O numero de ouro
A série de Fibonnaci que estrutura o Universo, do macro ao micro, e que deu a Le Corbusier, a ideia do Modulor ou relação de ouro: 1,618
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As idades do espaço ( 4 )
Aceleração direccional e dilatação do espaço em Bizâncio
O tema basilical paleo – cristão exalta-se no período Bizantino.
O problema do arquitecto bizantino não é de carácter estrutural, ele limita-se a introduzir no esquema longitudinal paleo cristão a urgência de uma aceleração.
Em Santa Sabina, os arcos da nave assentam solidamente sobre colunas, estabelecendo uma continuidade entre elementos que sustentam e elementos sustentados: alguém exprimiu este movimento com a imagem de "jorros de água que partindo da terra a ela retornam e de novo se elevam num lento arquear".
É este o tempo do ritmo paleo - cristão.
Em Sant’ Apollinare este tempo torna-se mais rápido, precipita-se, negando as relações verticais e exaltando as referências horizontais.
As almofadas criam um corte entre arcos e colunas criando uma pontuação ao longo da nave, repetida nas bases das colunas que têm a mesma função; as faixas de mosaico acentuam a horizontalidade e todo o revestimento cromático resolve cada passagem estrutural, substituindo os planos luminosos e extensos dos primeiros cristãos por um tecido de cores e refracções luminosas cintilantes.

O caminho de colunas de Sant’Apollinare de Ravena, 530 d.C.
Nos edifícios de esquema circular, em particular na trilogia Justiniana formada pelas igreja de Santa Sofia de Constantinopla, pela dos santos Sérgio e Baco, e por San Vitale de Ravenna, a postura espacial e estética são essencialmente as mesmas.
Tal como na Basílica longitudinal se negam as relações verticais e se exasperam as horizontais até um ritmo alucinante, nos edifícios de planta circular o espaço é dilatado até ás fluências mais velozes.
O que quer dizer “espaço dilatado”?
Observemos na planta de Santa Sofia esse elemento característico de Bizâncio constituído por grandes corpos semicirculares abobadados; partido de dois pontos fixos, quais focos da planta central, a superfície mural foge do centro do edifício, lança-se elasticamente para o exterior num movimento centrífugo que abre, rarefaz e dilata o espaço interior.


Corte e planta e interior da Hagia Sofia de Constantinopla, 532-537 d.C.
Tal como em San Vitale, toda a intenção consiste em dilatar o octógono, negar a sua forma geometricamente fechada e ampliá-la indefinidamente.
Revestidas todas as paredes com mosaico nega-se cada contraponto de pesos e de sustentação, o luzidio e cintilante invólucro mural torna-se num manto de matéria subtil, macia e superficial, sensibilizado pelas propulsões e pressões de um espaço interior que conquista enumeros alargamentos.
Devemos reconhecer que a dilatação dos espaços romanos encontra sempre o seu limite na robustez das suas estruturas murais; é espaço dilatado mas de natureza estática.
Ao contrário, o espaço bizantino dilata-se continuamente, existe nele um elemento dinâmico conquistado através da cultura paleo cristã, o uso dos planos brilhantes, das vastas superfícies luminosas que gradualmente se transformam em tapetes cromáticos.
Tal como os revestimentos de mármore dos romanos eram o lógico desenvolvimento decorativo da concepção estática do espaço, assim esses tapetes de mosaico bizantinos expressam a aceleração dinâmica nas investigações bizantinas.
Quem confrontar o espaço paleo cristão de Santa Constanza, com o espaço bizantino de San Vitale verificará que existe entre ambos não só diversidade como mesmo oposição.
Em Santa Constanza notamos as directrizes de perspectiva das pequenas arquitraves radiais que indicam ao observador que se move na galeria exterior o centro do edifício; existe um motivo centrípeto nitidamente contrário às forças centrífugas do espaço bizantino.


Santa Constanza, paleo-cristã, na esquerda e San Vitale, bizantina, na direita
Ao caminhar em Santa Constanza, as arquitraves radiais assinalam a passagem por sugestões lineares, entre uma zona central luminosa e uma atmosférica massa circundante.
Bizâncio ignora esta dialéctica utilizando uma superfície mural que se curva e afasta do centro através de formas côncavas, cada vez mais impelidas para fora, para o vão circular que vem a perder toda a independência arquitectónica.
É uma mensagem nova cuja voz será ouvida nos séculos seguinte (XI e XII) quando surgem S.Marcos de Veneza e La Martorana de Palermo, e o seu eco será sentido em toda a arquitectura oriental, sobretudo na arquitectura russa que em pleno século XV procurará mesmo resistir ao Humanismo italiano.
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As idades do espaço ( 3 )
A directriz humana do espaço cristão

Santa Sabina de Roma, 422-432
Na enciclopédia da arquitectura helenística e romana, os cristãos tiveram de escolher as formas para o seu templo e, alheios tanto à autonomia grega como à cenografia romana, seleccionaram o que havia de fundamental para eles em ambas as experiências.
Reuniram na igreja a escala humana dos gregos e a consciência do espaço interior romano, produzindo uma revolução no espaço Latino.
A Igreja Cristã não é o edifício misterioso que guarda um deus, e em certo sentido nem é a casa de Deus, mas o lugar de reunião, de comunhão e de oração dos fiéis.
Por isso os cristãos se inspiraram na Basílica, um tema social, e não no templo romano.
A revolução espacial consistiu em ordenar todos os elementos da Igreja na linha do "caminho humano para Deus".

Comparando as plantas da Basílica de Trajano (esq.) e da Igreja de Santa Sabina (dir.), umas das primeiras igrejas cristãs encontramos poucas diferenças para além da escala.
Mas a Basílica romana é simétrica em relação aos dois eixos, criando um espaço com um centro bem definido.
O arquitecto cristão suprime uma abside, transformando-a na entrada, rompendo a simetria do espaço, e deixando um único eixo longitudinal, a directriz do caminho do homem; acrescenta uma alma à função espacial.
O carácter estático do espaço interno romano cede lugar ao espaço dinâmico: a trajectória do observador.
Ao entrar na Basílica de Trajano sentimos estranhos num espaço independente de nós, eu entrei e saí admirado, mas sem participar;
Em Santa Sabina abrangemos todo o espaço, pelo qual caminhamos ritmicamente acompanhados pelo desfilar de colunas e arcos; sentimos que somos parte de um itinerário criado para nós.
Planta do Panteon à esquerda, de Santa Constanza na extrema direita
A mesma conquista dinâmica é evidente nos edifícios de esquema circular.
O espaço do Panteão é estático centrado uniformemente limitado por enormes muros
Mas em Santa Constanza, substituem-se a paredes por um cortejo de colunas acopladas que, numa orientação radial indicam, de todos os pontos do anel circundante, o centro do edifício.
No Panteão não há necessidade de nos movermos porque é um ambiente elementar, definido, que se apreende à primeira vista; em Santa Constanza, a pluralidade de passagens, a fecundidade de indicações direccionais, repetidas em toda a volta, mostram a nova conquista cristã, a directriz. ( baseado em Bruno Zevi, “Sapere vedere l’architettura”, 1948)
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As idades do espaço ( 2 )
O espaço maj-estático dos romanos

Panteon de Roma, 27 a.C.
A pluralidade do programa romano no que respeita à construção – opondo-se nitidamente ao tema único da arquitectura grega – e a sua escala monumental;
A nova técnica construtiva dos arcos e abóbadas, que reduz colunas e arquitraves a motivos decorativos;
O sentido dos grandes volumes nos reservatórios, nos túmulos, nos aquedutos, nos arcos, nas poderosas concepções espaciais das basílicas e das termas;
Uma consciência altamente cenográfica, fecundamente inventiva;
A maturidade dos temas sociais, como o palácio e a casa;
Todas estas contribuições, que estabelecem uma verdadeira enciclopédia morfológica da arquitectura, estão ausentes da arquitectura grega, afloram parcialmente no Helenismo, e constituem a glória incontestável de Roma.
Em Roma, ao lado da capacidade técnica, que se tornou mais rigorosa devido à escala monumental da arquitectura imperial, surge o tema social da basílica, onde os homens vivem segundo uma filosofia e uma cultura que rompe com a contemplação abstracta, o equilíbrio perfeito do ideal grego;

O espaço interior apresenta-se de forma majestosa; se os romanos não tinham a sensibilidade requintada dos escultores-arquitectos gregos, tinham em compensação o génio dos construtores-arquitectos, que é no fundo o génio da Arquitectura.
Devemos repudiar a posição de alguns tratadistas para os quais a arquitectura romana é filha ou escrava da grega.
O carácter fundamental do espaço romano é ser pensado estáticamente.
Impera a simetria nos ambientes circulares e rectangulares, a autonomia absoluta quanto aos ambientes contíguos, sublinhada por espessos muros que separam;
Trata-se de uma grandiosidade de axialidade dupla, de escala inumana e monumental, que se basta a si mesma e é independente do observador.


Fundamentalmente a arquitectura romana exprime uma afirmação de autoridade, é o símbolo que domina a multidão dos cidadãos e anuncia que o Império existe, é potência e razão de toda a vida.
A escala da arquitectura romana é a escala desse mito, não é e não quer ser a escala do homem.
( baseado em Bruno Zevi, “Sapere vedere l’architettura”, 1948)
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As idades do espaço ( 1 )
A escala humana dos gregos

Partenon de Atenas (447/ 438 a.C.)
O Templo grego caracteriza-se por uma enorme lacuna e uma supremacia incontestada;
a lacuna consiste em ignorar o espaço interior;
a glória na escala humana.
Se vemos opostos nos seus juízos, conhecidos arquitectos modernos e assistimos à admiração que Le Corbusier manifesta, e ao desprezo de Wright, isso resulta de uns valorizarem o espaço e outros a escala.
O arquitecto deve ser também um escultor para poder transmitir, através do tratamento plástico do invólucro mural e dos elementos decorativos, o prolongamento do tema espacial; mas o mito que coloca Fídias (o escultor), acima de Ictino e Calícrates (os arquitectos), como o idealizador do Partenon simboliza o carácter meramente escultórico das construções religiosas gregas.

Os templos gregos são espaços não apenas encerrados, mas literalmente fechados, e o espaço interior fechado é característico da escultura.

A arquitectura grega, triunfa pela humanidade das proporções e da escala, pelas insuperadas jóias de escultórea graça repousante, adequadas na sua abstracção, esquecidas de todos os problemas sociais, autónomas no seu fascínio contemplativo e impregnadas de uma dignidade espiritual nunca mais alcançada.
( baseado em Bruno Zevi, “Sapere vedere l’architettura”, 1948)
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Bovarysme

Fonte photoblog
A propósito deste post do Lutz sobre a Casa da Musica, e relendo uma história antiga, deparei-me com a expressão "Bovarysme", do filósofo francês Jules Gaultier.
Gaultier designa com essa palavra o estado de alma que determina o comportamento da personagem central, no romance "Madame Bovary", de Flaubert.
Emma Bovary, pequeno-burguesa, acha-se uma grande dama, talhada para altas cavalarias.
A imagem que faz de si, reflecte-se na sua visão do Mundo, criando-lhe uma vontade de ruptura permanente.
Quer sempre mais e como a realidade não a satisfaz, vive em perturbação constante.
Por "bovarystes" Gaultier designa pessoas que vivem fora da realidade, acima das suas posses, empenhadas em transcender o seu meio por qualquer forma, a qualquer preço.
Mas não há apenas pessoas "bovarystes"; há também nações que, pobres, são dominadas pela ostentação; a ostentação das grandes embaixadas, dos grandes edifícios, dos grandes monumentos…
Não sou contra monumentos nem Casas da Música, mas a realidade é que não há obra pública que não derrape.
Entretanto os portugueses empobrecem, deixando contas para pagar (os tais défices) aos filhos e netos.
Portugal simplesmente não produz para aquilo que consome.
Este discurso é "miserabilista", eu sei…
Mas quem somos nós?
P.I.B per capita (FMI Setembro 2004)
- Reino Unido............. 35.505 US$
- Espanha.................. 23.447 US$
- Portugal.................. 16.021 US$
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