La force des choses
18.3.08
A atitude textual 2
Uma segunda situação que favorece a atitude textual é a aparência de êxito. Se lemos um livro que afirma que os leões são ferozes e depois encontramos um leão feroz (estou a simplificar, como é óbvio), é possível que nos sintamos encorajados a ler mais livros do mesmo autor e a acreditar neles. Mas se, ainda para mais, o livro sobre o leão nos instruir sobre o modo como lidar com um leão feroz, e as instruções funcionarem na perfeição, então o autor não só gozará de grande crédito como se sentirá encorajado a tentar a sua sorte em outros tipos de escrita. Existe uma dialéctica de reforço bastante complexa em que as experiências dos leitores são na realidade determinadas por aquilo que leram, e isto, por seu turno, influencia os escritores a escolherem temas definidos antecipadamente pelas experiências dos leitores.Um livro sobre o modo como lidar com um leão feroz poderia então provocar a produção de toda uma série de livros sobre temas como a ferocidade dos leões, as origens da ferocidade, etc. de igual modo, á medida que o ponto de vista do texto se centra cada vez mais especificamente sobre o tema – já não os leões, mas a sua ferocidade – podemos esperar que as formas pelas quais se recomenda que se lide com a ferocidade do leão irão na verdade aumentar esta ferocidade, forçá-la a ser feroz, uma vez que é isso que ela é e é isso que, essencialmente, sabemos ou apenas podemos saber sobre ela.
Não é fácil prescindir de um texto que vise conter conhecimentos sobre algo real que surja a partir de circunstâncias similares ás que descrevi. Atribui-se-lhe competência na matéria.
Edward Said, Orientalismo, representações ocidentais do Oriente, Cotovia 2004 (p. 109)
17.3.08
A atitude textual
Aplicar literalmente o que se aprende num livro à realidade é arriscar-se à loucura ou à ruína.(…) No entanto, as pessoas tentaram e continuam a tentar usar os textos desta maneira simplista.
(…) Parece ser uma falha humana comum preferir a autoridade esquemática de um texto ás desorientações de encontros directos com o humano.
(…) Ouve-se muitos viajantes dizer, a respeito de uma experiência num país novo, que não foi o que eles esperavam, querendo significar que não era como um determinado livro disse que seria. E é evidente que muitos escritores de livros de viagens compõem as suas obras de modo a dizerem que um país é assim, ou melhor, que é colorido, caro, interessante, etc. A ideia, em todos os casos, é a de que pessoas, lugares e experiências podem sempre ser descritos por um livro, de tal modo que o livro (ou texto) adquire maior autoridade e uso do que a própria realidade que descreve.
Edward Said, Orientalismo representações ocidentais do Oriente, Cotovia 2004 (p. 108)
2.8.05
Caravanserai

The Desert Ship (image and text from IslamicArt)
Muslim civilization always has been mobile.
Both the Arabs and the various non-Arab conquerors from Central Asia were originally nomadic and inherited a tradition of travel.
And the Faith of Islam imposed upon the Faithful the most powerful of all motives for travel, performance of the hajj or pilgrimage.
In the harsh conditions and inhospitable countryside of most Islamic countries, travelers had a frequent need for places of rest and shelter in areas between the widely spaced cities and towns.
This led to the construction of caravanserais (Merchants' Inns).
The word 'caravanserai' is derived from the Persian "karwan" which signifies a company, or "caravan" of travelers in a serai (large inn).
Muslim rulers often built and maintained serais on major travel routes to foster the political cohesion, trade safety, and economic growth of their kingdoms.
(Tribute to a travelling CSA)
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