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La force des choses
20.6.05
 
Não, não vou por aí

O papão do Fascismo (simétrico do papão do Comunismo) que serviu
para legitimar todas as arbitrariedades revolucionárias entre 1974 e 75.
(desenho de Álvaro BC)

Faz hoje uma semana que morreu o cidadão português Álvaro Barreirinhas Cunhal (1913 – 2005).
Apesar da pregação, contrária ao culto de personalidade, ABC era evidentemente um líder carismático no sentido que Max Webber dá ao termo.
Confesso que, apesar de o saber, me surpreendeu o rio de gente que acorreu ao funeral.

Em 1974 eram manifestações assim, inundando ruas, que levaram a temer e acreditar no domínio do PCP.
Até que um dia a Alameda se encheu com Mário Soares.

Da pessoa, sei quase nada, para além de uma face opaca que sempre se apresentou como transparente.
Do artista, admiro-lhe a sensibilidade do desenho e da prosa; Não o prefiro mas isso é apenas questão de gosto.
Mas é do político que posso e devo falar.
O artigo do VPV, ultimamente muito citado, já disse quase tudo.
Não estão em causa virtudes de carácter; ele foi impar, sem interesses pessoais e muito coerente.
Salazar também.

A dita “Revolução” começou com um pronunciamento militar cujas metas se limitavam a sair de África e convocar eleições para uma Assembleia Constituinte. A partir de 28 de Setembro, a "máquina" do PCP aproveitando o vazio político, tentou uma “revolução de Outubro”.


Aconteceu então um “abater” de gente, polvilhado com oportunismos e acertos de contas, alimentado e comandado pelo PCP, isto é ABC.
ABC implantou um arremedo de sovietes no Alentejo e afirmou nunca permitir uma Democracia de Parlamento em Portugal.
ABC com o apoio do MFA tentou primeiro adiar eleições, depois subverter o processo constitucional, nunca reconhecendo a distribuição dos votos como representativa do Povo Português.

A Democracia de Parlamento (burguesa) que temos hoje, nada deve a ABC.
A Democracia de Parlamento (burguesa) deve-se a Mário Soares e Costa Gomes, presidente, quando em 25 de Novembro de 1975, evitou uma guerra civil.

Venho de um tempo em que todos tivemos de nos inscrever, doesse a quem doesse (por vezes ao amigo, ao irmão).
Admito estar mal colocado para me aperceber da luminosidade do cidadão ABC.
Que me perdoem, se puderem, os meus amigos de esquerda (coisa que não sei o que é), mas já ninguém escolhe por mim; isso sim, devo-o a Abril.

Nunca estive com ABC, nunca o considerei democrata.
Democracia para mim não é só igualdade (perante o Estado), é principalmente Liberdade.
Preferi e prefiro lavar o chão de um país livre, a viver naquilo que em 1975, apenas descortinei; a ideia do “Socialismo real”, o maior embuste do século XX.

A única forma de respeitar os meus amigos de esquerda, no dia da morte de ABC, foi calar-me.

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Comments:
oh como eu gosto de si....pode-se dizer
 
lavar o chão de um país livre...
Posso dar-lhe um abraço?
E fumarmos uma cachimbada?
 
I.
C.
agradeço a vossa comprensão.
tinha isto engasgado há uma semana.
tenho amigos que se dizem da esquerda, não gosto de os xatear.

Tenho amigos da direita que me acham comuna, também não gosto de os xatear.

Mas isto dói-me muito, foi a minha guerra... é a minha vida.

Abraço a ambos
 
Vamos lá ver. Não, não sou ainda o caquéctico republicano coçando as vitórias da juventude.
Isto para te dizer o quê? Que quando, com a morte de Cunhal, considero que o mundo mudou, não é no sentido pequeno do velho que se lamenta da juventude (o que de resto estaria acontecer com alguma precocidade…), nem que tenha exactamente mudado naquela semana, mas que, para todos os efeitos, o mundo marcou simbolicamente a sua mudança, sobretudo com a morte do Cunhal. Note-se que não foi por acaso que teve a repercussão que teve na imprensa internacional, era o último ‘ortodoxo’. Com Cunhal morre o ideal Comunista no mundo ocidental (na categoria ‘resto do mundo’ falta o Fidel). Esta é já uma morte a ter em conta.

(… e ao contrário do que tantos hoje apregoam e independentemente do que ocorreu nos casos de comunismo real, nunca a história poderá equiparar o fenómeno comunista ao fenómeno nazi. O ideal comunista é belo. O nazismo pode ter sido sublime, como a visão de um vulcão em erupção é sublime, mas é desde os primeiros escritos repugnante. Um nasce como uma filosofia da acção e da emancipação, herdeira dos ideais iluministas, o outro, é ausente de qualquer filosofia, de qualquer pensamento, é pura reacção (na acepção original de reagir a…:)).

Mas há outra morte mais profunda que aqui acontece. O que toda a arte e toda a cultura nos dizem é que o homem sem crença não passa de um animal e depressa regressará a esse estado. E é a segunda vez que uma grande crença morre. Isso tem um lado trágico. Trágico porque o resultado traduz-se sempre em perda. Deixamos de pensar no que nos transcende, primeiro, e, agora, no que temos o dever de fazer pela humanidade de que somos uma pequena parcela – e não tudo como hoje se tende a pensar.
Trágico porque com qualquer das mortes o pensar do homem encurtou, perdeu um domínio, mesmo se se alargou. Quem pensa hoje seriamente na morte a não ser quando sente a sua sombra? E no entanto isso muda a vida toda. Quem pensa hoje em plantar árvores que só abrigarão os netos? No entanto sem isto não há comunidade humana (em grande medida os incêndios são apenas uma das cruzes desse egoísmo geracional) . Se a morte de Deus, como jus dizer-se, matou a primeira questão, a morte do Comunismo, trata de assegurar a morte da segunda.
Num certo sentido é correcto pôr o comunismo como a crença dos descrentes. Nunca houve ausência de crença, mas confronto de crenças. Mas não a haverá hoje? Há. Vejamos a que nível. Por cima uma vaga crença numa comunidade internacional – a que muitos não sem razão chamam pensamento único –, que ninguém hoje consegue imaginar o que seja e que Babel largamente desaconselha, por baixo a pluralidade das micro-crenças satisfeitas no mercado, isto é, satisfeitas. Agora, como se constrói uma grande comunidade sem crenças e desejos comuns, senão à força? É ao que estamos a assistir. A última vez que isso foi tentado, ainda que à escala do mundo de então – se exceptuarmos o desejo sem pés do internacionalismo comunista, que de qualquer maneira será um caso diferente –, foi na Idade Média. Só que então havia uma crença arreigada que nos movia, havia uma língua franca, o latim, e um ideal, a criação da Cidade de Deus. Na prática no que é que se traduziu? Em cruzadas contra o resto do mundo de então, depois em cruzadas contra as heresias internas que reactivamente se multiplicavam ameaçando destruir por dentro uma tal ambição, entre elas a famosa chacina dos cátaros e albigenses e o culminar na criação da Inquisição. E, então, havia uma ideia, uma crença. Hoje, assistimos, e não sou o único a pensá-lo, a algo de tragicamente semelhante, com uma grande diferença. Onde antes havia uma crença e ideias, e naturalmente a possibilidade de resistir com outras crenças e outras ideias, o que, finalmente, levaria ao fim da Idade Média, hoje as ideias e as crenças passam por um momento de fragilidade inusitado, vive-se para o presente e para o umbigo. E como sempre nestes momentos, a ideia única esconde as botas cardadas que a besta humana sempre enverga sob a maciez de um paraíso de liberdade e democracia económica que exige uma imposição aos infiéis que a não entendam, a bem, dizem-nos, da humanidade. Só que a ideia única hoje não é ideia, sequer pensamento, mas apresenta-se-nos como a fatalidade do fim da história e da vitória do liberalismo, por sua vez apresentado, ironicamente, como um novo paraíso na terra. E como se realiza tal coisa? Ninguém sabe, mas todos o aceitam porque as alternativas não se perfilam. Não há crença ou ideias no sentido quase épico que permite o carácter do santo ou do camarada Álvaro. É a essa morte que andamos a assistir. Os fundamentalismos, o da América vermelha de onde provem Bush ou o da Al Qaeda, são o estertor ainda da ideia religiosa e já da ideia de militância. São crenças desesperadas, e são aquilo em que o mundo ameaça tornar-se dividido entre extremismos anacrónicos e o império do sub-homem, o homem com letra pequena que come pizas e hamburguesas frente à televisão, escreve onanisticamente em blogues e diz sim e amém.
E a farsa liberal democrata segue com os exemplos que se vêem. Ao rever um discurso de Cunhal, aquando da queda do muro, fiquei admirado como a veracidade das suas previsões. Dizia ele que, agora, o grande capital se internacionalizaria selvaticamente, que assistiríamos à economia a dirigir a política, que veríamos o grande capital, sem qualquer rebuço, a invadir países e a fomentar a divisão interna em outros com justificações mirabolantes incentivando os extremismos que na lei de terra queimada lhe abririam o terreno.
E o que temos senão isso? Iraque, Irão, Síria e o mundo árabe em destruição acelerada, demonizado, convidando a ódios religiosos que justificariam as manobras (qualquer especialista em terrorismo sabe que a morte de Hariri não foi obra da Síria, até porque foi feito para a destruir – como nos romances policiais, nunca o assassínio é o mais aparente, sobretudo se só tem a perder com o acto – , a marca da mossad está em todo o lado, só eles, seja-lhes reconhecido o profissionalismo, seriam capazes de um crime tão limpo).
Nunca como hoje as coisas foram feitas com tanto descaramento sem que ninguém as veja.
Outros exemplos? A construção de uma Europa política dos cidadãos, desde que estes digam sim. Caso contrário, os governos decidirão por eles – neste caso, pela primeira vez, estou ao lado do Pacheco Pereira. A política nacional deixou de existir, nada os países podem fazer porque as directivas condicionam as políticas. E assim vai o mundo.
Pela segunda vez, o ocidente moderno desaprende a arte da auto-construção, a ficção fundamental que é ser-se humano e que exige uma ética pública, a formação de caracteres, a discussão de ideias. E isto a nível individual como social. Entramos no tempo do homem com letra pequena, do homem cansado que vive no melhor dos mundos, não é...?
Vamos ver o que virá a seguir. Não quero ser pessimista. Mas, na minha humilde opinião, sobretudo hoje, ao contrário mais uma vez do que se apregoa com a morte das ideologias e o fim da história, sobretudo hoje, é importante voltar a fazer as perguntas que nos desabituamos de fazer, sob pena de um novo caos propício a novos totalitarismos, desta vez a outra escala.
Sobretudo hoje, convém perguntar se as ideologias como os mitos morrem ou se se transformam e não julgar precipitadamente, como muitos tem feito, um homem que deu a vida por um ideal.
 
Tinha já outra coisa enorme escrita... mas depois li este "não, não vou por aí", que me saltou aos olhos como que a dizer, não, não vás, tu também, por aí... então faço isto assim: Não podia ficar calada... e, talvez assim: há uma frase, mais ou menos como direi já, já: "posso não concordar com o que dizes mas luto para que o possas dizer"... + ou - isto, da Amnistia Internacional, ora esta morte é um Bocado de História que se remata sem que tenha chegado ao fim A História... e poder dizer o que nos vai na alma, às vezes calando (como quando não queremos magoar os Amigos!) é A Liberdade que importa muito preservar!

e... efectivamente, a vida só é mesmo cheia quando há um motivo, uma razão, uma convicção... pelo/a qual estivéssemos dispostos a morrer...
 
Não quero ser mal entendido. Gosto da forma sensível como pensas e escreves. E começo por referir que fizeste bem em dar tempo ao que sentiste que não podias deixar de dizer. Há duas coisas que me chama a atenção no teu texto. A primeira é a de uma enorme injustiça: "o papão do fascismo..." contrapondo-o ao "papão do comunismo". Creio que não te dás conta, ao forçares o exercício de estilo através da comparação, que é mais produtivo não misturar estes dois papões. O papão do fascismo não atravessou apenas a linguagem dos comunistas ou do pessoal de esquerda. É espantoso verificarmos como ele contaminou também os programas das pessoas e partidos que hoje arrumamos à direita. O fascimo em portugal foi mais do que um papão, foi uma realidade. O comunismo em Portugal nem com toda a bondade argumentativa, existiu. O papão do fascismo em Portugal como tu dizes foi agitado de forma mais viva nos dois, três anos subsequentes ao 25 de Abril (e deixou de fazer sentido a partir de 80) quando tudo ainda estava marcado na memória. E não é preciso comparar-nos com outros processos de mudança de regime para se perceber o como tudo foi calmo entre nós, pois não? Falar do papão do fascismo não é mais do que criar um papão, o do papão do papão do fascismo. Ora esta lengalenga que tresanda a cacofonia entarmela-nos a lingua. Segundo aspecto, dizes que a Cunhal a Democracia Burguesa nada deve. É uma visão da história e da comunidade que não perfilho e que é pura retórica ideológica. Se até a Marcelo Caetano ela é devedora! Uma coisa é reconhecer que se ABC tivesse dirigido Portugal teríamos todos a lamentar terrivelmente esse facto. É um exercicio de ficção política mas à luz dos dados disponíveis, assino por baixo. Outra coisa é dizer essa alarvidade. A democracia burguesa somos nós todos e vimos os todos que estiveram na despedida ao velho lider comunista (eu não estive lá). Estavam enganados? Possuídos de um assomo antidemocrata? Não. Por mais estranho que pareça a nossa história, a história da nossa democracia ficou mais rica quando nos despedimos colectivamente de Álvaro Cunhal.
 
Jpn
Gosto do que escreves.
De certa forma também sei "quem és".
Compreendo o que dizes.
Não estamos de acordo em várias coisas, como por exemplo, naquilo que foi o dito "Fascismo" em Portugal.
Estamos de acordo noutras, como por exemplo, na relativa brandura da revolução de Abril, quando comparada.
É aliás o mesmo, quando se compara o regime salazarista, com o Nazismo, o Fascimo italiano ou até o Franquismo, não será assim?
Mas não se comparam os crimes do regime de Salazar com os eventuais excessos do PREC, concordamos também.

No fundo sei o que queres dizer.
Também sabes o que quero dizer, está dito.

Um abraço amigo
 
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