25.7.10
Para-teoria 2 - Liberalismo

Inicialmente, e batendo-se depois na guerra civil, o campo da direita foi representado pelos “absolutistas” – defesa do poder absoluto do monarca – que só reconheciam a legitimidade da tradição; o campo da esquerda, conforme ao espírito moderno, assentava a legitimidade política nos cidadãos (onde o rei era sem distinção) e reclamava para estes, tanto a liberdade como a igualdade. Numa certa perspectiva, a direita e a esquerda portuguesas, descendem respectivamente, do senhor dom Miguel e do senhor dom Pedro. Acresce que, por causas religiosas profundas, a Igreja Católica sempre foi de facto, em Portugal, a organização mais influente no lado direito.
Mas depois da esquerda ter ganho a guerra civil, vamos encontrar de novo a polaridade direita-esquerda no campo liberal. Com a maioria já convertida às novidades, renasceu a divisão entre conservadores e revolucionários. Os primeiros sobrevalorizaram a tolerância (admitindo mesmo partilhar a soberania com o rei) e a liberdade (no fundo, outro nome que dão à propriedade); preferindo à cautela o sufrágio indirecto; exigiam ordem e, em teoria – mas não na prática, em Portugal, como prova Pulido Valente – o Livre-câmbio na economia. Os segundos, da esquerda, sobrevalorizaram a igualdade e só reconheciam a soberania do “povo” – conceito vago e variável com as conveniências momentâneas – por isso preferindo o sufrágio universal e directo. Para eles a ordem legítima – desconfiam de qualquer outra – é a que deriva da mudança violenta, na revolução, e na economia preferem o proteccionismo. No século XIX, os da direita chamaram-se cartistas (da Carta constitucional) e cabralistas – usamos igualmente os termos moderado, conservador e reformista – e os da esquerda chamaram-se vintistas (da constituição de 1822) e setembristas – igualmente radicais, progressistas e Democráticos.
Antes do século XX ter início, muitos dos da esquerda converteram-se ao republicanismo, contra a monarquia. Tornou-se na clivagem essencial: todo o mal do mundo vinha do privilégio real, e todo o bem surgiria da sociocracia positiva, que designavam por Republica, sob o signo da igualdade e da probidade. Obviamente, a corrupção resultava da monarquia.
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