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La force des choses
7.2.07
 
Todas as coisas são lícitas, mas nem todas as coisas edificam (I Corintios 10-23)
Sou cristão de raiz católica.
Sou contra o aborto.
Vou votar sim.
Vou votar sim à despenalização do aborto até às dez semanas, por opção da mulher; nem mais nem menos, como bem lembrou o Daniel Oliveira
Como no suicídio assistido (não eutanásia, que é costume referir), chocamos aqui com a “sacralização” da vida, valor intocável que postula como imoral a acção voluntária de matar, independentemente do sofrimento que a manutenção da vida possa infligir sobre o próprio ou sobre outros.
Não darei muitos argumentos.
No fundo resume-se no “direito á vida” versus o “direito à escolha” (pelo meio fica o sofrimento) mas as “justificações” invocadas (racionais ou culturais) exprimem essencialmente o sentimento de quem as usa, nesse sentido são instrumentais. No fim será sempre uma questão resolvida no íntimo de cada um.
Pessoalmente, tenho um conflito de consciência.
Há o ser humano em potência, o futuro possível, o argumento de Marquis: Se os fetos têm o direito moral à vida, então o aborto é errado.
Vejo o aborto como um mal moral que deve ser evitado (e aqui entra a questão da contracepção, um tabu católico).
Mas penso que a vida sendo um valor fundamental, não é um absoluto incondicional e distingo a "vida" da "pessoa". De qualquer forma, não incluo no homicídio, a interrupção da gravidez até às dez semanas (obrigado Miguel pelo texto do padre filósofo).
“Aparentemente, a opção é simples.
Mas compreende-se a perplexidade do cidadão, que, por um lado, é a favor da despenalização – despenalizar não é aprovar (…) - e, por outro, sente o choque de consciência por estar a decidir sobre a vida, realidade que não deveria ser objecto de referendo. O mal-estar deriva da colisão dos planos jurídico (eu diria ético) e moral”
são palavras do padre Anselmo Borges
Na minha vida já aceitei e apoiei duas vezes “abortos”, que me penalizaram até hoje; dificilmente aceitaria outro. No anterior referendo, por isso, votei não, mas com a consciência pesada. Moralmente sou contra.
Mas quando católicos aceitam a despenalização mantendo o “ilícito”, não estarão a reagir eticamente, sem se hipotecarem moralmente?
Existem outros ilícitos reconhecidos na lei; o adultério, por exemplo, é um deles, ninguém vai preso por isso.
Na minha visão o balanço mudou, desta vez vou votar sim e deixo a decisão à própria pessoa mulher grávida. No respeito pelo livre arbítrio que o Pai nos deu, éticamente digo sim.
Acresce um problema público inaceitável. Ao dizer não à despenalização não impediremos o aborto clandestino, como sabemos. O que se pretende então? Apenas dificultá-lo, sabendo que existe dor moral e física das mais frágeis da sociedade?Pergunto, como assistir as pessoas se as condenarmos à clandestinidade. A meu ver é aí que entra o Estado.
“O Estado (...) não pode eximir-se à obrigação de não abandonar as grávidas que pensem em interromper a gravidez à sua própria sorte e à sua decisão solitária (porventura na maioria dos casos pouco informada)” palavras do penalista Jorge Figueiredo Dias, citado pelo Miguel.
Voto sim, igualmente com um peso na consciência.
Mas voto…

Comments:
Quanto vale uma vida em potência?
Deve o Estado proteger uma vida em potência?

Deve o Estado dar o poder a alguém para arbitráriamente acabar com uma vida em potência?

Para onde caminhamos com este poder que o Estado quer dar a algumas pessoas para acabar com uma vida em potência?

Não encontro diferenças entre os maus tratos às 6, 7, 9 semanas, ou aos 2,3 anos.

Vou votar Não.
 
Lusitano
eu encontro diferença entre as 9 semanas e os 2, 3 anos.

Respeito a tua opinião e só te peço que exerças o voto.
Seja qual for o resultado, ele deve reflectir a sociedade, para ter legitimidade.

abraço
 
Posso fazer minhas as palavras desta resposta ao 1º comentário? Talvez porque "trabalhei" com essas vidas que tinham chegado ao lado de cá do ar sem serem desejadas... toquei-lhes e isso toca mais que a (apenas) possibilidade das semanas breves (sim, claro que sim, importantes) 6, 7, 9 ou 10...
Também creio que o dilema é ético mas também julgo que só recorre ao aborto quem não deseja - de todo - aquela maternidade... e que não pode e que não sabe e que não suporta essa possível maternidade...

Mas quanto ao problema (o mais pequenino, o meu):
Vou votar sim pela segunda vez. E pertenço ao grupo que jamais se imaginaria capaz de um aborto. Ainda por cima, sendo mulher, poderia ver-me confrontada, eu mesma, com a situação... não me atreveria. Mas eu sou eu e não é a minha vida que está a ser julgada no referendo. São outras. Exactamente. Vidas que não conseguem (quaisquer que sejam as suas justificações) que não conseguem desejar deixar crescer vida em si. Como penalizar? Como julgar e culpar uma incapacidade sentida? Não me atreveria nunca a julgar... e, também por isso, faço tudo que posso no sentido da promoção da responsabilidade, da informação, do apoio, do que queiram chamar ao que é a função educativa de quem lida com jovens e gente de todas as idades e faz questão de não fugir a assuntos-dilema, a questões morais, de cidadania, de repeito pelo outro... continuo a acreditar que ninguém fará do aborto método contraceptivo... a única coisa em que ainda não acredito é na parentalidade responsável mas, apesar disso, continuam a nascer bebés sem dias/vidas minimamente assegurados e sobre isto devíamos conversar a sério, muito a sério no pós referendo. Aconteça o que acontecer...
 
"Mas eu sou eu e não é a minha vida que está a ser julgada no referendo"
obrigado Maria

"devíamos conversar a sério, muito a sério no pós referendo"
já sabes que se não for agora, nunca mais se fala...
nós, sociedade, somos pouco sérios, e o que vemos é o espelho de nós próprios, não de extraterrestres caídos do céu.

Por isso é importante que se reduza a abstenção, para que o resultado seja o espelho da sociedade.
Porque se a abstenção tira legitimidade ao resultado do voto, também a tira aos críticos do resultado, seja ele qual for.

abraço Maria
 
"contracepção, um tabu católico"???!!

Mas que igreja é que frequentas, cbs? Não sabes o que dizem textos actuais ou os "responsáveis romanos", como tu lhes chamas, da Igreja Católica sobre a contracepção?
Nunca ouviste o que se discute nas equipas de casais, nos famosos CPM, que pululam nas paróquias?
Desconheces o trabalho de freiras e padres e missionários que distribuem gratuitamente preservativos nos bairros de lata e ensinam as mulheres a tomar a pílula (presenciei eu, onde trabalhei em Câmara de Lobos, na Madeira), em Portugal e espalhados por África e na América Latina?
 
Sim, desconheço CC
pensava, e ouvi isso a padres, que a Igreja condena o uso do preservativo (nunca percebi porquê)
Só há pouco tempo ouvi aceitar o seu uso, mas em casos limite, como a pessoas com Sida.

Pensava também que a pílula e o DIU eram condenados por ser considerados abortivos.

mas admito desconhecimento... faz tempo que não vou à missa :)
agradeço-te pois se me esclareces

abraço
 
Paulo, o apòstolo dos gentis, o mais polemico de todos. Sempre admirei este homem do cristianismo, o perito arquiteto, como ele mesmo se chamava. Com relação a interrupção da gràvidez?, pronto, eu sou pelo SIM sem ser portuguès. È que estamos a falar de um Paìs civilizado, educado, onde existe a pìlula e o preservativo, o sexo seguro. Como diz o comentario de cima, em alguns lugares atè as freiras repartem nos sitios mais pobres. Portugal, onde existe o conhecimento de "causa e efeito". Com relação ao resto, è decissão de cada mulher, porq deve o Estado penalizar o que è uma decissão de direito pessoal?..e de moralidade que ninguem fale (nem o Estado nem a Igreja) !
 
O texto de Figueiredo Dias completo. Para que se perceba que ele não diz que a lei deve apoiar as mulheres para poderem abortar. Antes pelo contrário, diz que a própria lei e o Estado têm obrigação de as apoiar nessas situações de forma a dissuadir a decisão de abortarem, oferecendo-lhes outras alternativas.

"O Estado (...) não pode eximir-se à obrigação de não abandonar as grávidas que pensem em interromper a gravidez à sua própria sorte e à sua decisão solitária (porventura na maioria dos casos pouco informada); antes deve assegurar-lhes as melhores condições possíveis de esclarecimento, de auxílio e de solidariedade com a situação de conflito em que se encontrem. Sendo de anotar neste contexto a possibilidade de vir a ser considerada inconstitucional a omissão do legislador ordinário de proporcionar às grávidas em crise ou em dificuldades meios que as possam desincentivar de levar a cabo a interrupção".»


A bold está o que faltava ao texto e que sem essa passagem serve para se retirar uma conclusão errada.
 
O que o teórico de Direito diz é que até seria inconstitucional a lei permitir o aborto sem o evitar e sem oferecer alternativas às mulheres que se sentissem nessa situação dramática.

Isto é o oposto do que foi escrito no post.
 
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