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La force des choses
12.2.08
 
Gedanken uber Nietzsche – resposta ao Luís
Peço desculpa pela demora, com a idade o tempo torna-se um recurso escasso, não é só porque diminui em sentido lato, mas também porque aumenta o tempo de resposta cerebral, lol… Deus te preserve da velhice!
Bom, é verdade Luís, além de Bergson, tenho também um interesse especial por Nietzsche, é como um amor antigo… mas o gosto transformou-se em desgosto.

Quando novo, Nietzsche atraiu-me mais que qualquer outro (com uma excepção no velho Sócrates); Desde cedo eu senti aversão aos grandes sistemas complexos, completos e muito reluzentes de “verdade”, como as filosofias de Kant e de Hegel. Além das dificuldades de compreensão (nunca é demais repetir, sou bem limitado) parecia-me que a filosofia não podia aproximar-se do mundo à maneira da Ciência, numa forma conceptual.

Nietzsche deu-me isso, atraiu-me o seu anti-racionalismo poético, o quebrar do poder da filosofia abstracta – apesar dessa ruptura ter começado, de facto, com Schopenhauer. Atraiu-me também o amor à vida que nele, contrastante com a frieza conceptual dos grandes sistemas anteriores. A partir da Genealogia da Moral – e depois no Ecce Homo, onde se auto-revela – surge muito forte o repúdio do cristianismo. Senti, com desgosto, um implacável afastamento da minha própria noção de vida.
Graças a Deus, logo em seguida, encontro Bergson… tornou-se-me evidente que a filosofia da vida, podia seguir um rumo diferente. Apesar de me parecer clara, a influencia de Nietzche, para mim Die schenkende Tugend está muito mais representada na filosofia de Bergson do que na do anterior: A Humanidade não é um simples meio para o Super-homem, é o objecto do Amor de Deus.

Gostava de ser curto, mas com Nietzsche é difícil… Confirmo que, sim, temos interpretações diferentes. Mas aplico-me a referência mesma do mestre (na Genealogia da Moral) a Lutero (na Dieta de Worms): “Eis-me aqui, não posso fazer de outra maneira; ao menos tenho a coragem do meu julgamento”
Primeiro que tudo, sei que Friedrich Nietzsche não era um proto-nazi, e que abominava os totalitarismos (amando a liberdade), que abominava os nacionalismos e militarismos (em particular, da Alemanha), e os mitos racistas, como é o anti-semitismo (admirava mesmo o povo judeu e os profetas de Israel).
Devo também dizer, que sei perfeitamente que a sua obra - editada desordenadamente, muitas vezes, mal traduzida e incompleta, a isso se prestava - foi manipulada e falseada, em particular pela irmã, de forma a caucionar a ideologia Nazi. Nietzsche com toda a probabilidade nunca aceitaria apoiar essa gente, e por muito menos afastou-se de Wagner.
Finalmente, quando dizes “é imperioso conhecer bem o léxico de um filósofo antes de nos apressarmos em juízos”, faz-me a justiça de não me julgar tão simples; com a desvantagem de não saber alemão, claro que tive que buscar ajuda (por sinal muito favorável ao filósofo), para reler a obra. Como já disse o Eduardo Lourenço, a filosofia de Nietzsche é de uma equivocidade irremediável; cada conceito encerra em si uma multiplicidade de significados que, na prática, chegam a subverter o princípio da identidade.
Mas não é disso que falo. De todo!

A minha condenação de Nietzsche não é política, é moral; o que digo - acompanhando o próprio - é que há uma incompatibilidade irremediável entre o cristianismo e Nietzsche; a moral cristã é altero-centrica e a proposta por Nietzsche é ego-centrica; daqui e também da separação das tipologias morais em fortes e fracos, derivou o gérmen dos horrores totalitários, e não só (mantenho que o existencialismo ateu também bebe desse veneno, mas é outra história).

Quando dizes que “Nietzsche reconhece a nossa condição de escravos mas tem os olhos postos na nossa condição de mestres” e que “na sua visão, é possível que todos se tornem mestres e ninguém escravo”, acho que és mais do que benevolente, estás a contrariar o mestre; é aqui que reitero o erro dele e é este o pomo discórdia.
Não estarei, talvez, a ver as coisas correctamente, como dizes.
Mas estou bem acompanhado… as palavras que disse, são quase textualmente as de Bergson (foi quem me chamou a atenção)… vai mesmo em francês “(…) ce dimorphisme ne separe pas les hommes en deux catégories irreductibles, les uns naissant chefs et les autres sujets.
L’erreur de Nietzsche fut croire à une separation de ce genre: d’un coté les «esclaves», de l’autre les «maitres». La vérite est que le dimorphisme fait le plus souvent de chacun de nous, en meme temps un chef qui a l’instint de commander et un sujet qui est prêt à obeir, encore que la seconde tendance l’emporte au point d’être la seule apparente chez la plupart des hommes.” Les deux sources, Bergson, PUF 1976, p. 296

A essência do Ser é a vontade de poder, isto é, na forma simples, uma polaridade essencial de ser mais;mas que pode ser positiva ou ser negativa. Na genealogia moral, essa antítese conduz à oposição “fraco-forte”, que se traduz por um lado no tipo gregário, passivo, defensivo, vulgar, em oposição a um segundo tipo (aqui reside o dimorfismo) solitário, activo, agressivo, nobre. Nas palavras do mestre: Os fortes aspiram a separar-se e os fracos a unir-se, se os primeiros se reúnem é para uma acção agressiva comum, que repugna muito à consciência de cada um; pelo contrário, os últimos unem-se pelo prazer que encontram em unir-se; porque isso satisfaz o seu instinto, assim como irrita o instinto dos fortes.” (Genealogia a Moral)

Mantenho, com Bergson, que para Nietzsche, esse antagonismo é profundo e inultrapassável. Mais, que para Nietzsche, isso deve ser interpretado, não como uma antítese para se resolver numa síntese, mas como separação que divide e distingue; “Para que os enfermos não contagiem a sua doença aos sãos, é preciso fazer uma rigorosa separação… deverão os sãos ser médicos dos fracos?... Não, porque não saberiam este ofício, e porque o elemento superior não deve rebaixar-se até ser instrumento do inferior. Os fortes devem defender-se; a sua importância é maior; são eles a garantia do futuro, os responsáveis da humanidade. O que eles podem e devem fazer, nunca o deverá nem poderá um doente; mas eles tão pouco o poderiam fazer, se fossem médicos, consoladores, ou salvadores de doentes!” (Genealogia a Moral)

Uma selecção natural á maneira de Darwin…
Por isso não podemos confundir isto com a oposição hegeliana (anterior) entre mestre e escravo, essa sim dialéctica e admitindo funcionar com reciprocidade nas relações entre os dois conjuntos (biunivocamente). Nos seguidores hegelianos da asa esquerda, o conceito de “dominante” refere-se apenas ao grupo que controla o poder, mas esse pode mudar.
Não é assim para Nietzsche, aí os que seriam “naturalmente” dominantes não o são hoje; de facto estão escravizados pelo número massivo dos verdadeiros escravos. A oposição nietzscheana baseia-se numa clivagem, numa ruptura na humanidade, que Nietzsche nem deseja reduzir, mas pelo contrário acentuar (e libertar os “naturalmente” nobres): “Os doentes são o maior perigo da humanidade; (…) Os desgraçados, os vencidos, os impotentes, os fracos são os que minam a vida e envenenam e destroem a nossa confiança. Como escapar a este olhar triste e concentrado dos homens incompletos? Este olhar é um suspiro que diz: “Ah! Se eu pudesse ser outro! Mas não há esperança: sou o que sou; como poderia libertar-me de mim próprio? Estou cansado de mim próprio!...” (Genealogia a Moral)

O antagonismo entre os fortes e os fracos deve ser forçado ao limite, para que no futuro possa surgir de um lado, nitidamente separado, o rebanho da normalidade, da uniformização, do gregário, e do outro uma a elite de homens elevados, nobres, excepcionais, dominando a massa inferior; é dessa elite que irá aparecer um ser novo, cuja diferença para o homem, é como a que existe entre o homem e o animal. O homem é a ponte entre o animal e o super-homem e isto é evolucionismo puro…
A ascensão na filosofia de Nietzsche é em direcção ao super-homem, que representa a ultrapassagem do homem. Ergue-o no tempo futuro, forte, independente, nobre, com uma única regra moral para si mesmo, na armadura da dureza, livre da brandura degenerada da moral cristã. Mas… e porque devemos nós esforçar-mo-nos para a vinda de tal ser, porquê sacrificar milhões de homens a um egoísta numa escala colossal… por muito nobre que possa ser?
A essência do conceito de moral não implica uma relação, a biunívocidade? Pode-se chamar moral à entrega a si mesmo? Haverá mesmo uma moral solipsista? Para quê, se o super-homem irá viver solitário esplendor futuro?

Quanto ao efeito da moral egoísta na humanidade, peço auxílio a um filósofo que penso (este sim) comungamos ambos: “É fácil ver que o recurso a técnicas (de aviltamento) só é possível num mundo onde os valores universais são calcados aos pés; (…) esses mesmos valores no seu âmbito referencial, isto é, enquanto conferem á existência humana – a toda a existência humana – a sua dignidade própria. De passagem direi que neste caso é impossível não imputar a Nietzsche alguma responsabilidade, pelo menos indirecta, nos horrores de que fomos e somos testemunhas.
(…) Para além do bem e do mal ele quis instaurar um bem superior. Isso não impede – ou ele não viu ou erradamente julgou poder pô-lo de parte – que no nível da experiência, o para além se transforma num para aquém e (…) a transcendência se resolve em transdescendencia. Pense-se o que se pensar finalmente da oposição entre a moral dos senhores e a dos escravos, e admitindo que ela possa ter sentido aceitável, é evidente que introduzida na História, a distinção só podia degradar-se e levar ás piores aberrações.” (Gabriel Marcel, Os homens contra o homem)

Nietzsche estava possuído de um ideal para os homens, não estava contente com o homem tal como ele é, na sua pequenez e miséria. Honra lhe seja feita por isso!
Era um idealista por temperamento e até era religioso, embora… ateu.
No entanto, na minha perspectiva, falseou a posição e a meta do homem.
A sua filosofia, apesar de todos os protestos em contrário, parece-me radicalmente pessimista.
Apenas aceitando o sofrimento da vida, mas reconhecendo o apelo divino, pode a Humanidade saltar para fora do Niilismo – que Nietzsche tanto abominava – e retomar o verdadeiro caminho da ascensão da vida. Para Deus.
Porque o homem procedendo do Criador, estará destinado a voltar para ele, não a negá-lo para se tornar Deus; Aí tens em Nietzsche, o pecado original.
O Super-homem para se erguer, fá-lo necessáriamente sobre o abater e amesquinhar do humano. Ao contrário de Jesus.

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Comments:
:)
Depois destas palavras assim deixadas para meu deleite não sei dizer mais nada!
Só:
Obrigada!
Ando com uma vontade destas "conversas de café" como já (quase) as não há..........

(ai, como tinha saudades de me perder - no tempo - por aqui!)
 
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