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La force des choses
6.10.09
 
Uma cobrança ao Doutor Polido
Relendo deparei, muito a propósito, com esta velha profecia de Vasco Pulido Valente (30 XII 2006 Público): O presidente e o primeiro-ministro ganham ou caem juntos.
Afirmava o ilustre escriba: “Durante a campanha eleitoral o Dr. Cavaco insistiu muito na cooperação estratégica com o governo. (…) A cooperação estratégica é hoje (2006) pura dependência. O fracasso de um acabou por se tornar necessariamente o fracasso do outro. (…) Ninguém compreenderá que ele tenha sustentado e reforçado a autoridade de Sócrates para deixar o país como o encontrou, empobrecido e torto, na famosa cauda da Europa.”

Escrevi eu, modestamente, na altura:
“Este marranço anti-cavacal vem já da campanha presidencial, onde VPV elegeu o Soares, zurziu o Cavaco e ignorou o Alegre.
Não lhe ocorreu (como diz) que será o primeiro-ministro, não o presidente, quem será responsabilizado (...) independentemente de quaisquer promessas feitas por Cavaco em campanha; a memória é curta e a função presidencial é de árbitro, não de jogador.
Não lhe ocorre também, agora, que é Sócrates quem se está a tornar dependente do presidente, por aceitar (elogiando) propostas e interferências sub-reptícias em domínios exclusivos do executivo, que agora vão no sentido do reforço (estratégia do momento) mas amanhã, com a legitimidade aberta pelos precedentes de hoje, lhe poderão tirar o tapete.
A ninguém (excepto ao VPV) interessará que Cavaco tenha sustentado Sócrates;
O presidente e o primeiro-ministro não ganham nem caem juntos; quando surgir (se surgir) o momento da desgraça de Sócrates, os portugueses voltar-se-ão para o presidente com a mesma carência sebastianista com que se viraram para Sócrates.”

Acrescentava eu, modestamente também, no final…
“Aquilo que vejo de perigoso em Cavaco, é que sendo um político competente, hábil e ambicioso, aproveitará a primeira oportunidade, que julgue de fraqueza irreversível, no governo PS, para de alguma forma, levar a eleições e ao poder, um PSD então muito mais cavaquista; de caminho voltando ao leme da Nação (no seu íntimo e no de muitos, a sua vocação). É por isso que apreciei a imparcialidade relativa de Jorge Sampaio e preferia muito a imparcialidade que Manuel Alegre garantiria.”

Pois é, parece que o Dr. Vasco se enganou desta vez. Afinal, no termo da legislatura, Cavaco espalhou-se ao comprido, colocando em risco a sua própria reeleição, mas Sócrates não caiu, ainda está para durar e tomar posse de outro governo. E prescindo de pormenores explicativos, porque o Dr. Vasco quando corta a direito, está-se nas tintas para pormenores.

Apesar do "momento da desgraça" não ter chegado para Sócrates, mesmo assim Cavaco (ao que parece) tentou mesmo passar uma rasteira a Sócrates, na esteira da "asfixia democrática". Talvez esteja é a ficar velho, porque o impulso com que tentou, foi o mesmo com que se espalhou... arrastando a Dra. Manuela na queda.
Serve-me esta constatação, Dr. Vasco, não para lhe ganhar uns rebuçados, seja como for considero-o um mestre (sem ironia, se bem que às vezes sinta vontade de lhe oferecer um pano encharcado), mas para fazer sentir que o amigo também se espalha muito apocalipticamente nas suas certezas do Apocalipse. Significando assim que talvez (apenas talvez) o fim da Civilização não esteja tão próximo, como costuma fazer crer.

Bem haja!

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5.10.09
 
Uma análise relevante à esquerda
A vitória do PS nas legislativas tem sido menorizada por quase todos os quadrantes políticos num estilo assim: o partido que ganhou foi o que mais perdeu.
Sócrates, no entanto, classificou a vitória como “extraordinária”. E de facto, talvez o seja. Senão veja-se esta análise, que nas Cartas ao director do Público 4-10-09, é assinada pelo leitor José Geraldes de Alhandra:

Segundo os partidos de esquerda afirmaram durante quatro anos e meio de legislatura, o PS governou com politicas de direita.
Parece-me não haver qualquer dúvida de que, ao longo da legislatura, se foi notando que cada vez mais eleitores que haviam votado PS já não iriam repetir esse voto. E isso confirmou-se em 27 de Setembro. O PS teve menos 505 mil votos. Para onde foram estes votos? 115 mil para a abstenção; 207 mil para a esquerda (PCP/BE) e 177 mil para a direita (CDS).
Ora os partidos de esquerda não podem andar a afirmar, durante quatro anos e meio, que o PS governou à direita e agora somarem os seus votos com os do PS para dizerem que a esquerda é maioritária.
Nada legitima este raciocínio, tanto mais que o líder do PS continua o mesmo. O que me parece legitimo concluir dos resultados desta eleições, face ao exposto, é que 36,5% dos eleitores concordaram com a politica de direita que o PS praticou, por isso votaram novamente neste partido, e que, portanto, estes votos se podem somar aos do PSD e aos do CDS para se saber qual é o sentido do voto.

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Queira desculpar senhor presidente, fica a suspeita…
Logo após a infeliz comunicação do Presidente da Republica ao país neste final de Setembro, gerou-se o consenso geral (que acompanhei) de que tinha sido dito… nada. Na realidade, a inabilidade da comunicação, terá sido imediatamente aproveitada pelos que nunca gostaram dele (nos quais me incluo) para lhe cair em cima. Mas apesar de tudo, já no momento da comunicação se percebeu muito bem que algo fora dito:
- Foi dito que o P.R. considerava o aparecimento de notícias sobre escutas à Presidência e da participação de membros da sua casa civil na elaboração do programa do PSD como manipulações politicas tentando dois objectivos:
a) Puxar o Presidente para a luta partidária, encostando-o ao PSD
b) Desviar as atenções dos cidadãos.

- Foi dito que a posterior exigência de desmentidos ao P.R, feita por destacadas personalidades do PS, é considerada por este como um ultimato dirigido por esse partido à Presidência.

- Foi dito, finalmente, que o P.R. considera que essas declarações ultrapassam o tolerável e decente, e por isso classificadas de muito graves.

Como a maior parte dos cidadãos, não percebi grande coisa, mas isto percebi logo: o P.R. atacou directamente o partido do governo (nunca diz o governo, note-se, e a distinção institucional é importante, porque o governo responde politicamente perante o P.R, o partido não) afirmando que não se deixa manipular, argumento que deu para o silêncio durante a campanha eleitoral (e não vale a pena insistir nas autárquicas, que são de outro domínio). E dou-lhe toda a razão; se era para fazer um tal ataque ao PS, é óbvio que fez muito bem em esperar.
Como a maior parte dos cidadãos, não percebi grande coisa, e reagi a quente. Obriguei-me agora a ler a dita mensagem com a atenção devida (publicada na íntegra na imprensa do dia seguinte). Declarando já a falta de empatia que tenho com a personalidade e o estilo do P.R., quero igualmente declarar o meu respeito pela instituição, e para ser justo tenho que recolocar as coisas no seu lugar.
De facto, na minha arenga anti-Silva, fiz três constatações (de resto, na companhia da voz geral) que afinal estavam erradas, a saber:
1. Que o P.R. não explicara o afastamento do assessor Fernando Lima
2. Que o P.R. não apresentara provas fundamentando a tese da espionagem à Presidência da Republica.
3. Que o P.R. não explicara a existência do famoso e-mail do Publico, trocado entre jornalistas.

Talvez seja tarde mas corrijo agora esses erros, porque na realidade explicou:
1. O P.R. disse explicitamente que "procedeu a alterações na Casa Civil para tirar a dúvida" de que alguém tenha sido autorizado a falar em seu nome (dúvida que se instalara com a publicação do e-mail); aí a razão do afastamento de Fernando Lima: mostrar que não falou pelo P.R.
2. Ao afastar a fonte das notícias sobre escutas, o P.R. afirma também que nunca fez referencia às mesmas, e com isso esvazia o assunto; O P.R. nunca falou em escutas e ninguém o pode fazer por ele.
3. Quanto ao famoso e-mail, que torna claro ter sido Fernando Lima a fonte das notícias, e que refere uma desconfiança particular sobre um assessor do Primeiro-ministro, na visita presidencial à Madeira, aqui o P.R. não nega o documento. Apesar de colocar dúvidas na veracidade do conteúdo (devia explicar quais e porquê), e liga a extemporaneidade do seu aparecimento (um e-mail com mais de um ano) à sua tese de manipulação politica.

É nesta ultima questão, que me parece haver fragilidade (as outras são claras) porque, se o P.R. reconhece Fernando Lima como o autor de injustificadas noticias sobre escutas, ainda por cima, abusivamente em seu nome, então… devia julgá-lo com a mesma gravidade com que julga o "ultimato do partido do governo". E não só não o faz, como o desculpa.
É esta contradição que o trama, pois não se livra da grave suspeita de ligação à plantação de notícias (não esqueçamos que tudo começa com as tais notícias sobre escutas, apontadas à Presidência), sabendo nós que Fernando Lima é um colaborador próximo, antigo, um indefectível do presidente que dificilmente tomaria uma atitude tão grave sem o seu conhecimento. É aqui, mas aqui só, penso eu, que reside o pecado de Cavaco Silva, e não na eventual desconfiança – se bem que entre órgãos constitucionais, o caso não seja tão inócuo como quererá fazer crer – nem em eventuais ajudas dos seus assessores ao PSD. Depois, para rematar a desgraça, Cavaco espalhou-se completamente na comunicação; um texto já si com alguma dispersão, foi lido de forma miseravelmente confusa, indesculpável para um político experiente.
Lamento muito, mas creio que foi eleito para unir e moderar, não para fazer de actor político, ainda por cima de segunda categoria.

Apesar disto, não alinho no tom geral de condenação a Cavaco, primeiro porque não considero o PS composto por meninos de coro, segundo porque julgo a imprensa envolvida com especiais culpas no cartório. Tanto o Público, como o DN (e aqui ficou por desvendar uma fonte, de que ninguém fala) deram notícias (diz quem é jornalista) sem as regras técnicas e deontológicas mínimas, como cruzamento de fontes ou audição do contraditório (o Público poderia ter inquirido a presidência, por exemplo) preferindo-se ser instrumento, num caso da Presidência, no outro do partido do governo. Tanto se queixam das interferências do poder e depois prestam serviços. Ao menos ficámos a saber que no Expresso existe decência…

E aproveito agora para expressar uma critica antiga, que faço a um certo entendimento do semi-presidencialismo português. Constitucionalmente o P.R. não é um simples guardião da Constituição, se bem que essa é para mim uma função essencial; também não é governo, nem tem funções autónomas que lhe permitam uma actuação em termos de um regime presidencialista. Só em determinadas circunstâncias, de crise politica, pode funcionar (e aí deve) como uma válvula de segurança, usando os poderes que tem – nomear o Governo e demiti-lo – para influenciar as escolhas politicas. Em particular numa ausência de uma maioria absoluta, o poder do P.R. é decisivo na formação de uma coligação governamental, de entre as parlamentarmente possíveis.
Tirando esses períodos críticos, o papel constitucional do P.R. é só de representação, de fiscalização do governo, de arbitragem institucional e de garantia do regular funcionamento das instituições.
Por isso, o P.R. não pode entrar no jogo político dos partidos, tem de permanecer acima deles, como uma reserva da Republica, para actuar nos tempos de formação ou queda dos governos.
Por isso, nunca concordei com ideias de "magistratura de influência" (Soares) ou de "cooperação estratégica" (Cavaco). Na minha opinião o P.R. deve (tem que) manter apenas uma cooperação institucional (é o que espero de Cavaco) e nunca se imiscuir no domínio da governação, aprovando ou desaprovando. Não é a rainha de Inglaterra, mas também não é o General De Gaulle. Os socialistas gostaram de andar com ele aos beijos na boca; pois têm agora o reverso da medalha… salvo melhor opinião, claro.

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28.9.09
 
Do meu pai

O abraço do meu pai à minha mãe. Acaba de vencer no circuito do Lordelo (Porto), estava-se em 1962

A verdade é que, quando folheio revistas de carros clássicos fico sempre na expectativa de ler referencias ao meu pai; e quando encontro, confesso que sinto um misto de vaidade e saudade. Aconteceu agora na Topos e Clássicos de Setembro, num artigo José Mota Freitas sobre os Mini de competição em Portugal. A dada altura, li estas carinhosas palavras que me provocaram o tal sentimento de filho:
"Na 30ª posição aparece um Senhor do automobilismo nacional, infelizmente já desaparecido, mas que aliava excelentes dotes de piloto à preparação de automóveis na sua oficina Auto-Galáxia e também à prática do jornalismo, já que foi durante muitos anos colaborador especializado do jornal Motor. Segundo diz quem bem o conheceu e o viu correr, José Batista dos Santos era um bom condutor e melhor preparador ainda, programava as corridas muito a sério, a preparação dos carros, os treinos, tudo. Tinha um feitio um pouco ditatorial e não era muito amado pelos adversários. Teve Minis desde o 850 ao Cooper S, que veio numa altura em que se tornou garagista, talvez por isso nunca rodou nos Mini como nos Alfas e possivelmente pelo facto de a idade começar a contar, não era fácil sair de carros maiores para os Mini que disparavam bem mas exigiam uma condução diferente…"
Comoveu-me a menção, que agradeço ao José Mota Freitas, propondo-me ao prazer de as comentar.
Primeiro, temos que corrigir a foto apresentada na revista, que é do saudoso Jorge Passanha (nº 40), antes de partir, no I Circuito de Montes Claros em Setembro de 1962; anexo ao lado foto do meu pai com o Mini nº 31 (BA-28-26).



A primeira prova dele, de que tenho noticia, é o Rally de S. Martinho em 1954, com um Morris Minor 1000. Tinha 28 anos. Seguem-se uns anos correndo com Fiat 1100, e em 1959 adquire um Alfa Romeo Giulietta 1300, aumentando a participação em provas, 10 durante esse ano. Em 1961 foi campeão nacional de turismo e, em 1962 campeão nacional absoluto (com 36 anos de idade, note-se) sempre em Alfa Romeo. É neste ano, já campeão em título e ainda correndo com um Alfa, que aparecem as primeiras participações com um Mini (BA-28-26).
Em 1963, defendendo o título, conseguiu a sua última vitória absoluta, no I Circuito de Cascais (Alfa Romeo), um final empolgante com a estrela ascendente, Manuel Lopes Gião, já num pequeno Cooper S (a que, míudo, assisti); mas mais tarde foi desclassificado, creio que por utilização de combustível ilegal (a vitória acabaria atribuída ao Gião). Esta desclassificação, e talvez uma outra na Volta a Portugal, por motivos diversos, julgo que causaram uma quebra na carreira, até aí ascendente. Por outro lado abandonou os Alfas já ultrapassados, e seguindo a moda, converteu-se às novas pequenas bombas, os Mini. Corre com um Cooper 1000 (HD-33-93) e mais tarde adquire em Inglaterra um competitivo Cooper S 1300 (GE-34-13). Com este, alinha em Vila do Conde, em Agosto de 1964. Partiu da primeira linha e pela descrição que li, estava a fazer uma boa corrida, na 3ª posição, quando se despistou na curva da Seca dando uma série de cambalhotas, e destruindo o carro completamente (imagem que anexo, onde se vê o meu pai ao fundo, com a camisa rasgada).


Este carro, novo e preparado, não deve ter sido barato e ficou em puro prejuízo. A família, em particular o meu avô, pressionava-o para parar de gastar dinheiro a arriscar o cabedal. A partir daí reduziu o número de participação em provas, continuando com o antigo Cooper 1000 (HD-33-93). Com esse carro acaba por ter outro acidente, que podia ter sido grave, na Volta a Portugal de 1965, despistando-se e caindo num barranco.
Em 1966, com a separação do Nacional de Condutores em dois campeonatos autónomos, velocidade e rallies – e, julgo que, com o bichinho dos automóveis novamente a roer – adquiriu nas oficinas Palma & Morgado um fórmula V – novidade que a Volkswagen então instituiu em Portugal – e vai buscar a Inglaterra um Hillman IMP GT com o que se propôs fazer velocidade e rallies. Mas penso que já numa perspectiva, algo económica, de correr mais por prazer do que com a ambição de vencer. Creio que é nesta altura que se torna "garagista", investindo na Auto Galáxia em sociedade com um hábil torneiro de peças mecânicas (o famoso Matos) e aí começa também a colaborar regularmente no jornal Motor, dirigido por Filipe Nogueira.
De facto, o meu pai nunca conseguiu, nos anos em que correu com Minis, entre 1964/65, resultados equivalentes aos do tempo dos Alfas. Mas para além da idade e dos acidentes, a verdade é que só em Vila do Conde esteve com um carro verdadeiramente competitivo, o qual se esfumou nesse mesmo dia.
Depois, a passagem ao Hillman IMP, terá sido numa perspectiva de redução da actividade ao puro prazer, aliada ao interesse pela mecânica. Ter-se-á apercebido (assinava revistas inglesas e visitava Brands Hatch) da rivalidade entre os Minis e os IMP (a resposta da Rootes à BMC) nas "saloon car races"; interessado no IMP como alternativa original aos Minis, relacionava-se com o preparador inglês Roger Nathan, e era evidente o gosto que tinha por aquele pequeno motor 1000 cc, avançado para a época (bloco de alumínio, árvore de cames à cabeça e quase 100 cv/litro) derivado da fórmula um. O azar foi a falta de homologação não permitir, em Portugal, correr em Turismo ou Turismo especial, onde corriam os Mini Cooper. Assim, o pequeno IMP passou a maior parte da vida a competir em corridas de Grande Turismo, Desporto e Protótipos, na companhia de Ferraris, Lotus e Porsches!
O IMP correu até 1970, ano em que o Zé Batista, como era conhecido entre os amigos, terminou de vez a carreira, com mais um tremendo prejuízo e uma longa estadia no hospital. Foi no verão desse ano, no IX circuito de Montes Claros com um Lola da nova formula Ford, que quase morreu enfeixado numa árvore (ainda lá vou às vezes) na mesma curva onde o grande Froilan Gonzalez se espetara duas décadas antes. No meu registo era a sua 103ª prova automobilística e completava 44 anos.
No palmarés desportivo do meu pai, fornecido há muitos anos pelo estimado Dr. Augusto Martins, aparecem as seguintes provas em três Minis:

BA-28-26 – Morris Mini Cooper 850?
HD-33-93 – Morris Mini Cooper 1000
GE-34-93 – Morris Mini Cooper 1300
26/12/1962 – II Rally às Serras do Norte (BA-28-26) –
29/12/1962 – I Circuito de Montes Claros (BA-28-26) – 6º
01/06/1963 – II Circuito de Montes Claros (BA-28-26) – 6º
10/06/1963 – XIV Rally S. Pedro de Moel (BA-28-26) – 1º da classe (geral?)
16/02/1964 – Quilómetro de arranque (Alverca) (HD-33-93) – 5º
14/03/1964 – Rally do Académico (HD-33-93) – 2º da classe (class. geral?)
18/04/1964 – Rally Abril em Portugal (SLB) (HD-33-93) –
02/05/1964 – IX Volta ao Minho (HD-33-93) – 2º da classe (class. geral?)
16/05/1964 – XV Rally S. Pedro de Moel (HD-33-93) –
31/05/1964 – V Rampa de Stª Cristina do Couto (HD-33-93) – 4º
25/07/1964 – II Circuito de Cascais (HD-33-93) – 4º
29/08/1964 – IX Circuito de Vila do Conde (GE-34-13) – acidente
28/11/1964 – XV Volta a Portugal (HD-33-93) – desclassificado
28/02/1965 – Rally das Camélias (HD-33-93) –
07/03/1965 – II Rampa de Montejunto (HD-33-93) – 5º
25/07/1965 – III Circuito de Cascais (HD-33-93) – 4º
29/08/1965 – X Circuito de Vila do Conde (HD-33-93) – 8º
28/11/1965 – XVI Volta a Portugal (HD-33-93) – acidente

Quanto ao "feitio um pouco ditatorial", confirmo inteiramente. De facto, ele não dava sossego a ninguém, tinha um carácter irascível, agressivo, e às contrariedades reagia mal. Fui dos que experimentaram em primeira linha esse mau feitio. Mas quanto à afirmação de que "não era muito amado pelos adversários" posso atestar que sabia ser afectuoso e amigo quando simpatizava com alguém, e se alguns houve que se distanciaram, outros tiveram boas e perenes relações. Pude testemunhar, por exemplo, as amizades com Filipe Nogueira, Manuel Gião, Jorge Passanha e César Torres (outro senhor irascível, por sinal); no entanto, terá sido com Rui Martins Silva e Manuel Fernandes, adversários do tempo dos Alfas, que se manteve sempre mais próximo. O único com quem testemunhei uma ruptura de relações foi António Peixinho creio que por causa da reclamação deste, que levaria à desclassificação em Cascais 1963; curiosamente, tendo-o encontrado numa tertúlia de clássicos , ainda este ano, referiu-se ao meu pai de uma forma gentil.
"Programava as corridas muito a sério", parece-me só uma verdade inicial, que se foi atenuando com o tempo. À medida que os anos passaram e a sua actividade profissional se complicou (era construtor civil, além gerir a oficina e escrever para o jornal, com viagens constantes ao estrangeiro) foi-se dispersando e perdendo dedicação às corridas. O último acidente em Montes Claros 1970, sempre me pareceu resultante de uma falha de concentração; aos 44 anos de idade estava cansado, com a vida dispersa por outras preocupações, que já não se compadeciam com o correr por "hobby", em carros tão exigentes como os formula Ford.

Parece-me evidente que o meu pai não consegue integrar o lote de topo da sua época, porque aí, surgem nomes tremendos, como Filipe Nogueira, Nicha Cabral, António Peixinho, Manuel Gião, Carlos Santos, José Lampreia, Ernesto Neves… e não falo só em palmarés, porque vi-os correr, eu vi as diferenças. Como piloto, considero-o, isso sim, um volante acima da média, com um período inicial fulgurante entre 1960/63 – já na casa dos trinta e tal anos – que depois se foi esbatendo e dispersando, ultrapassado por gente mais nova, mais competitiva. Enquanto para ele, os automóveis se transformaram num mero "hobby" que, só a experiência aliada à paixão pelo pormenor técnico, o manteve em pista… embora cada vez com mais acidentes. Mas, somando tudo o que fez pelo automobilismo desportivo, mais do que um corredor de automóveis, ainda é para muitos da década de sessenta, uma referência do jornalismo desportivo - que nos automóveis quase se reduzia ao semanário Motor.
Este escrito expressa, no entanto, apenas e só, a opinião de um filho saudoso... ainda hoje, vou descobrindo muita coisa sobre o meu pai, de cariz reservado, que só uma parte compartilhava comigo.
Carlos Augusto Baptista dos Santos (dedicado a José Mota Freitas)

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15.9.09
 
Espero grandes coisas de todos vocês
A história da América não é a história dos que desistiram quando as coisas se tornaram difíceis. É a das pessoas que continuaram, que insistiram, que se esforçaram mais, que amavam demasiado o seu país para não darem o seu melhor.É a história dos estudantes que há 250 anos estavam onde vocês estão agora e fizeram uma revolução e fundaram este país. É a dos estudantes que estavam onde vocês estão há 75 anos e ultrapassaram uma depressão e ganharam uma guerra mundial, lutaram pelos direitos civis e puseram um homem na Lua. É a dos estudantes que estavam onde vocês estão há 20 anos e fundaram a Google, o Twitter e o Facebook e mudaram a maneira como comunicamos uns com os outros.Por isso hoje quero perguntar-vos qual é o contributo que pretendem fazer. Quais são os problemas que tencionam resolver? Que descobertas pretendem fazer? Quando daqui a 20 ou a 50 ou a 100 anos um presidente vier aqui falar, que vai dizer que vocês fizeram pelo vosso país?As vossas famílias, os vossos professores e eu estamos a fazer tudo o que podemos para assegurar que vocês têm a educação de que precisam para responder a estas perguntas. Estou a trabalhar duramente para equipar as vossas salas de aulas e pagar os vossos livros, o vosso equipamento e os computadores de que vocês precisam para estudar. E por isso espero que trabalhem a sério este ano, que se esforcem o mais possível em tudo o que fizerem. Espero grandes coisas de todos vocês. Não nos desapontem. Não desapontem as vossas famílias e o vosso país. Façam-nos sentir orgulho em vocês. Tenho a certeza que são capazes.
(Do discurso do presidente Obama no início do ano escolar americano)

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7.9.09
 
Brutal!

Hi from Multitouch Barcelona on Vimeo.

“A melhor interface é o homem”, é o que nos propõe o grupo Multitouch-Barcelona, num dos seus trabalhos de apresentação do festival OFFF, intitulado, The Human Interface.O projecto demonstrado no vídeo em cima, exemplifica um elemento da equipa fechado dentro de uma caixa em que completa tarefas digitais de uma forma analógica.Com este projecto, o grupo, pretende fazer uma critica ao interface digital e em especial à utilização demasiada que hoje em dia se dá aos interfaces das redes sociais.É deixada a mensagem : “Cada vez que enviamos um abraço não é humano. O mesmo se passa com o Twitter. Quando twittamos um momento perdemos parte do prazer que teriam se apenas estivéssemos a viver esse momento”.Esta abordagem é particularmente curiosa vinda de um grupo que trabalha em torno do conceito de interface, mas que no entanto têm alguma consciência do lado “negro da era digital”, como outros autores também abordam. É importante referir, Lee Siegel, autor de Against the Machine, em que um dos temas abordados neste seu livro é precisamente o facto de a internet gerar uma tendência para as pessoas se isolarem: “Quando não se consegue ver e ouvir outras pessoas, quando se interage com avatares, fantasmas que podem ou não ser quem dizem que são, estamos a preencher os espaços com a nossa imaginação; acabamos por estar a comunicar com fantasmas na nossa própria cabeça (in Público, Digital. Março 2008)”

Ana Filipa Araújo

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5.9.09
 
O impasse da esquerda revolucionária
O corpo move-se bem, mas a direcção que é suposto ser a cabeça a dar está ausente, porque ambos perderam os “objectivos finais”, perderam a grande estratégia, ou não a podem enunciar porque isso pareceria inaceitável em democracia.
Ambos desvalorizam as eleições “burguesas”, mas estão transformados em partidos eleitorais; (…) ambos apontam para uma sociedade sem classes, e não o podem dizer a não ser pelo epíteto moral da “justiça”; ambos são a favor da destruição da economia de mercado (hostis à propriedade privada) e não podem senão bramar contra as “grandes empresas”, o “capital financeiro”, os “ricos”; (…) ambos são marxistas e mais ou menos leninistas (mais o PCP do que o BE) mas têm de esconder os retratos dos pais e dos avós; ambos se pretendem “revolucionários” e nenhum pode falar em revolução.
(…)
Eles estão condenados a serem, na prática, “sociais-democratas” de má consciência, sem admitirem, como faziam os verdadeiros reformistas, que aceitavam o abandono da revolução e do mito da sociedade sem classes.(…) não tem outro programa que não seja pura e simplesmente confiscar o que está nas mãos dos “ricos” (que se veria depois que é quase toda a classe média) e distribuí-lo.(…) E depois, numa sociedade destas (de pobreza socializada) a repressão em nome da “justiça”, dos “pobres”, da “igualdade”, da “revolução”, é inevitável para se manter o “movimento”. Perguntem a Chávez.
(José Pacheco Pereira, Público 5-09-09)


Bons reparos… Discordo por vezes de JPP, por exemplo no que toca à visão azeda sobre o PS de Sócrates. Quanto ao PCP e ao Bloco, concordo com quase tudo o que hoje escreveu, e em especial no caso do Bloco, gostaria de perceber como integram o trotskismo revolucionário com a social democracia. Subescrevo o artigo.

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1.9.09
 
1939 começou a guerra!
Às 4:45H o exército alemão atravessou a fronteira polaca, iniciando a execução do Fall Weiss (Plano Branco).
As tácticas da Blitzkrieg (guerra relâmpago) são executadas por 53 divisões com 1.500.000 homens divididas em dois grupos de exércitos (Norte e Sul), apoiados por 2.600 tanques e 2.000 aviões.

Face a esta força encontram-se 39 divisões polacas com 900.000 soldados bem treinados e motivados, mas com tácticas e equipamentos ultrapassados


A Segunda Guerra Mundial estendeu-se, a partir de 1939, por seis longos anos.
Pelo número de estados envolvidos, pelo número de soldados mobilizados e de armas utilizadas, pela diversidade de cenários onde se desenrolaram as batalhas e pelo número de baixas, pode considerar-se este conflito como uma Guerra Total.
De hoje em diante tentarei lembrar os principais acontecimentos, como se revivesse essas fúnebres noticias, que durante 2.194 dias foram marcando a existência da mais desgraçada geração humana.

As causas mais remotas têm raízes na Paz de Paris e nos sequentes tratados de Versailles a Sévres.
A Alemanha, a própria Itália, e alguns dos novos estados balcânicos, constituíam focos de descontentamento, desafiando o sistema internacional estabelecido pós Primeira Grande Guerra.
A Grande Depressão que se desencadeou em Outubro de 1929 na América, estendeu-se à sociedade europeia, impedindo o pagamento das brutais indemnizações de guerra alemãs à França e Inglaterra.
Por outro lado, a ascensão dos regimes totalitários de cunho fascista – particularmente em Roma e Berlim – legitimavam politicamente e davam peso militar ao descontentamento reinante.

As causas imediatas produziram-se entre 1936 e Agosto de 1939.
Em Março de 1936 o chanceler alemão ordenou ao exército do III Reich a ocupação a zona desmilitarizada do Reno alegando que a França asfixiava e cercava. Os protestos de Londres e Paris de pouco valeram, e assim se violou um dos acordos de 1919, ratificado em Locarno em 1925.
Os passos seguintes só foram agravando as relações entre a Alemanha – foco do revisionismo internacional – e as democracias ocidentais, garantes do Tratado de Versailles e da Sociedade das Nações.
A ajuda prestada por Berlim e Roma na insurreição contra a II Republica espanhola a partir de Julho de 1936 ampliou a hostilidade entre os governos fascistas e o par anglo-francês.
Em Setembro de 1938, imediatamente após o Anschluss (incorporação da Áustria no Reich) Hitler deu mais um passo para a guerra com a anexação dos Sudetas Checo-eslovacos. Como na Áustria, justificou-se com a elevada percentagem de população alemã.
Londres e Paris cederam mais uma vez pelo Acordo de Munique.
A cedência alimentou, por um lado a audácia de Hitler, que conquistava território sem custos, e por outro o sentimento derrotista nas democracias; perante isto Sir Winston Churchill exclamou “You have chosen dishonor over war. You shall have both”
Uma terceira consequência dessa capitulação, foi a de levar Stalin a pensar que as democracias, atemorizadas perante a Alemanha, entregavam vítimas (Checoslováquia) para apaziguar a fera, e lhe reorientar os apetites para Leste. Temeu que as democracias aceitassem outro Munique à custa do estado Polaco, o que colocava a União Soviética – já fragilizada pela derrota na guerra de Espanha – na primeira linha da ambição alemã. Tratou portanto de firmar um Pacto de não-agressão solicitado por Hitler, que ficava com as mãos livres para atacar a Polónia. Em segredo a Alemanha e a União Soviética acrescentavam a divisão das esferas de influência no Leste, partilhando a Polónia e dando à União Soviética poder sobre os pequenos estados bálticos e Finlândia.

Quando a Whermacht iniciou o ataque à Polónia, Londres e Paris não puderam salvá-la, mas assumiram o compromisso contraído com Varsóvia, declararando guerra ao III Reich.
Segundo testemunhos, Hitler pensava que iriam ceder. Mas tinha também outras razões para avançar: a idade (50 anos) incitava-o a não adiar mais os seus “grandes desígnios”; a economia alemã, fragilizada pela enorme despesa militar, obrigava-o a procurar (pela força se necessário) os recursos que lhe começavam a faltar; e provavelmente também, o salto em frente para a loucura, essa “prova última do Homem”, emocionava e atraía a sua ambicição megalómana.

Sem que percebessemos claramente - era ainda um conflito europeu, localizado - assistiamos ao início de algo com uma dimensão gigantesca: uma segunda guerra planetária.

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20.8.09
 
O desespero não é uma filosofia.
É um acto. E os actos são irrefutáveis.
Como argumentar com um homem que se suicida diante de nós?

(Eduardo Lourenço)

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19.8.09
 
Da verdade, oculta

Toda a história da Ciência tem mostrado que existe uma realidade oculta. Mas igualmente, a Ciência mostra que esse oculto descoberto se afasta, quase sempre, e muito, do oculto mítico fixado pelas gerações humanas. Existem no entanto, excepções de mito que se confirmam – considero o do início de tudo, uma delas – e por outro lado, também a “realidade” científica se apoia em conjecturas que quase sempre se revelam incompletas e por vezes até erradas.

Saber disto, só por si, devia ser suficiente para desconfiarmos das verdades estabelecidas, sejam elas de antiga, ou sejam de nova geração, e por mais “evidentes” que em dado momento nos apareçam. Os mitos novos, como os velhos, têm por função dar-nos regras, regras de eficácia, para esse desempenho que designamos por vida. Mesmo quando procuramos compreender. Desde a animalidade que o humano depende da compreensão como guia da acção. Mas toda a teoria humana, como explicação de uma certa ordem de factos, é apenas e só um instrumento. Da Ciência até à Arte, as nossas teorias são instrumentos de identidade, são bússolas de referência.
Por isto digo que os mais “realistas” de nós (aqueles do positivismo) talvez sejam os mais ingénuos, tão crédulos como outro crente qualquer, Se não se entender cada “verdade” que sai ao caminho como verdade parcial, também não se entende que para além da Física, o Ser existe em Si, senão é nada. Mas nada é só um conceito vazio. Parece-nos assim evidente, e simultâneamente racional, que o fim é o Ser, e só Nele ultimamente se pode falar de verdade, a Verdade em Si, oculta.
Humildemente, o menos ingenuamente que posso, aderente ao chão do caminho, esta é a verdade em que me movo.

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16.8.09
 
A questão real
A notícia de verão produzida pelo 31 da Armada, ao trocar bandeiras – imagina se a troca tem sido com a bandeira nacional – tem levado a bué discussões de café sobre a bondade dos regimes.
Quanto a mim a discussão é sem sentido…
Desde da “descoberta” de que a soberania está no “povo” que a realeza passou a ser uma questão despicienda. O absolutismo foi para o caraças, substituído com estatal frieza pelos fascismos modernos. E cabe aqui uma lembrança, a da destituição de Mussolini ter sido possível porque um rei o despediu, ao contrário do III Reich Alemão, que à semelhança do Napoleónico, descendia de uma Republica. As voltas que as coisas dão…

Voltando ao rei; quando este Portugal, país esquisito, resolveu despedi-lo – sem perguntar nada ao povo, como diz o do 31 – a teoria republicana pressupunha que a simples mudança de soberano traria automaticamente a felicidade positiva. Trouxe sim, ao que parece, uma turbulenta ditadura de partido único (o do Costa), substituída depois por uma outra, mais estável (a do Oliveira).
Em 1910, tirando a França, origem do “mal”, toda a Europa era monárquica. Foram desventuras como as revoluções e guerras que transformaram esse quadro político naquilo que é hoje: Democracias de parlamento, sejam repúblicas ou as monarquias sobreviventes.
Com a particularidade dos reis actuais serem meras peças do mobiliário histórico, e de algumas das repúblicas (logo desde a primeira da História moderna) terem mimetizado as monarquias com Presidentes, uma espécie de reis electivos.
Por outro lado, o republicanismo não mudou nada à desgraça do povo (nem ao analfabetismo) e no mais provável, não tivesse acontecido o regicídio, seriamos hoje uma monarquia parlamentar, como a Espanha ou os países do norte.

No entanto, Portugal deve ser um dos poucos países onde a Republica convive bem com a Monarquia. Sendo uma Republica, venera um reizinho que lhe corresponde afectuosamente, e volta não volta, pelas razões mais díspares, lembramo-nos nostálgicos de uma bandeira azul e branca. Como se isso não bastasse, arranjámos um cargo público eleito, no qual os protagonistas tendem a adquirir o comportamento de uma majestade reinante. País esquisito...
Ora, como no problema da legitimidade, ter-se rei ou presidente, não põe nem tira grande coisa, uma vez que o poder é eleito, devíamos concluir que ao contrário do que julgavam os jacobinos antigos, o estado actual, radica noutra questão, qual é, a do bom governo. Que pelos vistos não fica garantido pela democracia do voto (agora lembro a Madeira…) precisa de mais qualquer coisa… a questão real, talvez essa seja a de cidadãos honestos, cidadãos de dar para além do receber, cidadãos com princípios, não de purismos, mas de tolerância… mas não sei…

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13.8.09
 
Programa de governo
E quando a noite vem
Estou só sem ninguém
Quisera amor saber
Serás tu pra mim?
(Os Conchas)

O Governo deveria fazer um inquérito para saber porque é que isto acontece e depois propor as medidas.
(Programa de governo, segundo o Prof. Medina Carreira)

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12.8.09
 

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20.7.09
 
Surtees
Qualquer dia, este sítio parece um obituário. Mas a verdade é que estes dramas me tocam. Lembro-me bem de John Surtees, campeão do mundo no Ferrari, em 1964. Dele teriam copiado a personagem de Yves Montand (o piloto Jean Pierre Sarti) no filme Grand Prix de 66. Já para o fim, foi ele também que deu o primeiro Grand Prix à Honda.

Sabia do filho Henry desde os karts. Um puto em que um pai tardio, punha a esperança de reviver a formula um, quase na primeira pessoa. Ontem, com 18 anos, em Brands Hatch, Henry Surtees levou com o pneu e jante do carro da frente na cabeça. Hoje morreu.
John Surtees está desfeito. Ele, que correu no tempo em que a morte em pista era comum, viu-a calhar agora ao filho, num tempo em que já não se morre disto. O acidente foi tão imponderável como eu ser atropelado a atravessar a rua. Henry pagou com o azar, a sorte que acompanhou o seu pai durante toda uma carreira. Rest in peace, Henry Surtees.

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19.7.09
 

Como dizia um amigo meu, os cães são animais como nós,... só que muito mais humanos.
Este filminho da União Zoófila mostra isso,... e o tamanho da diferença.

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Salvo o devido respeito, eu também não acho isto normal
À estúpida pergunta sobre se vemos diferença entre fascismo e comunismo, podíamos dar esta resposta breve: o comunismo é uma utopia, o fascismo é uma prática – o partido e o poder, é quanto os reúne e, faz do comunismo uma prática fascista.
(Imre Kertész, Um outro – crónica de uma metamorfose, Ed. Presença)
Os muitos comunistas que ao longo de décadas lutaram e morreram pela liberdade, sua e dos outros, não o fizeram em nome da opressão social mas sim de uma utopia de traços igualitários e humanistas. A tragédia funesta que se seguiu deveu-se, em muito, a degenerescência alquímica cruamente retratada por Kertész.
Em Portugal, onde os comunistas se integraram de forma satisfatória no jogo democrático, a sugestão de Jardim soa a insulto. Sobretudo vinda de quem, em matéria de democracia, já há muito viu estalarem os vidros que lhe servem de telhado. (Nuno Pacheco editorial do Púbico de hoje)


Quase concordando, penso que há alguns pontos pertinentes inscritos na constituição portuguesa:
1. A proibição da ideologia fascista (art.46) refere-se explicitamente ao racismo, o que faz todo o sentido.
2. A organização económica garante a propriedade privada (art.62) e a liberdade de iniciativa (art. 80) excluindo a economia centralizada.
3. Toda a organização politica constitucional se baseia na separação de poderes, excluindo os monismos totalitários, de tipo soviético.


Portanto, o comunismo, não sendo explicitamente excluído como o botânico madeirense AJJ apregoa, é-o de facto na forma politica constitucional. Que AJJ é um demagogo provocador já se sabe, mas esta provocação tem um sentido inteligente. Por mais bruto que seja, o exercício do poder na Madeira não será comparável a uma verdadeira ditadura, quanto mais não seja pela votação em que se apoia. Consciente disso, AJJ quis ver quem enfiava o carapuço, e no mesmo passo encravar o PSD. Não vejo nisso nenhum plano, nenhuma agenda secreta. Que o homem não se conforma com a constituição, nunca ele o escondeu.
Mas onde discordo do Nuno Pacheco, e aqui me impressiona, é na dimensão cultural; quando cá se condena o Fascismo tá-se bem em geral, mas quando alguém releva o carácter violento e anti-liberal do passado comunista, aqui d’el rei! Porque será que neste país – noutro país europeu, em particular no Leste, já não é assim – não se pode condenar o comunismo como ideologia totalitária? Tal como, os eventuais ataques ao Jardim, não se dirigem aos madeirenses que o escolheram, também não se condenam os que morreram pela utopia (à qual coloco reservas em vários aspectos) mas sim os que usaram esse ideal para a tal tragédia funesta que se seguiu, isto é, fazer do comunismo uma prática fascista.
Salvo o devido respeito, eu não acho isto normal. Ainda há pouco se liam no Avante, justificações surreais à Coreia do Norte... era isso que não devia acontecer; é isso que aproveita ao ogre da Madeira.

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17.7.09
 
À esquerda...
Consciente e convicta (…) de representar a consciência aguda da injustiça, da opressão, do privilégio inaceitável, a esquerda viveu-se durante os quase dois séculos da sua manifestação histórica (…) como se estivesse imune, por princípio, ao erro, ao desvio, à desfiguração ou até à traição ao ideário transparente com que se definiu.

Se neste momento a esquerda europeia está, ou parece estar, numa situação particularmente melindrosa, é talvez apenas por se ter imaginado que os erros ou pecados políticos, sociais e económicos só podiam ser cometidos pela direita, ou talvez melhor, que a direita é a expressão, nessa ordem, da História como pecado.

Eduardo Lourenço, Esquerda na encruzilhada ou fora da História? - Gradiva 2009 (ainda a sair e a ler)

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7.7.09
 
On ne voit vieillir que les autres, dizia o Malraux. Mas há algo que vem na proporção inversa; à medida que fico velho, cada vez gosto mais de memórias.

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5.7.09
 
GT Open 4 - Donington
Estes rapazes, que vi correr quase "de fraldas", estão na quarta posição do competitivo GT Open. Na quarta prova, em Donington, levaram o Porsche ao podium na 1ª corrida (2º lugar) e quase repetiram na 2ª corrida (4º lugar). Com outros portugueses, inscrevem o nome desta terra por esse mundo fora. Aquilo que eu gostava de ter feito na vida é hoje o seu dia a dia. Aquilo que hoje fazem parecer banal, era no tempo dos pais deles, era uma raridade difícil de ver...
Para mim, foi sempre difícil entusiasmar-me com corridas de automóveis, sem estar envolvido de alguma forma. É preciso sofrer com alguém. Com eles, mesmo de longe, ainda vibro... eis os meus heróis no podium de Donington.

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2.7.09
 
Há uma editora de coisas - entre cêdês e camisas em forma de Tê - que dá pla graça de Flor Caveira, e quêmêmata!

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1.7.09
 
Da chama imensa
Confesso que ainda não percebi o processo eleitoral no Benfica - na verdade, também não me tenho esforçado muito.
Mas vai ou não vai haver eleições?
Com ou sem providência cautelar?
Afinal quantas candidaturas há?
Antecipadas ou postecipadas?
A pé ou de avião?
SLB... espectáculo!

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103 anos!
Hoje, passados 103 anos, é uma realidade o sonho de José de Alvalade: um grande Clube, tão grande como os maiores da Europa.

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28.6.09
 
Estes braços que agora trago vazios, são uma memória viva da alegria que senti, há vinte e um anos, quando eles te abraçaram pela primeira vez.
Penso hoje nas tristezas, nas alegrias, destes anos breves; agradeço a Deus ter-me escutado, e à tua mãe ter-me oferecido o que há de melhor no mundo: tu.

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25.6.09
 
Farrah (1947-2009)
More than a woman to me


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21.6.09
 
Teerão
Tristemente, as coisas precipitam-se. Entre a sobranceria dos comentários de bancada e o cheiro do fumo, entre o sabor a sangue e o rosto suado de encontro ao alcatrão, vive-se a febre...
Quem pensa que aqueles são outros, lá longe, diferentes... engana-se. São como tu e como eu, apanhados na tempestade dos acontecimentos imparáveis, gente que corre nas ruas, que tem dúvidas e certezas, que tem medo e que tem coragem. E vê a morte...
Eles são como nós. Lá, agora, somos nós! E já não tem a ver com votos, é a politica pura à solta. A Teocracia para sobreviver vai ter que reprimir, mas ao fazê-lo alargará as fissuras de dentro e de fora. Uma coisa é certa, a explosão do Irão provocaria uma chuva de cacos em toda a região, e na economia mundial, que já vai de rastos.

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19.6.09
 
O Brian Ferry portuga

Nada do que sugeriste foi mais do que eu quero, dançar um bolero, esta canção que parecia que ia acabar, que acaba com um filme, mas é a canção de ficar, quase de embalar, não valerá o trabalho de querer resistir, o que é esguio é para agarrar e terás em cima de ti toda essa água, toda essa água que cai. Dançar é amar na vertical

Coração canta e os músicos vão atrás, seguindo o passo ébrio da voz do trovador, um pinga-amor com as mão cheias de recordações de mulheres e um pé na estrada - este é o mote e a glosa que o acompanha é o trabalho de decoração para caiar as canções de tons cool desmazelados (Ípsilon João Bonifácio)
Tivesse uma baby sitter prás cadelas, estaria lá hoje ;)

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Esforço, dedicação e glória: eis o Sportem

We only live, only suspire, consumed by either fire or fire

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15.6.09
 
Permets-moi de dire
Ce que je pense

Que c’est une femme
le silence.
Guillevic, Art poétique

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13.6.09
 
The beginning

We shall not cease from exploration
And the end of all our exploring
Will be to arrive where we started
And know the place for the first time.
Through the unknown, unremembered gate
When the last of earth left to discover
Is that which was the beginning;
At the source of the longest river
The voice of the hidden waterfall
And the children in the apple-tree
Not known, because not looked for
But heard, half-heard, in the stillness
Between two waves of the sea.

T. S. Eliot, Four Quartes, Little Gidding

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12.6.09
 
Véspera do Santo
Largos longos doces horizontes
A desdobrada luz ao fim da tarde
Um ar de praia nas ruas da cidade
Secreto sabor a rosa e nardo arde


Lembrança de um voo sobre o Adriático, até ao mais alto azul do Olimpo

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Who then devised the torment?
The dove descending breaks the air
With flame of incandescent terror
Of which the tongues declare
The one discharge from sin and error.
The only hope, or else despair
Lies in the choice of pyre of pyre —
To be redeemed from fire by fire.


Who then devised the torment? Love.
Love is the unfamiliar Name
Behind the hands that wove
The intolerable shirt of flame
Which human power cannot remove.
We only live, only suspire
Consumed by either fire or fire

T. S. Eliot, Four Quartes, Little Gidding

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Conversa da bola
Um amigo meu de sua graça, Luis, lampião de gema, teve a triste ideia de me levantar a hipótese duma união da segunda circular ( Esse-éle-bê mais Esse-cê-pê) para fazer face ao poderoso Fê-cê-pê. Julgo que só o tremendo desvario que se vem apoderando daquelas luminosas cabeças, poderá explicar um tamanho dislate.
O Sporting não é, nunca será, miscível com o Benfica, por razões genéticas e de sangue. Toda a gente sabe que, enquanto a origem verde é nobre, a vermelha é popular. Enquanto o Sporting está entregue a uma oligarquia que se referenda de vez em quando, no dizer do catedrático dominical Rui Santos, o Benfica, esse é genuinamente democrático. Talvez por isso, naquela democracia nascem tão fácilmente, todos os anos, todas as demagogias…
Já o Porto, para continuar numa de análise politica, faz-me mais lembrar a Coreia do Norte, está entregue ao Querido Líder e se estiverem a morrer à fome, cá fora ninguém sabe.

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11.6.09
 
Every poem an epitaph
What we call the beginning is often the end
And to make and end is to make a beginning.
The end is where we start from.
And every phrase
And sentence that is right (where every word is at home,
Taking its place to support the others,
The word neither diffident nor ostentatious,
An easy commerce of the old and the new,
The common word exact without vulgarity,
The formal word precise but not pedantic,
The complete consort dancing together)
Every phrase and every sentence is an end and a beginning,
Every poem an epitaph.

T. S. Eliot, Four Quartes, Little Gidding

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10.6.09
 
Cruel... mas brilhante! :)

 
A symbol perfected in death
We cannot revive old factions
We cannot restore old policies
Or follow an antique drum.
These men, and those who opposed them
And those whom they opposed
Accept the constitution of silence
And are folded in a single party.


Whatever we inherit from the fortunate
We have taken from the defeated
What they had to leave us—a symbol:
A symbol perfected in death.

T. S. Eliot, Four Quartes, Little Gidding

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9.6.09
 
Love of a country
There are three conditions which often look alike
Yet differ completely, flourish in the same hedgerow:
Attachment to self and to things and to persons, detachment
From self and from things and from persons; and, growing between them, indifference
Which resembles the others as death resembles life,
Being between two lives—unflowering, between
The live and the dead nettle. This is the use of memory:
For liberation—not less of love but expanding
Of love beyond desire, and so liberation
From the future as well as the past.
Thus, love of a country
Begins as attachment to our own field of action
And comes to find that action of little importance
Though never indifferent. History may be servitude,
History may be freedom. See, now they vanish,
The faces and places, with the self which, as it could, loved them,
To become renewed, transfigured, in another pattern.


T. S. Eliot, Four Quartes, Little Gidding

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8.6.09
 
As eleições do ano 52 depois de Roma
9.600.581 Eleitores inscritos
6.043.567 Eleitores em abstinência (63%)


Pequenos partidos
Partido dos votos brancos – 164.877*
Movimento da Laurinda – 52.924
MRPP – 43.037
Partido da Terra – 23.378
Movimento do Carlos – 21.647
Partido da Manuela – 16.951
Partido monárquico – 13.774
Partido endireita – 13.026
Partido da Carmelinda – 5.094


*Numero alterado de 71.151 – valor de votos nulos e não de brancos – por volta das 22H hoje. Na casa das centenas (e só) outros valores não acertam, mas que se lixe, retirei-os esta manhã do Diário de Noticias. Quem referiu o valor certo, abrindo-me os olhos, foi o Dr. Alberto Martins, líder para lamentar do PS, ao também notar na tv, a dimensão dele, ligando-a ao afastamento crescente entre a população e a politica.
Dizia que é preciso "reaproximar" as pessoas da política, como se fosse possivel pegar na "coisa" e empurra-la para ao pé das pessoas. O Dr. Alberto tá cego - ou finge que tá – e não distingue aquilo que desclassifica a politica, que não são metros ou milímetros, são puras e simples aldrabices. É o puro e simples descrédito, consequência de atitudes como a sua, quando há ano e meio, anulou o projecto de lei anti-corrupção de Cravinho – entretanto despachado para uma gaiola dourada.

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