La force des choses
25.11.10
PROTESTO

Por tudo isto, mesmo em crise, o protesto sindical é uma manifestação de forças que equilibra e impede os desequilíbrios. Por tudo isto, a greve geral tem uma componente de resposta ao medo e à prepotência que, não contribuindo para “combater” a crise, impede que no seu decurso haja uma perda completa da dignidade pessoal de quem trabalha. Um trabalhador, que vê o seu rendimento drasticamente diminuído, pode até achar que não há outro remédio, – e muitos dos que vão fazer greve sabem que é assim, - mas nem por isso perde a vontade de protestar, bem pelo contrário. Não só entende que não teve “culpa”, como quer mostrar que ainda pode tomar uma atitude contra alguma coisa que pensa ser “injusta”.
Este post do Abrupto parece-me uma boa análise do significado da greve e da função do Sindicalismo. Para mais num tempo em que, os mesmos que destruíram milhões, vêm argumentar com eventuais os prejuízos provocados pela greve, em que, os mesmos que aceitam a irracionalidade dos "mercados" argumentam com a irracionalidade das greves. Não percebem que há sempre uma linha para lá da qual as pessoas partem a loiça, doa a quem doer, mesmo que aos próprios.
Etiquetas: economia, sindicatos
1.5.05
Chicago First of May 1886

The day will come when our silence will be more powerful
than the voices you are throttling today.
A.Spies
Em 1886 a organização dos trabalhadores americanos (The Federation) promoveu uma manifestação pelas oito horas de trabalho (contra as 10,16 horas vigentes na época).
Apartir de 1 de Maio desse ano, as empresas que não adoptassem o horário de oito horas, seria sujeitas a greve.
A maior das manifestações ocorreu em Chicago, juntando cerca de 80.000 trabalhadores.
O Poder, e os ecos dos jornais viram aí, o prenúncio de uma revolução; e pediu-se repressão.
A 4 de Maio num protesto junto ao mercado de Haymarket, contra a repressão policial, alguém (nunca se soube quem) lançou uma bomba; a policia atirou e morreram várias pessoas, incluindo polícias.
Nasceu assim o mito do massacre de Haymarket, na sequencia do qual, quase todos os sindicatos americanos foram fechados.
O movimento foi desarticulado, e só em 1935, com o "New Deal" de Roosevelt, as oito horas de trabalho se tornaram lei na América.
Os organizadores do protesto de Haymarket foram julgados e condenados, não como executantes, mas como instigadores do 4 de Maio.
Um suicidou-se (Lingg) e os outros quatro (Parsons, Spies, Fischer e Engel) foram enforcados em 11 Novembro de 1887.
O injustiça de caso Haymarket tornou-se num escandalo mundial.
Em 1889, a Segunda Internacional, reunida em Paris, adoptou o dia 1 de Maio como o Dia Internacional do Proletariado, em memória da morte dos operários de Chicago.
O Monumento de Haymarket erigido em 1893 (Monumento Nacional desde 1997) encontra-se no "Forest Home Cemetery" em Forest Park, Chicago, Illinois.
Duas figuras de bronze, uma mulher representando a "justiça", que desembainha a espada, enquanto coloca uma coroa de louros na cabeça do operário caído.
Os homens a quem é dedicado foram vítimas de um Estado, e de uma opinião pública, que espezinharam a verdade e o direito de manifestação contra a injustiça.
Este monumento representa hoje, também, um louvor ao "Bill of Rights", em especial das liberdades de expressão e de reunião.
Etiquetas: politica, sindicatos, sociologia

