na Alemanha “Sitzkrieg”.
Ontem tudo mudou... os bárbaros voltaram. Deus nos ajude!

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10.5.08
 
1940 Fall Gelb
Os paraquedistas já saltaram e estão nas posições, aguardando o avanço dos panzer.
Um oficial alemão consulta o relógio.
Na sua retaguarda, o dia começa a raiar,quando diz: Die strasse ist frei!

Às 5:30H em ponto, é lançado o assalto, e a longa coluna põe-se em marcha pelas estradas que atravessam os canais.

Sob o código Fall Gelb (Plano amarelo) as forças armadas do Reich penetram na Holanda, na Bélgica e no Luxemburgo. Acabou-se a brincadeira (drôle de guerre) e a Segunda Grande Guerra,verdadeiramente, começa...

Às 7:30H as tropas franco-britãnicas entram também na Bélgica e Holanda (Plano Dyle-Breda) para bloquear o avanço alemão.
Os aliados retiraram-se já da Noruega; em Londres, Chamberlain demitiu-se, e Winston Churchill formou um governo de coligação.

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7.10.07
 
1939 Discurso de Hitler no Reichstag


Ontem, o Chanceler Adolf Hitler fez o primeiro discurso após a agressão alemã à Polónia. Aqueles que esperavam dele um gesto dramático, anunciando a sua demissão ao Reichstag, enganaram-se. Não só não se demitiu como ainda sugeriu a demissão dos senhores Chamberlain e Daladier.
Do discurso retirámos os seguintes excertos em tradução livre:

Foi numa hora fatídica, no primeiro de Setembro deste ano, que vos encontrastes aqui como representantes do povo alemão.(…)
Desde então cinco semanas passaram.
O resultado da guerra foi a aniquilação de todos os exércitos polacos, seguida pela dissolução do estado polaco. Seiscentos e noventa e quatro mil prisioneiros de guerra estão em marcha para Berlim.(…)

Como já referi, uma das metas do governo do Reich é a clarificação das relações entre nós e os nossos vizinhos. Permitam que vos chame a atenção para alguns factos que não podem ser refutados pelos escritos mentirosos do jornalismo internacional.

  1. A Alemanha concluiu pactos de não-agressão com os estados bálticos. Os seus interesses ali são de natureza meramente económica.
  2. No passado a Alemanha nunca teve conflitos de interesses ou contenciosos com os estados do Norte nem os tem actualmente.
  3. A Alemanha não tomou qualquer iniciativa em relação ao território alemão entregue à Dinamarca sob os termos do Tratado de Versailles; pelo contrário, estabeleceu relações amigáveis com a Dinamarca.
  4. Holanda: o novo Reich deseja prosseguir a tradicional amizade com a Holanda; não levantou nenhumas divergências entre os dois estados nem criou novas.
  5. Bélgica: logo após eu ter recebido o governo tentei estabelecer relações amigáveis com a Bélgica. Renunciei a qualquer revisão ou desejo de revisão. O Reich não levantou nenhuma queixa que pudesse de alguma forma ser vista como uma ameaça à Bélgica.
  6. Suíça: A Alemanha adoptou a mesma atitude para com a Suíça. O governo do Reich nunca deu a mais pequena razão para se duvidar do seu desejo de estabelecer laços de amizade com o país.
  7. Imediatamente após o Anschluss (com a Áustria) se ter tornado num facto, informei a Jugoslávia de que a fronteira comum seria considerada inalterável pela Alemanha e de que apenas desejávamos viver em paz com esse país.
  8. O laço que nos une à Hungria é antigo e tradicional, de amizade sincera e. Deste modo as nossas fronteiras são inalteráveis.
  9. A Eslováquia apelou á Alemanha por sua vontade para assistência relativa à sua instituição como estado. A sua independência é reconhecida e inviolável pelo Reich. (…)

Finalmente, também tentei trazer as relações entre o Reich e a União Soviética para a normalidade e no fim, para uma base amistosa. Graças a uma visão semelhante da parte do senhor Stalin essa aspiração foi agora realizada. Agora que essas relações estáveis e amistosas foram estabelecidas, o efeito será uma bênção para ambas as nações.(…)

Porque tem que ser travada esta guerra no Oeste?
Pela restauração da Polónia?
A Polónia do Tratado de Versailles nunca mais se levantará. Isto é garantido por dois dos maiores estados do mundo(…)

Que outra razão existe?
Terá a Alemanha alguma exigência em relação à Inglaterra que possa ameaçar o Império Britânico ou pôr em risco a sua existência?
Pelo contrário, a Alemanha não fez quaisquer exigências nem à França nem à Inglaterra. (…)

Não acredito que haja algum homem de estado responsável na Europa que no seu coração não queira a prosperidade para o seu povo.
Mas tal desejo apenas pode ser realizado se todas as nações que habitam este continente decidirem trabalhar juntas. (…)

Para alcançar essa grande meta, as principais nações deste continente terão de se encontrar um dia para estabelecer, aceitar e garantir um estatuto numa base abrangente que garanta a todos uma sensação de segurança e calma, em resumo de paz. (…)

Mr Churchill e os seus companheiros poderão interpretar estas minhas opiniões como fraqueza ou cobardia se quiserem. Eu não tenho que me ocupar com aquilo que eles pensam; Eu faço estas declarações simplesmente porque é desnecessário dizer que desejo poupar o meu povo desse sofrimento. Se, contudo, as opiniões de Mr. Churchill e sequazes prevalecer, estas declarações terão sido as minhas últimas. Então lutaremos. (…) Nunca mais haverá outro Novembro de 1918 na História Alemã. (…) O destino decidirá quem tem razão.

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28.9.07
 
1939: Varsóvia rendeu-se ontem


"Eu queria Varsóvia grande.
Tanto eu como os meus colegas, estávamos a planear uma grande Varsóvia do futuro.
E Varsóvia é grande. Aconteceu mais cedo do que pensávamos.
E embora onde queriamos parques estejam barricadas, embora as nossas bibliotecas estejam a arder, embora os nossos hospitais estejam a arder, a cidade de Varsóvia, defendendo a honra da Polónia, está hoje no ponto mais alto da sua grandeza"
Última emissão de rádio pelo presidente da Câmara de Varsóvia, Stefan Starzynski em 27 de Setembro de 1939

Chegam-nos notícias da capital polaca, cercada desde dia 17.
Ontem ao meio dia foi assinado um cessar fogo entre o general Walerian Czuma da Armia Warszawa e o general Johannes Blaskowitz da Wehrmacht.
Varsóvia rendeu-se.
A situação militar nem era desesperada em termos militares, todos os ataques alemães têm sido neutralizados. Mesmo com a pressão de nove divisões alemãs e do bombardeamento maciço, contínuo, por terra e ar, os soldados polacos podiam ter aguentado, eventualmente, mais um mês - apesar da propaganda alemã ter dado a cidade como capturada várias vezes.
Mas a situação da população civil (mais de um milhão de almas) estava a tornar-se trágica, sem àgua nem medicamentos.
E sem esperança de ajuda aliada, após a invasão soviética pelo Leste, o esforço tornara-se vão.




A Wehrmacht ocupará a cidade só amanhã, mas os prisioneiros de guerra - mais de 100.000- começaram já a ser evacuados.
Entre os militares polacos fala-se em 6.000 mortos e 16.000 feridos, mais 25.000 mortos e 50.000 feridos entre a população civil da cidade arrasada.
Modlin e Hell ainda estão a lutar, mas a Polónia acabou.

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