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La force des choses
31.5.07
 
Fora do Éden

Adão: Sou um tipo liquidado.

Eva: És tolinho! Um tipo liquidado!
Que tu és mesmo desses! Ai, ai, que criança! Anda cá (dá-lhe a mão)
Ouve: tu és muito inteligente, muito habilidoso, vendes saúde, e por isso não há nenhuma razão para desanimares.


Adão:
É bom de dizer! Eu a cuidar que tinha todos os meus problemas resolvidos, e afinal estou pior que no princípio.

Eva:
E ainda bem. Vamos construir a vida pelas nossas mãos, em vez de a receber de presente numa bandeja.

Adão:
Construir a vida! Andar uma pessoa sempre aflita, a pensar no dia de amanhã…

Eva:
O encanto do futuro é esse: cada dia novo ser uma nova descoberta.

Miguel Torga, O Paraíso, in Teatro, Dom Quixote 2001


28.5.07
 
Pikes Peak

1988, Ari Vatanen e o Peugeot na rampa mais famosa da América, onde anos antes, Michele Mouton no Audi Quattro venceu também.
27.5.07
 
Dreamer
As imagens e som que a levaram a (que)crer. Ou como uma pérola pode inspirar um tesoiro.

26.5.07
 
Descoberta matinal 3

O Marion Michael faria hoje cem anos.
Não sabia... gosto da memória.
Feio, forte e feroz (parece que é o epitáfio) representará a América, no imaginário da malta velha dos fifties e dos sixties.
Talvez fosse até o único ianque a quem se perdoasse o assalto ao Iraque.
Com aquela Winchester... sempre achei cómico, ver este gigante de quase dois metros, com uma espingardita fora de escala na grossa manápula.

Parabéns então :)
 
Descoberta matinal 2




Uma alentejana loira, boa e atrevida, que o Luis teve a amabilidade de me apresentar :)


 
Descoberta matinal
No, no, no to Satan!
No, no, no to America!
No, no, no to occupation!
No, no, no to Israel!
Moktada Al-Sadr the populist Shiite cleric, speaking to worshipers yesterday on his return to Iraq

O programa teocrático externo sintetizado (o interno é a Sharia).
Tá lá tudo.
Note-se a ausencia da Europa na fórmula.
Mas acho que também lá está, na primeira negativa.
 
De Lineu
O grande Lineu apareceu esta semana no Jardim Botânico da Politécnica, como há séculos não fazia, para nos dar uma aula a todos.
Nas Jornadas Lineanas celebrou-se o terceiro centenário do botânico sueco, em passeio pelo jardim na sua pedagógica companhia.
Fiquei a saber que o ilustre sueco, era amigo do abade estrangeirado Correia da Serra, a quem via como um discípulo. O abade foi embaixador de Portugal nos Estados Unidos da América e um dos principais promotores da Academia das Ciências, tendo a sua vida num livro de Ana Simões, abordado nestas jornadas.

O oportunidade serviu também para apresentar o novo Herbário de Criptogamia, onde ficarão instalados os cerca de mil espécimes, enfim livres das infiltrações que os afectaram nas antigas instalações da cave, onde se perdeu grande parte da colecção de fungos.

Apesar do avanço da biologia molecular, permitindo a identificação das plantas através da sequenciação do ADN, o método clássico não ficou inválido e será sempre necessário continuar o trabalho de campo.

24.5.07
 
Je me retourne sur les ombres du passé...

23.5.07
 
O melhor blog do Mundo

A beleza da verdade cristã, hoje, precisa de ser acentuada. Com um estatuto editorial destes, Miguel, não me admira que não queiras perder tempo com minudencias :)
 
O Choque: bandeiras e identidade cultural

O livro de Samuel Huntington, “O choque das civilizações e a mudança na ordem mundial” foi publicado em 1996, mas o conceito foi exposto numa conferência do American Entreprise Institute em Washington, quatro anos antes. Quase a uma década do 11 de Setembro, apenas uma teoria, nada mais que uma hipotese sobre um modelo de análise futuro, das relações internacionais.
Penso que seria bom relê-lo para dissipar alguns mitos simplistas criados na opinião pública pela míope da comunicação social.

Huntington parte de uma ameaça a todas as dimensões da paz: O impacto do crescimento da população mundial sobre a instabilidade e o equilíbrio de poder
A sua tese central afirma que a cultura e as identidades culturais – religião, língua, história, valores, costumes e instituições – que a um nível mais elevado, são identidades civilizacionais, irão modelar os padrões de coesão, de desintegração e de conflito no período pós guerra-fria.
E estabelece cinco corolários da sua tese base:


1. A modernização não produziu nem uma civilização universal nem a ocidentalização do mundo, e pela primeira vez na História, a politica global é simultaneamente, multipolar e multicivilizacional; Identificam-se hoje pelo menos sete ou oito grandes civilizações: a Chinesa, a Japonesa, a Hindu, a Islâmica, a Ortodoxa, a Ocidental, uma Latino-americana e eventualmente outra Africana.

2. O equilíbrio de poderes entre civilizações está a mudar, a influência relativa do Ocidente está a decair e as civilizações não ocidentais estão a reafirmar o valor das suas culturas.

3. Está a emergir uma nova ordem baseada na civilização. As sociedades que possuem afinidades culturais cooperam mutuamente e agrupam-se em torno de estados dominantes das respectivas civilizações.

4. As pretensões universalistas do Ocidente conduzem-no crescentemente ao conflito com outras civilizações, mais seriamente com o Islão e a China.

5. A sobrevivência do Ocidente depende dos Ocidentais aceitarem a sua civilização como única mas não universal.

Não é uma obra de ciências sociais mas de relações internacionais, uma interpretação da evolução da política mundial que tenta fornecer um modelo útil para observar os desenvolvimentos internacionais. Claro que se trata de um mapa simplificado da realidade, mas como dizia William James (o pragmático, pois… lol) "sem estes modelos apenas existe uma confusão ensurdecedora". Nenhum paradigma é eternamente válido.
Mas serão os outros melhores?

- O mundo único harmonioso pós guerra-fria, de Francis Fukuyama, que sustentava “podemos estar a assistir (…) ao fim da História enquanto tal, isto é, ao ponto terminal da evolução ideológica da humanidade e à universalização da democracia liberal ocidental enquanto forma de governo”?
- Um novo modelo bipolar, recorrente ao longo da História, do nós, os Ocidentais, e eles, os bárbaros?
- O modelo dos realistas em que os estados-nação são os principais actores que num contexto de anarquia internacional, tentam maximizar o seu poder?
- O modelo dos idealistas que colocam a grande federação internacional (Nações Unidas) como a principal referência e poder na cena internacional?
- O modelo do caos (teorizado por Zbigniew Brezinski no livro “Out of Control”) com o enfraquecimento dos estados-nação, a intensificação dos conflitos étnicos e religiosos, a emergência das máfias internacionais, a proliferação dos massacres e limpezas étnicas, a proliferação nuclear, etc, etc?

Confesso que, por vezes sinto o “calafrio” deste ultimo modelo descrito.
Mas segundo Huntington os choques de civilizações são a maior ameaça à paz mundial; Evitar uma guerra global de identidades civilizacionais - Só sabemos quem somos quando sabemos quem não somos e, frequentemente, contra quem somos – implica segundo ele, que os dirigentes mundiais, para lá da ordem enfraquecida dos estados-nação, aceitem e cooperar para manter o carácter multicivilizacional da política global.
Será isto sugerir, propor ou incentivar a guerra de civilizações, as novas cruzadas ou o ataque ao iraque?
Não serão as teorias realistas, e as teses de Fukuyama de impingir a democracia ocidental do fim da História, mais consonantes com as justificações da administração americana para a operação "Iraqui Freedom"?

(dedicado ao meu irmão Antonius)


22.5.07
 
Top Gear

Video sacado no You Tube com origem no programa Top Gear da BBC.
Parece ser de 1999 e compara, com algum humor, a performance de três produtos Ford em Silverstone:
- um Cougar normalissimo
- o Focus RS WRC utilizado na época pelo Colin McRae
- o Stewart Ford V8 F1 de Johnny Herbert

A Stewart Racing foi fundada por Jackie Stewart (com o apoio da Ford) e estabeleceu-se em Milton Keynes (UK); conseguiu uma vitória com Herbert (futuro companheiro de Lamy na Lotus) e depois foi vendida à Ford para a aposta da Jaguar; o fracasso levou a Ford a vendê-la no final de 2004 à actual proprietária, a Red Bull do milionário austriaco Dietrich Mateschitz.
19.5.07
 
O melhor
Já que quantidade (títulos e corridas ganhas) não é sinónimo de qualidade, se Schumi foi o maior, outro terá sido o melhor.
Ayrton Senna da Silva, um brasileiro de sorriso triste, é esse que é hoje universalmente considerado o melhor piloto de todos os tempos.
Não por mim, que sem lhe tirar o valor, já cá ando desde os tempos do grande mago de Mantua (Nuvolari). Mas mesmo eu, estou certo que Ayrton está no podium dos três ou quatro melhores de sempre... saber qual o do topo já é discutível.


Iniciou-se na F1 em 1984 na Toleman.
Campeão do Mundo três vezes com a Mc Laren (1988, 90, 91), com 64 poles e 41 vitórias em G.P.
Ayrton Senna morreu como viveu: na frente de um Grand Prix.

Aquela fragilidade, simultâneament tão humana e tão esotérica, aliada a uma fulgurante rapidez, quase surreal, gerou para sempre um carinho especial do público. Como falar então, objectiva e serenamente, de um homem a quem a morte precoce transformou num mito?

No dia 1 de Maio de 1994 no início da tarde, em todo o mundo, muitas gente começou a chorar como se tivessem perdido um ente querido.
O desaparecimento em 1968 de Jim Clark, que foi o Senna da sua época, não teve mais que umas linhas nos jornais. Recebi essa noticia pelo telefone… e dessa vez chorei eu.
Mas no nosso tempo a formula um transformou-se numa espécie de telenovela planetária; Senna matou-se em directo perante centenas de milhões de telespectadores.

Em 1985 venceu o primeiro Grand Prix em Portugal.

Ninguém conseguiu acompanhar o Lotus negro dourado na chuva do Estoril.
Colin Chapman disse que “quando ganhas o teu primeiro Grande Prémio, todos ficam logo teus amigos; mas quando ganhas o segundo, todos te passam a olhar como um rival”.
Senna tinha todos os talentos, menos um: não se sabia defender. E os adversários perceberam isso.
Quando Piquet largou, antes do GP do Brasil 1987, aquela tirada que ficou famosa, sobre Senna não gostar de mulheres, tentava desestabilizar o homem que lhe seria muito difícil de bater em pista.
E como respondeu Senna? Corou, balbuciou umas palavras imcompreensíveis, confusas, dizendo que Piquet era um bom camarada, ou algo semelhante.

Senna perdeu.
 
O mal amado
O destino de Michael Schumacher foi imenso: o melhor piloto de todos os tempos.
Ultrapassou o grande Fangio, que se mantinha desde o início, com os seus 5 campeonatos, como o maior de todos.
Começou em 1991 na Jordan. Teve 64 poles, venceu 84 Grand Prix e foi 7 vezes campeão do mundo (2 na Benetton e 5 na Ferrari).
Foi buscar a Ferrari à mediocridade, e puxou-a para o topo novamente; tornou-se para a Scuderia aquilo que Clark foi na Lotus, o garante do sucesso.


Mas o mundo da fórmula um desvaloriza as suas vitórias, e escarnece dos seus modos foleiros.
Concretamente, que defeito lhe apontam?
Nada, é mais uma miríade de pequenos defeitos, desde logo a arrogância.

Antes dele, Senna também nunca fora um modelo de humildade, mas o brasileiro tinha charme, tinha o mistério...
No fundo, pergunto-me se, irónicamente, a formula um alguma vez "perdoou" a Michael, o desaparecimento de Ayrton, naquela funesta tarde de Imola em 1994.
Qualquer piloto que fosse campeão nesse ano, seria sempre visto como um impostor, uma vez que o rei já lá não estava para se defender. Para mais era Schumi quem pressionava o Ayrton, quando o Williams se despistou em Tamburello.

No entanto, anos mais tarde, já campeão, Michael disse isto “se Ayrton ainda estivesse entre nós, eu não teria ganho o título em 1994 nem em 1995”


16.5.07
 
Compras em Milão 3

'twist cubes' de Frank Gehry, e um ninho rendado para me cobrir a cama, um "dossel" do século XXI, lol... e acabou-se a massa :(

 
Compras em Milão 2

'wrongwoods' de Richard Woods e Sebastian Wrong; cadeira 'littlebig' de Jeff Miller

 
Às compras em Milão :)


bicharada prestável, luminosa e um "ghost" de Eero Koivisto

15.5.07
 
Design aerobics!
is your life so busy that you wish you could squeeze in some quick exercises ?

um mundo de aventuras para que fomos despertos pelo blog dos sentidos

14.5.07
 
Contra o Céu

Não compreendo os astrónomos.
Como é que nenhum deles fica doido nem se suicida?
Imagino que são homens sem fantasia e dignidade, incapazes de sentir o insulto permanente das constelações refugiadas no fundo dos desertos do espaço.

Mas um homem autêntico não pode experimentar, ante a voragem esparsa dos fogos errantes, senão ira ou terror.
O Céu tem influência sobre mim e nunca poderei ter sobre ele.
Se o contemplo amesquinha-me; se o ignoro, castiga-me.
Tem uma vida sua, misteriosa e solene, que não consigo, de forma alguma, turbar ou mudar.
Inspira-me, contra minha vontade, pensamentos mortificantes que me maltratam, me deprimem e me tiram a coragem de viver.
Por isso, prefiro não o ver.
Agradam-me as regiões e as estações em que o Céu está sempre encoberto, onde a noite é muda e total e a gente se sente sob uma colcha próxima de névoa familiar.

Os poetas, idiotas como crianças, extasiam-se diante dos vaga lumes errantes do Infinito.
Para mim, que não sou versificador nem místico, o Céu é apenas o velório sinistro onde leio todas as noites a sentença da minha fortuna de desgraça.

Sinto, como uma enchente de maré, o desejo de alcançar o apeadeiro, o apeadeiro que finalmente, me irá resgatar a esta irremediável nulidade.

aldrabado apartir de Giovanni Papini, Gog, 1945


13.5.07
 
Hamilton in front

Gran Premio de España

Massa (Ferrari) finished 6.7s ahead of Hamilton (McLaren-Mercedes), with Alonso a further 10.6s adrift.
The result moved Hamilton ahead of former record holder Bruce McLaren as the youngest driver ever to lead the world championship, with 30 points to Alonso’s 28, Massa’s 27 and Raikkonen’s 22.
“I am living my dream” he said.
 
Eis-me aqui... eu vim, ó Deus (Heb 10, 7)

12.5.07
 
Não précisa sábê pra sê félixe!

É sempre bom ir ouvindo o pasquim televisivo que dá pelo nome de “eixo do mal”. No “grande finale” habitual saiu-nos hoje a Sónia.
Ouvi primeiro em riso crescente.
Depois pensei naquilo de que me ria, era puro analfabetismo, dislexia ao vivo, miséria educativa e sei lá o que mais…


Mas novamente, e ainda matutando, apercebo-me espantado que é mesmo esta a marca essencial do tempo que vivemos.
A simplicidade mais primeva convive gloriosamente, com o conhecimento mais avançado. E dá tanto ou mais dinheiro... o ovo de Colombo tá ali, ao abrir da porta, dobrando a esquina.

Sónia a brasileira foi vista em menos de cinco dias por mais de um milhão de almas penadas.
O estrondoso sucesso do pequeno filme levou a apropriadamente denominada Omni International a dar uma mãozinha à empregada das limpezas e a transformá-la numa comerciante online. Com o slogan “Você não precisa saber de tudo para ser feliz”

Para quê estudar, aprender e saber, meus filhos? a revolução mundial da comunicação alterou o paradigma em que vivemos, desde o “ser” até ao “ter”.
A utilidade desligou-se do saber, só resta o puro prazer… saibamos então só por lazer como dizia o saudoso Agostinho da Silva, talvez esteja a chegar o tempo do Quinto dos Impérios:
Até, por tudo, crendo que estamos no limiar daquela final Idade de que profetizou o bom abade Joaquim de Flora: o governo das crianças e reino do Imprevisível; ou o Quinto dos Impérios como lhe chamavam o padre Vieira e o filósofo Silva.


8.5.07
 
O ateu perplexo
pequeno humor com ajuda do meu caro e reaparecido José :)
7.5.07
 
Democracia

Um dos móbeis dos detratores totalitários da Democracia, justificando a sua falência, é a visão desta fragmentação: vejam como o país ficou dividido, ninguém se entende... não tem remédio.

Há um século ou dois atrás, este partir ao meio, poderia levar a uma guerra civil.

Hoje não há risco, é coisa normal… e a aparente fragilidade destas cisões eleitorais, tantas vezes histéricamente exploradas pela imprensa, é mais a força do que a fraqueza das sociedades democráticas.
É esta instabilidade relativa que permite gerir conflitos sem guerra; são os edifícios com estruturas flexíveis, que aguentam a vibração dos fortes sismos.

Não são os pesados monólitos de alvenaria… esses rompem.

Nota que faltava: a taxa de abstenção situou-se abaixo dos 15%, uma das mais baixas na história da V república.

CourrierInternational


6.5.07
 
Bodies
Calirezo
Vieram bater à porta. Abri. Caíram-me nos braços.
Boas almas… corpos plastificados.
Eu já tinha a curiosidade aguçada pelo que via na net, até reforçada pelo ministro das medicinas, que achou muito pedagógico o acontecimento.

E lá passei, impelido por um estranho fascínio, recebendo lições medicinais com a própria carne debaixo de olho.
A morte transformada em arte… enquanto passava as salas, duas ideias iam bailando na minha carola.
Aqueles ossos com camadas de bifes penduradas, lembravam-me cirúrgicos carniceiros a cortar, a reparar estes bio-mecanismos que nós somos. Faltava sangue… sobrava a silicone.

Pensava também em algo mais pesado… naqueles meus irmãos cujos corpos servem agora de comércio de amostra.
Podia ser eu, podia ser o meu filho… foi o filho de alguém, foi o amigo de alguém; agora é uma forma morta, exposta a filas de espera com curiosidade mórbida.
Doentio? pedagógico? … e será legal?

Nada a dizer havendo consentimento pessoal; eu próprio gostaria que desta, ou doutra forma, me utilizassem o corpo.
Mas, e aqui bate o ponto, que sabemos nós da origem destes seres humanos?
Os primeiros que vieram da China traziam buracos de bala na cabeça. Agora, parece que são corpos sem história (mas incluem crianças), alugados pelo estado chinês durante cinco anos, com certificado de origem e óptimo estado de conservação.
Como se os cirurgiões chineses tivessem actuado rapidamente… pelo interesse de alguém… como nos diamantes de sangue…

O Ocidente dá razão, nestas coisas, àqueles que nos acusam de sermos comerciantes hipócritas e sem valores morais.
Aqui instalados, nos balofos países, cada vez mais “rigorosos”, exigindo direitos, liberdades, garantias... e dinheiro!
No entanto, para engordar os nossos corpos e almas cínicas, nutrimo-nos de bens e serviços produzidos sob o jugo da escravidão, com seres humanos sem direito a direitos.
As necessidades ocidentais de órgãos para transplante, terão levado a China, segundo a Amnistia Internacional, a montar uma quase indústria de execuções (mais de 3.000 por ano) com prisioneiros, de delito comum ou políticos.

Nós, os do Norte-Oeste, falamos de Direitos Humanos, e vamos comerciando tiranias… com toda a naturalidade.
Como pode alguém levar-nos a sério?... e de mim falo.

5.5.07
 
Praia da Luz, o terror de uns pais

my heart goes out to the McCann family

 
She's the red one
musiquinhas tontas da scuderia, há o hino "She's the red one" e oiçam a "Fiorano lap", que tem motor... no fim das coisas é o meu verdadeiro imaginário sonoro.

4.5.07
 
A face de Ra...Aton-Ra
click in
AlexLuktus

A NASA divulgou há dias, pela primeira vez,fotos tridimensionais do Sol.
As xtraordinárias imagens foram enviadas pelas duas sondas da missão Stereo, em distintas órbitas do Sol, estando uma delas ligeiramente à frente da Terra e a outra um pouco atrás, por um motivo científico: da mesma forma que a separação entre os olhos de uma pessoa fornece a percepção de profundidade, a separação das sondas permite a captação de imagens tridimensionais do Sol.
Vale a pena ver o vídeo na imagem.
3.5.07
 
O Círculo Oglala: fusão do existencial com o normativo

Os Sioux Oglala (índios norte americanos) acreditavam que o Círculo é sagrado porque o Grande Espírito fez com que tudo na Natureza fosse redondo, excepto as pedras.
A pedra é a ferramenta da destruição.
O Sol e o Céu, a Terra e a Lua são redondos como um escudo, embora o Céu seja fundo como uma tigela.
Tudo o que respira é redondo, como o caule de uma planta.
Uma vez que o Grande Espírito fez tudo redondo, a Humanidade devia olhar o Círculo como sagrado, pois ele é o símbolo de todas as coisas da Natureza, excepto a pedra.
É também o Círculo que forma o limite do Mundo e, portanto, dos quatro ventos que viajam por lá. Consequentemente, ele é também o símbolo do ano.
O Dia, a Noite e a Lua percorrem o Céu num círculo, portanto o Círculo é o símbolo de todo o Tempo.

É por essas razões que os Oglala faziam os seus tipis (abrigos) circulares, faziam os seus acampamentos em círculo, e se sentavam em círculo em todas as cerimónias.
Se alguém fazia um círculo como ornamento e não o dividia de nenhuma forma, devemos compreendê-lo como o símbolo do Mundo e do Tempo.

Eis aqui uma subtil formulação da relação entre o Bem e o Mal e da sua fundamentação na própria natureza da Realidade.
O Círculo e a forma excêntrica, o Sol e a pedra, o Abrigo e a guerra, são segregados aos pares, em disjunções, cujo significado é estético, moral (normativo) e ontológico (existencial).

P. Radin, Primitive Man as a Philosopher – New York 1957

2.5.07
 
Ethos e Mundivisão

Malangatana (sacado bem a propósito ao caríssmo Jpt)

Na discussão antropológica (recente) os aspectos morais e estéticos de uma dada cultura, os elementos valorativos, foram resumidos sob o termo “Ethos”, enquanto os aspectos cognitivos, existenciais foram designados pelo termo “Visão do mundo”.

O Ethos de um povo é o tom, o carácter e a qualidade da sua vida, é o seu estilo moral e estético, é a sua disposição, e a atitude subjacente em relação a ele mesmo e ao seu mundo, que a vida reflecte.

A Visão do Mundo que esse povo tem, é o quadro que elabora das coisas como elas são na realidade simples, é o seu conceito de Natureza, de si mesmo, de Sociedade.
Este quadro contém suas ideias mais abrangentes sobre a ordem.


C. Geertz, A interpretação das culturas – Zahar, Rio de Janeiro 1978 (um pouco alterado, que a tradução brasileira é fraca)

1.5.07
 
Do Manicómio

"Este blogue, no qual participo com muita honra e muito prazer, é, no conjunto dos posts e dos comentários que aqui são produzidos, a coisa mais estranha que já me foi dado viver na blogosfera."

Palavras do Timshel, e que eu partilho, sobre a Santa fogueira salvífico-herético-inquisitorial, na qual também tenho a dita de participar.
Haja Paz, lol
 
António Barreto

Enquanto navego a Net, vou ouvindo na RTP o programa do António Barreto, Portugal, um retrato social.
Sem grandes preocupações, tenho acompanhado um contar rigoroso da história social deste país, dos anos cinquenta até agora.

Este rememorar, ajuda a compreender as diferenças das coisas no tempo, e também como mudaram.
Pelo gosto que me dá, não posso deixar de o referenciar.
É exemplo de um programa nacional, original, de grande qualidade, bom de ver e de apreender.

Grande António... e principalmente muito mais audível que o seu polido colega do ICS, lol

 



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