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La force des choses
9.4.10
 
A verdade sobre La Lys
A participação portuguesa no teatro de operações europeu durante a I Guerra Mundial é mal conhecida pelos portugueses e pelos estrangeiros. Para as nossas gerações mais novas, o desconhecimento é absoluto: muitos não sabem que Portugal participou na guerra e até em duas frentes militares, a europeia e a africana.
A ignorância estrangeira sobre a actuação do Corpo Expedicionário Português (CEP) em França é, porem, ainda mais flagrante.
Mais recentemente, alguns historiadores, como o francês Marc Ferro ou os ingleses Liddell Hart ou Martin Gilbert, têm dado maior atenção à campanha do CEP, tentando abordar questões significativas: os motivos da entrada de Portugal na guerra, a decisão de evoluir de uma neutralidade não declarada para uma beligerância, o comportamento português em La Lys e o respectivo balanço de baixas.*

A acção do CEP na Flandres costuma ser reduzida à prestação portuguesa na famigerada batalha de La Lys. Com um dia de batalha desfaz-se, com alguma leviandade, uma campanha militar de três anos que até ao fim lutou pelo aniquilamento do adversário.
Os alemães atacaram às 4 e 15 da madrugada de 9 de Abril de 1918. Pretendiam desencadear um ataque relâmpago de forma a surpreenderem as tropas luso-britânicas e a conquistarem rapidamente a zona dos vales do rio Lys e do canal Lawe. Bombardeadas as comunicações e aproveitando-se do fumo e do denso nevoeiro, a infantaria inimiga, a partir das 7 horas, galgou as trincheiras dianteiras, atravessou a terra de ninguém e tomou de assalto a 1ª linha. Habituados ao incremento dos bombardeamentos e dos raides do inimigo durante o mês de Março, muitos portugueses e britânicos nas trincheiras dianteiras não reconheceram diferenças no bombardeamento e, por isso, não alteraram o seu comportamento. Passadas algumas horas de investida alemã, já era tarde de mais. Apesar de os minhotos terem impedido os alemães de romperem a linha e atravessarem o rio Lys, os alemães tinham tomado Laventie. Impôs-se um recuo estratégico para travar o inimigo e potenciar uma recuperação futura, atitude usual na guerra de trincheiras. Ordenada a retirada, muitos militares viveram o pânico e refugiaram-se na retaguarda num processo de extravio, distinto da deserção. Aliás. Este processo de retirada, organizado ou não, não foi responsável pelo avanço ritmado alemão, pois simultaneamente aconteceu a resistência da artilharia e até ocorreram alguns contra ataques de infantaria, protagonizados por portugueses, que conseguiram demorar o processo inimigo.
A “debandada” portuguesa atribuída por alguma historiografia estrangeira nunca existiu pois os alemães demoraram cerca de três horas para percorrer uma distancia de 3.500 metros que, sem resistência, demoraria uma hora e na zona de Estaires, a Infantaria 29, originaria de Braga, conseguiu resistir cinco horas na Red House permitindo o reposicionamento adequado das reservas no rio. Com a noite de 9 de Abril, chegou ao fim a missão portuguesa na batalha: resistir ao avanço alemão o mais tempo possível de forma a proporcionar o movimento de tropas britânicas até ao sector flagelado. Porem, esse dia não pôs fim à nossa campanha militar em terras flamengas. Ainda a 10 de Abril, em La Couture, se vai lutar pela manutenção de uma 1ª linha que na retaguarda se julgava perdida e, quando reorganizada, o CEP vai participar, meses mais tarde, na contra-ofensiva aliada e entrar na Bélgica.
O saldo da operação militar desencadeada pelo exército alemão em Abril-Maio de 1918 foi impressionante e, apesar de começar com uma retirada, marcou o início da ofensiva aliada, com um comando geral unificado, na senda da vitória. Não se pode é confundir esta batalha de resistências, de retiradas organizadas e até de fugas generalizadas, com os dois anos de campanha efectiva e com a permanência dos portugueses em França até Março de 1919. A campanha portuguesa na Flandres, parte activa da campanha aliada, merece maior atenção pela historiografia estrangeira que insiste ainda em apresentar o “9 de Abril” como um mero bombardeamento de 24 horas, desaire e responsabilidade exclusiva portuguesa, prenuncio da batalha de La Lys. Urge, por isso, desmistificar mitos e esclarecer factos num diálogo aberto, coerente e rigoroso, sem duelos nacionalistas.

Isabel Pestana Marques in Visão História nº 4 “Portugal nas trincheiras: a I guerra da Republica” Fevereiro 2009

*O balanço do primeiro embate foi pesado. Luís Alves de Fraga, professor universitário autor de estudos sobre o tema, fornece um balanço preciso das baixas portuguesas na batalha de La Lys: 30 oficiais, 33 sargentos e 551 praças mortos, enquanto são feitos prisioneiros (incluindo muitos feridos) 270 oficiais e 6.315 sargentos e soldados. Metade dos efectivos portugueses colocados em primeira linha é morto ou feito prisioneiro. No total, o número de mortos portugueses em toda a intervenção – de 2 Fevereiro de 1917 a 11 Novembro de 1918 – situa-se nos 7.000 mortos entre 55.000 homens mobilizados.

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Comments:
sobre a nota de roda-pé: o "nº total de mortos portugueses em toda a intervenção" situa-se em 10 mil, e não 7 mil, mas incluindo África.
Em França, no total e já contando com os mortos em cativeiro e os desaparecidos, morreram uns 2300.
Em África é que morreu a maioria, e em África a guerra começou logo em 1914, e não em 1916, pelo que lá durou 4 anos, e não apenas 2.
Cumprimentos
 
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