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La force des choses
31.8.05
 
Do vento que passa

Seria bom seria se este sítio voltasse à vida (foto roubada aqui)

Não sou de esquerda.
Não sou de direita.
Sou velho, mas não estive lá.
Não estive lá quando os revolucionários de 1789, formaram à esquerda e à direita da mesa, para facilitar a contagem dos votos.
Não imaginavam eles quão árdua no futuro, ia ser a luta pelo uso das etiquetas.
Irónicamente, os descendentes dos que então formaram à esquerda, andam hoje por aí a defender a economia liberal e as virtudes da livre concorrencia.


Ora acontece que o sistema democrático, burguês, parlamentar, ocidental, assenta na separação das funções do Poder, para fazer conviver as contradições.
E se lermos a constituição portuguesa, veremos que o poder do presidente é destinado, não a governar, mas a garantir as regras escritas.

Tudo isto para dizer que, não estando eu com Alegre na política inteira, voto sem hesitar na sua ética politica.
Não acredito que Cavaco ou Soares se abstenham de exercer influencia sobre o governo, seja ele qual for.
Sampaio foi o único que não o fez – talvez, até por isso, permitiu o patético consulado de Santana. O contrário viu-se em Eanes (que gerou um partido) e em Soares I.

Alegre tem ele próprio sido instrumento do partido; foi-o recentemente na disputa interna; e só não foi de novo agora, porque Soares se “deixou” convencer (Maquiavel, lembram-se?).
Alegre é um homem inteiro, corajoso e respeita a cidadania republicana.
Dos três putativos candidatos, estou convicto que só Alegre não fará do Poder presidencial um instrumento;
Só ele servirá sem se servir.


 
Grandes são os Desertos

Giacomo Costa

Grandes são os desertos, e tudo é deserto.
Não são algumas toneladas de pedras ou tijolos ao alto
Que disfarçam o solo, o tal solo que é tudo.

Grandes são os desertos e as almas desertas e grandes

Desertas porque não passa por elas senão elas mesmas,
Grandes porque de ali se vê tudo, e tudo morreu.

Grandes são os desertos, minha alma!
Grandes são os desertos.

Álvaro de Campos, eng.


30.8.05
 
Nada me prende a nada

Passages Obscures

Quero cinquenta cousas ao mesmo tempo.
Anseio como uma angústia de fome de carne
O que não sei que seja –
Definidamente pelo indefinido…


Durmo irrequieto, e vivo num sonhar irrequieto
De quem dorme irrequieto, metade a sonhar.

Obras Completas, Eng. Álvaro de Campos, p. 258

29.8.05
 
The Express Train skirting the storm

Mike Danneman Art

A late afternoon thunderstorm livens up the evening sunset.
Soon, nightfall will be settling on the train and the passengers will have their beds turned down for the nocturnal crossing of Nevada.

A bright new day of crossing the Rocky Mountains will greet them at dawn.
 
A Casa Encantada


De que cor são os comboios?
Sei que os há de várias, mas para mim são sempre pretos.
Circulam sobretudo de noite e associo-os a silvos como os das aves nocturnas, elas que também têm os olhos abertos à escuridão.

Agora, já não há comboios como os de antigamente, mas quando os havia com "wagons-lit" e "wagons-restaurants", nem muito lentos nem muito rápidos, lugar mágico para todos os encontros e desencontros, que melhor podia haver para uma viagem do que um comboio?


Os aviões parecem-se com essas taças de champagne onde deitaram imensa espuma. Quando se consegue chegar ao fim, é bom, mas é tão poucochinho.

No comboio até há tempo para se sair de Roma decidido a uma separação conjugal e chegar a Paris reapaixonado pela mulher.
Nos comboios cabe a vida inteira e ainda sobeja vida.

João Bénard da Costa, Público 28 Ago 2005

É um requinte de prazer ler aos domingos este João.
Escreve com inteligente ternura, tem uma densidade erudita, e nunca se compadece com o imediato que faz a histeria dos noticiários.
A escrita do João B.C. não é para “Hac Hora”;

como que fora do Tempo, o Agora para ele tem a dimensão de um Século.



28.8.05
 
2/34 - Resposta de Leão

SCP

Marítimo 1 Sporting 2
Liedson 68' 83'

Alegrias: 4
Dores: 1

Rogério, Deivid

Liga Betandwin.com :)
. Rio Ave, Gil Vicente, Sporting, Porto, Braga 6 pts

27.8.05
 
Não me acordes

Bum Lee

De amor nada mais resta que um Outubro
e quanto mais amada mais desisto
quanto mais tu me despes mais me cubro
e quanto mais me escondo mais me avisto.

E sei que mais te enleio e te deslumbro
porque se mais me ofusco mais existo.
Por dentro me ilumino, sol oculto,
por fora te ajoelho, corpo místico.

Não me acordes. Estou morta na quermesse
dos teus beijos. Etérea, a minha espécie
nem teus zelos amantes a demovem.

Mas quanto mais em nuvem me desfaço
mais de terra e de fogo é o abraço
com que na carne queres reter-me jovem.


Natália Correia
26.8.05
 
A Coudelaria Lusitana

The Cahier Archive

De 1950 a 2005, apenas quatro portugueses conseguiram entrar na restrita elite que compete no topo do desporto automóvel: “Nicha” Cabral, Pedro Matos Chaves, Pedro Lamy e Tiago Monteiro.
O primeiro disputou cinco Grand Prix entre 1959 e 1964, apenas terminando um em 10º lugar.
O segundo falhou 13 tentativas de qualificação em 1991, com a equipa Coloni.
O terceiro correu 32 Grand Prix, entre 1993 (Lotus) e 1996 (Minardi), terminando o GP da Autralia em 6º lugar, e conquistando o primeiro ponto português na F1.
O quarto está actualmente na sua primeira temporada, com a equipa Jordan, tendo já 14 Grand Prix no palmarés e um 3º lugar no GP dos USA.



Tiago Vagaroso da Costa Monteiro
(Porto 24 Julho 1976)
Partiu para 14 Grand-Prix (1ª temporada 2005)/ Terminou 14

Jordan Toyota EJ 15
3º USA (6 pontos)
10º Barhein/ Canada

12º Malásia
13º SMarino/ Mónaco/ França/ Hungria
15º Europa/ Turquia
16º Austrália/ Espanha
17º Inglaterra/ Alemanha


José Pedro Mourão Nunes Lamy Viçoso (Aldeia Galega, Alenquer 20 Março 1972)
Partiu para 32 Grand-Prix (quatro temporadas)/ Terminou 19
Lotus Ford 107 - 1993/94 (8 corridas)
Minardi Ford M195 -1995/96 (24 corridas)
6º Austrália (1 ponto) 1995
8º Pacifico 1994
9º Hungria/ Europa 1995; S.Marino 1996
10º Brazil 1994; Belgica 1995; Brazil 1996; Belgica 1996
11º Italia 1993; Monaco 1994; Japao 1995
12º Europa, França, Alemanha, Japão 1996
13º Japão 1993; Pacifico 1995
16º Portugal 1996


Mário Manuel Veloso de Araujo Cabral (Nicha) (Porto 15 Janeiro 1934)

Partiu para 5 Grand-Prix (entre 1959 e 1964)/ Terminou 1
Cooper Maserati T51 - 1959/ 1960
Cooper Maserati T60 - 1963 (Alemanha) e 1964 (Aintree)
ATS - 1964 (Italia)
10º Portugal (Monsanto) 1959
Desistiu em Buenos Aires, Portugal (Boavista) 1960; Itália 1963; Alemanha, Itália 1964
Tem ainda um 4º lugar em Pau 1964 e um 7º em Enna 1963, mas eram provas extra campeonato.

Fez também corridas de F2, quatro em 1964 (4º em Montlhery; 6º em Zeltweg); uma em 1963; uma em 1965 (o terrível acidente de Rouen); e uma em 1973 no estreado Autódromo do Estoril (6º).
O Nicha era um "bon vivant", as corridas para ele eram superfluas.
..


Pedro António Pinto Ferreira Matos Chaves (Porto 27 Fevereiro 1965)
Falhou 13 pré qualificações (Temporada 1991)
Coloni Ford C4
Depois desta desgraça (tinha o pior carro de longe) resolveu parar de sustentar a Coloni, e foi para a América ganhar dinheiro nos Fórmulas da Indy Lights:
1993 (4º)/ 1994 (5º)/ 1995 (6º/ vencedor em Vancouver)

25.8.05
 
Monza 13 Setembro 1953 (Round 9/9)

Ascari vê à sua frente Farina (6), Marimon (54) e Fangio (50)/ Michael Turner Artwork

O Grande Premio de Italia de 1953, em Monza (la pista magica), foi a última corrida do Campeonato do Mundo sob as regras da Formula 2.
Alinharam 30 carros frente à multidão dos “tifosi” italianos.
Na maior parte da corrida, Fangio e Marimon nos Maserati, Ascari e Farina nos Ferrari rodaram juntos; 26 vezes a corrida mudou de comandante.
Na última volta, quando os comentadores se preparavam para dar a ordem de chegada – 1º Ascari, 2º Fangio, 3º Farina – o destino mudou de ideias…

Ao sair da Parabólica Ascari apanha pela frente o atrasado Connaught de Fairman.
Tenta passar por dentro mas perde aderência e parte num longo “tete-a-queu”.
Marimon toca-o e acabam ambos na paisagem.
Fangio consegue evitá-los milimétricamente e corta em primeiro; a sua primeira vitória desde que fora campeão em 1951; a primeira da Maserati em Campeonatos do Mundo.
Muitos dizem que foi a melhor corrida da época da Formula 2 (1952/53).

Apesar de não ter terminado, Alberto Ascari era já campeão (segunda vez consecutiva); os “tifosi” começaram a chamar-lhe “Campionissimo”, o igual de Fangio.
Nunca mais, um campeão do Mundo, nasceu italiano.


1º Juan Manuel Fangio (Maserati A6GCM) 501 km (80 voltas) 2H 49m à média de 178 Km/h
2º Giuseppe Farina (Ferrari 500)
3º Luigi Villoresi (Ferrari 500)
a 1 volta
4º Mike Hawthorn (Ferrari 500)
5º Maurice Trintignant (Gordini T16)
6º Roberto Mieres (Gordini T16) a 3 voltas
7º Sérgio Mantovani/ Luigi Musso (Maserati A6GCM) a 4 voltas
8º Umberto maglioli (Ferrari 553) a 5 voltas
9º Harry Schell (Gordini T16)
10º Louis Chiron (Osca 20) a 6 voltas
11º Principe Bira (Maserati A6GCM)
12º Alan Brown (Cooper Bristol T23) a 10 voltas
13º Stirling Moss (Cooper Alta T23)
14º Hans Stuck (AFM Bristol) a 13 voltas
15º Yves Giraud Cabantous (HWM Alta)
16º Louis Rosier (Ferrari 500) a 15 voltas


24.8.05
 
O maior piloto português


A corrida na Turquia foi difícil, mesmo tendo terminado a 14ª prova da sua carreira, o que aumentou o seu recorde de piloto estreante que maior número de corridas seguidas completas.
O piloto da Jordan tem um dos quatro carros menos competitivos, dos vinte que alinham em cada Grand Prix; portanto o que se lhe pode pedir é que acabe e em 17º lugar.


Tiago Monteiro acabou tudo até agora, com este palmarés:
3º USA
10º Barhein/ Canada

12º Malásia
13º SMarino/ Mónaco/ França/ Hungria
15º Europa/ Turquia
16º Austrália/ Espanha

17º Inglaterra/ Alemanha


Alguém que faça melhor...
 
Vem aí Monza
No tempo em que eu existia, uma clássica sucessão fazia-me ferver o sangue cá dentro, cheirar o rícino queimado com agudos furando os tímpanos; começava no Grand Prix do ACF (de onde a designação original), prolongava-se em Inglaterra (Silverstone, antigamente alternando com Brands Hatch), na Alemanha (o velho Nurburgring) e finalmente chegava Monza (a Catedral, evocativa dos grandes de Nuvolari a Fangio).
Vem aí Monza.

Round 14/19- GP Turquia F1/ Istambul: Raikkonen 5

Autosport

Na Turquia Kimi Raikkonen demonstrou que é actualmente o melhor piloto no melhor carro.
Venceu pela quinta vez este ano, e obteve a sétima vitória da sua carreira, na estreia da pista de Istambul, traçado espectacular, que privilegia a coragem.
309km numa hora e 24 minutos à média de 221km/h
Depois deste triunfo, Alonso e Raikkonen ficaram mais próximos, mas o campeonato aproxima-se a passos largos do seu final e o piloto da Renault está prestes a tornar-se no mais novo campeão do mundo de sempre.


Campeonato do Mundo de Condutores após 14 provas
1º Fernando Alonso (Renault) 95 pontos, 6 vitórias
2º Kimi Raikkonen (McLaren Mercedes) 71 pontos, 5 vitórias
3º Michael Schumacher (Ferrari) 55 pontos, 1 vitória
4º Juan Pablo Montoya (McLaren Mercedes) 40 pontos, 1 vitória
6º Giancarlo Fisichella (Renault) 35 pontos, 1 vitória

14º Tiago Monteiro (Jordan Toyota) 6 pontos

Round 13/19 - GP Hungria F1/ Hungaroring: Raikkonen 4


Round 12/19 - GP Alemanha F1/ Hockenheim: Alonso 6


Round 11/19 - GP Inglaterra F1/ Silverstone: Montoya 1

23.8.05
 
Terra Queimada 2


Recentemente, graças à gentileza da Zazie, li uma entrevista à Visão, dada por Gonçalo Ribeiro Telles em 14 de Agosto de 2003.

Que podia o Governo fazer? O mal vem de longe.
A grande causa é um mau ordenamento do território, ou seja, a florestação extensiva com pinheiros e eucaliptos, de madeira para as celuloses e para a construção civil.

O problema foi uma má ideia para o País, a de que Portugal é um país florestal.
Lançou-se a ideia de que, tirando 12% de solos férteis, tudo o resto só tem possibilidades económicas em termos de povoamentos florestais industriais.
É uma ideia antiga que começou nos anos 30 com a destruição, também por uma floresta extensiva, das comunidades de montanha do Norte de Portugal, que tinham a sua economia baseada na pecuária.
Esta campanha transformou a silvicultura, que era a profissão básica, numa profissão florestal, para dar resposta aos grandes interesses económicos.

O País está completamente desordenado.
Por um lado, uma política agrícola que não considera o mosaico mediterrânico, com agricultura, pecuária, regadio e horticultura, os matos, as matas, todo um mosaico interligado e ordenado. E tem que haver duas intenções ecológicas fundamentais: a circulação da água e a circulação de matéria orgânica, aproveitando-a para melhorar as capacidades de retenção da água do solo.

A limpeza da floresta é um mito.
O que se limpa na floresta, a matéria orgânica?
Dantes era com essa matéria que se ia mantendo a agricultura em boas condições e melhorando a qualidade dos solos. E, ao mesmo tempo, era mantida a quantidade suficiente na mata para que houvesse uma maior capacidade de retenção da água.
Se as matas estivessem bem limpas ardiam na mesma e a capacidade de retenção da água não se dava, passava a haver um sistema torrencial.
A limpeza tem que ser entendida como uma operação agrícola.


O homem está velho mas lúcido e anda a dizer coisas destas desde que o conheço.
O aquecimento global aliado a latitude portuguesa (Verões com mais calor e menos humidade), será também um factor influente, mas fomos ou não apanhados com as calças na mão, isto é, com o território completamente desordenado?


Sei pouco do assunto, mas não é difícil depreender que não funcionam pinhais na Guiné, nem palmares na Escandinávia.
Os meios de combate serão sempre escassos, e por outro lado, prevenção, problemas estruturais, são apenas outras maneiras de dizer “ordenamento do território”.
O homem é capaz de ter razão… a casa arde porque o pinheiro está no quintal.


22.8.05
 
Cialis ou o primado dos valores

Gian Paolo Barbieri

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21.8.05
 
Bearing the Imprimatur

Mario Giacomelli

I had a revelation not from high,
But from below, when thy skirt awhile lifted
Betrayed such promise that I am not gifted
Whith words that may that view well signify.

And even if my verse that thing would try,
Hard were it, if that work came to be sifted,
To find a word that rude would not have shifted
There from the cold hand of Morality.

To gaze is nought; mere sight no mind hath wrecked,
But oh! Sweet lady, beyond what is seen
What things may guess or hint at Disrespect?!

Sacred is not the beauty of a queen…
I from thine ankle did as much suspect
As you from this may suspect what I mean.


(A sonnet bearing the Imprimatur of the Inquisitor-General and other people of distinction and of decency, Fernando António Nogueira Pessoa)

20.8.05
 
Terra Queimada

BBC

O ministro Costa faz-me lembrar uma cena que vivi, há muito tempo,
na escola primária; quando pedia a borracha emprestada ao meu companheiro de carteira, o rapaz muito cioso das suas coisitas respondia invariavelmente: não precisas.

A estratégia da “Terra Queimada” foi uma Calamidade inventada e usada como arma pelos gauleses de Vercingétorix, para impedir o invasor romano de se reabastecer.
Mais tarde Napoleão sofreu o mesmo na campanha da Rússia.
Quando as chamas finalmente cederam em Moscovo, no dia 20 de Setembro, tudo era um imenso entulho de madeira queimada e pedra calcinada.
Milhares de soldados franceses, tiveram que acampar nas ruas e nas praças ao desabrigo do tempo.

Qual será a definição de Calamidade para o ministro Costa?
Não é preciso, diz ele…

19.8.05
 
Qualidade coragem e paciência

SCP

Sporting 2 Belenenses 1
Rogério 38’
Deivid 63’


Liga Betandwin.com :)
. Naval, Rio Ave, Sporting, Nacional, Porto, Gil Vicente 3 pts

 
Cali Rezo


Fumar mata, mas garanto que há males que vêm por bem.
Há mesmo!...
Não tivesse eu ido ao tabaco, e ainda estaria ignorante desta jovem tocada pela graça.

Cali Rezo, transborda talento.
Os seus sites e blogs enchem-se de mil imagens estranhamente vivas, grandes olhos que nos tocam, mãos que falam, corpos que se insinuam.
Chocou-me!

Adorei o tudo o que faz.
Venerem-na aqui e aqui.


 
Para a Paz (Perpétua) 7: As Práticas do Inumano

Drawings by Atomic Bomb Survirors/ Hiroshima Peace Memorial Museum
Toshiro Kihara

No State shall, during War, Permit Such Acts of Hostility Wich Would Make Mutual Confidence in Subsequent Peace Impossible: Such Are the Employment of Assassins (percurssores), Poisoners (venefici), Breach of Capitulation, and Incitment to Treason (perduellio) in the Opposing State.
For some confidence in the character of the enemy must remain even in the midst of war, as otherwise no peace could be concluded and the hostilities would degenerate into a war of extermination (bellum internecinum).
War is only the sad recourse in the state of nature (where there is no tribunal which could judge with the force of law) by which each state asserts its right by violence and in which neither party can be adjudged unjust (for that would presuppose a juridical decision).
(Sixth preliminary article for perpetual peace among states, Emmanuel Kant 1759)

Tem de haver princípios éticos mesmo entre inimigos, não há Paz que se possa firmar sobre uma guerra suja.
Tem que haver imperativos éticos, porque ultrpassado o limite, torna-se impossível uma reconciliação posterior.
Por isso, mesmo entre inimigos tem de se definir o que é interdito, senão a guerra torna-se selvagem e sem retorno.

Kant não podia imaginar Auschwitz, nem Sabra e Chatila, nem Abu-Grahib, nem todas as humilhações que o vencedor inflige ao vencido.
Mas foi deste princípio derivaram os Interditos de Genebra e a Cruz Vermelha Internacional, pelos esforços do suíço Dunant, motivados pelos horrores que testemunhou na batalha de Solferino em 1859.

O sexto, e último, obstáculo à Paz genuina reside nas Práticas do Inumano: Nenhum estado deve permitir actos de tal hostilidade que possam tornar impossível a Paz subsequente.

18.8.05
 
Não há donos da República


Qualquer coisa está podre no Reino da Dinamarca.
Se os novos partem e ficam só os velhos
Se do sangue as mãos trazem a marca
Se os fantasmas regressam e há homens de joelhos
Qualquer coisa está podre no Reino da Dinamarca.

Manuel Alegre

 
Para a Paz (Perpétua) 6: A Invasão das Vontades

1968 Praga; Checos dentro de um café, observam soldados russos a acabarem com a Primavera.

No State Shall by Force Interfere with the Constitution or Government of Another.
For what is there to authorize it to do so?
The offense, perhaps, which a state gives to the subjects of another state?
Rather the example of the evil into which a state has fallen because of its lawlessness should serve as a warning.
Such interference by foreign powers would infringe on the rights of an independent people;
hence it would itself be an offense and would render the autonomy of all states insecure.
(Fifth preliminary article for perpetual peace among states, Emmanuel Kant 1759)


Isto é fácilmente compreendido hoje mas não era no séc. XVIII.
Só se é independente quando se escolhe livremente.

(Abro aqui um parêntesis, para discordar de Kant quando ele aceita a interferência em caso de guerra civil;

considera que nesse caso, o estado é de anarquia, de separação das partes, já não valendo a unidade constitutiva originária.
Mas se, como afirma também, cada estado tem a sua raiz no próprio tronco, então tem direito, como ser autónomo, a combater por si as suas próprias enfermidades.)

A quebra deste princípio - o que inclui a espionagem - ataca a própria razão de ser de uma nação: a livre associação dos cidadãos segundo um contrato originário.
Do século XX lembramos o espezinhar das escolhas dos povos; pela brutalidade russa em 1956 na Hungria e 1968 na Checoslováquia; no Chile em 1973, pela perfídia americana.
Hoje, no século XXI, quando as Democracias Ocidentais, querem impor o seu sistema político nos países árabes, estão também a contrariar este princípio.

O quinto obstáculo à Paz verdadeira consiste na Invasão das Vontades: Nenhum estado deve interferir nos assuntos internos de outro.

17.8.05
 
Cosmos 8: A Pale Blue Dot

Planetary Society

Conseguimos uma imagem (apartir da Voyager no espaço profundo) e se olharem para lá, verão uma mancha.
É aqui.
É a nossa casa.
Somos nós.
Está lá toda a gente em que alguma vez ouviram falar, todos os seres humanos que alguma vez viveram, foi ali que viveram as suas vidas.
O agregado de todas as nossas alegrias e sofrimentos, de fés religiosas, de ideologias e doutrinas económicas, cada caçador e foragido, cada herói e cobarde, cada criador e destruidor de civilizações, cada rei e camponês, cada jovem casal apaixonado, cada criança, cada mãe e cada pai, todos os inventores e exploradores, todos os professores de moral, todos os políticos corruptos, todas as "supertstars", todos os chefes supremos, todos os santos e pecadores da História da nossa espécie, viveram ali num grão de poeira, suspenso nos raios de um sol.

Our planet is a lonely speck in the great enveloping cosmic dark.
In our obscurity - in all this vastness - there is no hint that help will come from elsewhere to save us from ourselves.
It is up to us.
It's been said that astronomy is a humbling, and I might add, a character-building experience.
To my mind, there is perhaps no better demonstration of the folly of human conceits than this distant image of our tiny world.
To me, it underscores our responsibility to deal more kindly and compassionately with one another and to preserve and cherish that pale blue dot , the only home we've ever known

Carl Sagan 1934-1996


16.8.05
 
Cosmos 7: Precious motes of dust

Space.com

A Terra é um lugar.

Não é de modo nenhum o único lugar.
Nem sequer é um lugar típico, porque o Cosmos está, na sua maior parte, vazio.
O único lugar típico é dentro do vácuo universal vazio e frio, a noite eterna do espaço intergalático, um lugar tão estranho e desolado que, em comparação, os planetas, as estrelas e as galáxias parecem dolorosamente raros e belos.

Se fossemos inseridos ao acaso no Cosmos, a probabilidade de nos encontrarmos num planeta ou perto dele seria inferior à razão de 1 para mil triliões de triliões (1 seguido de 33 zeros).


Os mundos são preciosos.


Carl Sagan, Cosmos (1980)
13.8.05
 
Para a Paz (Perpétua) 5: Os Lúgubres Créditos

Ivan Berryman Naval Art
A mais formidável arma (sistema) construída pela Humanidade é uma base aérea ambulante com 6.000 homens e 90 aviões de combate.
Para inspirar medo, basta aproximar -se de qualquer país que se atravesse no caminho da América.
O custo, só de fabrico (com força aérea), ronda os 7 mil milhões de dólares (o PIB português em 2004 foi de 167 mil milhões de dólares).
A América possue 14 e a maior Dívida Externa (pública mais a privada) do Mundo, financiada por americanos, europeus, japoneses e chineses.

National Debts Shall Not Be Contracted with a View to the External Friction of States.
This expedient of seeking aid within or without the state is above suspicion when the purpose is domestic economy.
But as an opposing machine in the antagonism of powers, a credit system which grows beyond sight and which is yet a safe debt for the present requirements--because all the creditors do not require payment at one time--constitutes a dangerous money power.
This ingenious invention of a commercial people [England] in this century is dangerous because it is a war treasure which exceeds the treasures of all other states.
(Fourth preliminary article for perpetual peace among states, Emmanuel Kant 1759)

O interesse económico da guerra na óptica do estado aparece no séc. XVIII como Raison d’État.
O Mercantilismo (proteccionismo económico de Colbert) era um sistema egoísta e absurdo cuja ideia base consistia em exportar o máximo e importar o mínimo, tudo produzindo no próprio território (autonomia económica).


Isto é contraditório porque se todos assim fizerem acabam em conflito.
Este sistema apenas servia a França de Luís XIV porque era o estado mais forte (na época 20 milhões de habitantes contra 7 milhões na Inglaterra e 1 milhão em Portugal) fazendo guerras para obrigar os outros a importar;
É o sistema dos poderosos que precisam sempre de mais vassalos, mais territórios, mais agricultura e mais energia, para alimentar os impérios.

Ora, a guerra realmente potencia o desenvolvimento económico, mas endividando o Estado, e retirando jovens à economia de paz.
O efeito das dívidas contraídas para a guerra é a depredação dos recursos;
Investe-se na guerra e depois reverte-se o ónus para o povo através de impostos.
Os recursos (sempre escassos) alimentam a guerra, sobrando cada vez menos para a população se alimentar, logo criando-se mais conflito. Aliás a Revolução Francesa começou por uma questão fiscal.
Mas ao contrário, não havendo recursos, não se pode fazer a guerra. Limitem-se pois os créditos para esse efeito, diz-nos Kant.

O quarto obstáculo à Paz verdadeira está na contracção dos Lúgubres Créditos: Não deve ser criada Dívida Pública (alimento) com vista à fricção externa dos Estados (conflito).

12.8.05
 
Thursday, August 12, 2004

"Os meus objectos de culto figuram agora lado a lado sob formas diferentes:
uns estáticos, os Cachimbos, ainda corporizados em raiz de nogueira e cerejeira, mas que há muito perderam o dom da volúpia;
os outros, prenhes de movimento e vertigem, os Livros, feitos de lombadas e páginas mil vezes manuseadas.

O cachimbo é apenas a representação daquilo que já foi.
O livro é o objecto feito presença."

Abraço de parabéns, Jrd.
 
Para a Paz (Perpétua) 4: Os Guerreiros Permanentes

As SS recrutaram em toda a Europa. Havia uma legião por cada país ocupado.

Standing Armies (miles perpetuus) Shall in Time Be Totally Abolished.
For they incessantly menace other states by their readiness to appear at all times prepared for war;
For this reason, the cost of peace finally becomes more oppressive than that of a short war, and consequently a standing army is itself a cause of offensive.
But the periodic and voluntary military exercises of citizens who thereby secure themselves and their country against foreign aggression are entirely different
.
(Third preliminary article for perpetual peace among states, Emmanuel Kant 1759)

Até ao séc. XV os reis iam às terras dos seus vassalos, pedir homens que se juntassem ao exército do rei (arregimentar tropas).
Os camponeses largavam o arado e pegavam na espada, mas não eram soldados profissionais, a guerra não era o seu modo de vida.
Depois da guerra pousavam as espadas e pegavam de novo no arado (desmobilização).

A partir do séc. XV na Itália de Maquiavel nasceram os Condottieri, chefes de guerra cuja vida era a conquista, com exércitos de mercenários profissionais pagos com o saque; essa gente vivia da guerra, e quando em Paz ficava sem trabalho; como resultado havia sempre guerras.

Kant só admite a guerra de defesa (a legítima defesa); se todos apenas se defendessem não haveria guerras.

Critica a utilização de mercenários, como tem acontecido em África e até no Iraque com os USA.
Sugere o abandono do recrutamento permanente, como na Prússia, substituindo-o por exércitos de cidadãos, o modelo Suíço.


Na Suíça, quando um cidadão chega aos vinte anos, é obrigado a 15 meses de treino militar e regressa à sua vida. Depois, durante os 32 anos seguintes frequentará duas semanas de treino militar anual.
Há 500 anos que a Suíça vive em paz, com um poderoso exército de defesa; aliás a Suíça não tem, “é um exército”, um exército de 400.000 homens (6 milhões de habitantes).

Mas não serviria para projectar força, não está adaptado para isso.

O terceiro obstáculo à Paz verdadeira está pois no sustento de Guerreiros Permanentes: Os exércitos permanentes (de recrutamento) devem desaparecer com o tempo.

11.8.05
 
Para a Paz (Perpétua) 3: A Fome dos Impérios

Dezembro de 1805: O Corso na véspera de Austerlitz;
"Nós os que vamos morrer te saudamos!"

No Independent States, Large or Small, Shall Come under the Dominion of another State by Inheritance, Exchange, Purchase or Donation.
A state is not, like the ground which it occupies, a piece of property (patrimonium).
It is a society of men whom no one else has any right to command or to dispose except the state itself.
It is a trunk with its own roots.
But to incorporate it into another state, like a graft, is to destroy its existence as a moral person, reducing it to a thing;
Such incorporation thus contradicts the idea of the original contract without which no right over a people can be conceived.
(Second preliminary article for perpetual peace among states, Emmanuel Kant 1759)

Os artigos preliminares da “Paz Perpétua” são condições negativas para a Paz. Por isso constituem bons aferidores dos caminhos que as nações trilham nas suas relações temporais.

Dantes os soberanos reais tratavam os territórios como suas propriedades.
Mas os estados não são coisas ou patrimónios, são comunidades de pessoas.
Não é um governante que herda o estado, é o estado que herda o governante.
Entidade alguma (as outras nações incluídas) tem legitimidade para herdar, integrar ou dividir uma nação soberana.

Mas a violação das nações vem de longe, passou por expansões marítimas, atingiu picos com Napoleão e Hitler, e continuou pela guerra-fria até às imposições actuais da Hiperpotencia em função.
O grande quis sempre absorver o pequeno; ao fenómeno chamamos imperialismo.
Kant lembra que é fundamental respeitar a integridade dos estados e as suas fronteiras.


O segundo obstáculo à Paz verdadeira consiste na Fome dos Impérios: nenhum estado independente grande ou pequeno poderá ser adquirido por herança, troca, doação (prática europeia corrente nos séc. XVII e XVIII) ou conquista (acrescentemos).

10.8.05
 
Para a Paz (Perpétua) 2: A Diplomacia dos Lobos

Agosto de 39. Sob a benção dos pais (ausentes e presentes), o comunista Molotov prepara-se para garantir ao nazi Ribbentrop " mãos livres", em troca dos paíse bálticos e de um pedaço de Polónia; saiu muito mais caro.

No Treaty of Peace Shall Be Held Valid in Which There Is Tacitly Reserved Matter for a Future War.
Otherwise a treaty would be only a truce, a suspension of hostilities but not peace, which means the end of all hostilities (…)
When one or both parties to a treaty of peace (…) make a tacit reservation (reservatio mentalis) in regard to old claims to be elaborated only at some more favorable opportunity in the future, the treaty is made in bad faith (…).
Considered by itself, it is beneath the dignity of a sovereign.
(First preliminary article for perpetual peace among states, Emmanuel Kant 1759)


Kant tinha em mente as cláusulas secretas dos Tratados de Breslau em 1742 e de Dresden em 1745, que partilharam a Polónia em 1772.
Mas o que está em causa é a má fé com que se fazem tratados de Paz, como instrumentos de predação dos mais fortes.

Recordamos Versailles 1918, Munique 1938, Yalta 1945 e até Paris 1973, onde os U.S.A. venderam o Sul ao Norte em troca da saída airosa do Vietname. Em todas estas "pazes" esteve presente um espírito de feroz oportunismo, nunca o apaziguamento.

A ideia é quase sempre a de uma trégua, até nova investida.

Os governos dizem querer a Paz mas preparam sempre o futuro da guerra; é tudo feito segundo uma lógica militar que por ser de guerra, instala a desconfiança.

Kant avisa-nos que é fundamental acreditar mesmo na Paz; não são nunca aceitáveis cláusulas secretas, chantagens, perfídias ou astúcias de qualquer tipo; não podemos querer a paz mantendo uma reserva mental.

O primeiro obstáculo à Paz verdadeira é a Diplomacia dos Lobos: não poderá ser tomado como válido nenhum tratado de paz com reservas (cláusulas secretas) para efeitos de guerra.


9.8.05
 
O Mundo é de quem não sente (9 de Agosto de 1945)

Yuji Chida /Ground Zero 1945: a Dor dilacerante de se ser humano

A condição essencial para um homem prático é a ausência de sensibilidade.

Todo o homem de acção é essencialmente animado e optimista, porque quem não sente é feliz.
Conhece-se um homem de acção por nunca estar mal disposto.


Para agir é preciso pois que não nos figuremos com facilidade as personalidades alheias, as suas dores e alegrias.
Quem simpatiza pára.


O homem de acção considera o mundo externo como composto exclusivamente de matéria inerte.
Ou inerte em sim mesma, como uma pedra sobre que passa ou que afasta do caminho;
Ou inerte como um ente humano que, porque não lhe pôde resistir, tanto faz que fosse homem como pedra, pois como à pedra, ou se afastou ou se passou por cima.


O exemplo máximo do homem prático, porque reúne a extrema concentração da acção com a sua extrema importância é a do estratégico.
Toda a vida é guerra e a batalha é pois a síntese da vida.

Ora o estratégico é um homem que joga com vidas como o jogador de xadrez com peças de jogo.
Que seria do estratégico se pensasse que cada lance do seu jogo põe noite em mil lares e mágoa em três mil corações?

Que seria do mundo se fossemos humanos?


(Do Livro do Desassossego do Bernardo Soares; ao Luis )

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8.8.05
 
Chariots of Fire

Naves que são feitas de fogo (Space.com)

Rir é arriscar a parecer doido.
Chorar é arriscar a parecer sentimental.
Estender a mão é arriscar o compromisso.
Mostrar os sentimentos é arriscar a expor-se.
Dar a conhecer as ideias, os sonhos, é arriscar a ser rejeitado.

Amar é arriscar a não ser retribuído.
Viver é arriscar a morrer.
Ter esperança é arriscar a desesperar.
Tentar é arriscar a falhar.

E no entanto há que arriscar,
Porque o maior perigo da vida está em não arriscar.

Aquele que não arrisca nada,
Não faz nada,
Não tem nada,
Não é nada…

Pode evitar o sofrimento e o desgosto,
Mas simplesmente não pode aprender, sentir, mudar, crescer, amar, viver.
Acorrentado pelas suas certezas não passa de um escravo: deitou fora a Liberdade

Só quem arrisca é livre.


(não consegui saber quem escreveu isto; origem anglo saxónica)

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6.8.05
 
Traveller’s tales: Pulsar

Bret Little / Space.com

A impressionante explosão de uma Super nova ejecta para o espaço a maior parte da matéria estelar percursora.
O que resta é um núcleo de neutrões quentes, ligados entre si pelas forças nucleares, um núcleo atómico maciço, um sol com 30 km de diâmetro, minúsculo fragmento estelar, encolhido, denso, mirrado, uma estrela de neutrões em rápida rotação.


A estrela de neutrões no centro da nebulosa do Caranguejo é um imenso núcleo atómico, mais ou menos do tamanho de Manhattan, com trinta rotações por segundo.

Os electrões do campo magnético rotativo emitem feixes de radiação, não só em frequências rádio mas também em luz visível.
Se a Terra ficar, por acaso, no caminho do feixe de raios desse farol cósmico, vemo-lo brilhar em cada rotação.
Pulsando e tiquetaqueando como um metrónomo cósmico, os pulsares medem o tempo muitíssimo melhor que o mais exacto dos relógios vulgares.

Carl Sagan, Cosmos 1980

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Traveller’s tales: Super Novae

Bret Little / Space.com

Quando os astrónomos antigos viam no céu uma estrela brilhante, que lá não estava antes, designavam-na por pela palavra latina Novae.
Quando o brilho era muito grande chamavam-lhe Super Novae.
Os nomes ficaram apesar dos objectos designados terem hoje pouco em comum.

O preliminar essencial para uma explosão de Super Nova é a geração, por fusão de silício, de um núcleo de ferro maciço.
Sob enorme pressão, os electrões livres no interior estelar são forçados a unirem-se aos protões dos núcleos de ferro, e as cargas eléctricas iguais e opostas anulam-se entre si.
O interior da estrela transforma-se num único núcleo atómico gigantesco, ocupando um volume muito mais pequeno que os electrões e os núcleos de ferro percursores.


O centro explode violentamente, o exterior ressalta e daí resulta uma explosão de Super Nova.
Uma Super Nova pode ser mais brilhante que a irradiação combinada de todas as outras estrelas da galáxia em que se encontra.

Carl Sagan, Cosmos 1980

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5.8.05
 
Para a Paz (Perpétua)

American Battle Monuments Commission

Em 1795, no primeiro estado marcial moderno (Prússia) e em plena época das monarquias absolutas, Emmanuel Kant escreveu um ensaio sobre a Paz, “Toward Perpetual Peace: A Philosophical Sketch” , ainda hoje considerado uma proposta utópica.
Mas Kant não era um pacifista utópico, tal como Hobbes ele sabia que o Homem é violento e que a guerra está na sua natureza!
E a Paz que propôs não é a dos objectores de consciência do séc. XX - “make love, not war” dos hippies nos anos sessenta - nem é a de Alain ou do socialismo utópico de Jaurés.
A Paz de Kant vinha do século XVII com o Abée St Pierre e chegou ao séc. XX com Bobbio e Habermas.
E foi esse sonho do maior filósofo que fundamentou a teoria sobre relações internacionais que herdámos do século XX.

No texto, Kant começa abrupto: A Paz Perpétua é o dístico que se coloca nas sepulturas, após as guerras.
Ironiza:
- A Humanidade pode encontrar a Paz Perpétua numa vasta sepultura onde todos sejam enterrados.
- Ou pode resolver o problema da violência e emergir do estado de Natureza com uma nova forma cosmopolita de lei federando pacificamente todos os povos.

Intelectualmente projectamos sempre a Paz e todas as guerras buscam também uma paz, mas uma “paz” militar, a Pax Romana.
Essa “paz” imposta, desconfiada, que prepara a guerra, não é verdadeira, é estado de guerra, uma trégua entre guerras.
E a trégua não passa de ausência de guerra, o espírito (da guerra) mantém-se, há uma suspensão mas está lá.
Para Kant não há prática sem teoria subjacente (estabelece sempre uma relação entre a Teoria e a Prática).
Se há a prática de guerra, é porque o quadro teórico é também de guerra.

A cultura guerreira da divisa romana “se queres a paz, prepara a guerra”, cedo ou tarde, trará a guerra.
Diz-nos Kant que só mudando o paradigma teórico poderemos mudar a prática.
Querer a Paz implica assumir uma cultura que acredite mesmo na Paz; é uma questão mental.

Temos de decidir racionalmente se queremos Paz ou Guerra
A Razão condena a guerra em absoluto, a Guerra é um crime (faz excepção para a legítima defesa).
Assim coloca o estabelecimento da Paz como um imperativo moral (para ele a Moral é inseparável).
O progresso moral do Homem terá apenas um Marco no caminho; resolver ou não o problema da guerra, e estabelecer uma comunidade universal de todos os povos, governada pelo primado da Lei.
Este ideal Cosmopolita não é só necessário para a sobrevivência da espécie, é também um requisito da razão prática.

A ideia de Kant é de um equilíbrio que tem que ser construído diariamente, e por isso ele escreveu “para” a Paz;
A receita do filósofo divide-se em duas partes;
Primeiro os seis artigos preliminares (condições negativas) construtores da confiança, condição da vida pacífica;
Segundo os três artigos definitivos (condições positivas) que preconizam uma nova (em 1795, note-se!) relação nos estados, a República internamente e a Federação externamente.

Section I containing the preliminary articles for perpetual peace among states
1.No Treaty of Peace Shall Be Held Valid in Which There Is Tacitly Reserved Matter for a Future War.
2.No Independent States, Large or Small, Shall Come under the Dominion of another State by Inheritance, Exchange, Purchase or Donation.
3.Standing Armies (miles perpetuus) Shall in Time Be Totally Abolished.
4.National Debts Shall Not Be Contracted with a View to the External Friction of States.
5.No State Shall by Force Interfere with the Constitution or Government of Another.
6.No State shall, during War, Permit Such Acts of Hostility Wich Would Make Mutual Confidence in Subsequent Peace Impossible: Such Are the Employment of Assassins (percurssores), Poisoners (venefici), Breach of Capitulation, and Incitment to Treason (perduellio) in the Opposing State.


Section II containing the definitive articles for perpetual peace among states
1.The Civil Constitution of Every State Should Be Republican.
2.The Law of Nations Shall Be Founded on a Federation of Free States.
3.The Law of the World Citizenship Shall Be Limited to Conditions of Universal Hospitality
.

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4.8.05
 
Cosmos 6: Placed over a finger of Orion's Arm

The busy center of Lagoon Nebula ( Michael Sherick / Astronomy Picture of the Day)

É hoje muito claro que vivemos a cerca de 30.000 anos-luz do centro da Galáxia, nas franjas de um braço em espiral, onde é relativamente esparsa a quantidade de estrelas.

Perto do centro da Via Láctea poder-se-ia ver à vista desarmada milhões de estrelas brilhantes, em contrate com os nossos poucos milhares de delas.
O nosso Sol ou sóis bem podiam pôr-se, que a noite nunca chegaria.


(Carl Sagan, Cosmos 1980)

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3.8.05
 
Cosmos 5: One voice in the Cosmic Fugue


Todos os seres orgânicos que já vivem sobre a Terra descendem provavelmente de uma única forma primordial, na qual a vida foi insuflada pela primeira vez.
Há grandeza nesta visão da vida, que diz que, enquanto este planeta foi girando de acordo com a lei imutável da gravidade, um sem número de formas, belas e fascinantes, evoluíram e continuem a evoluir.

(Charles Darwin, A origem das espécies, 1859)


Cada sistema estelar é uma ilha no espaço, afastada dos seus vizinhos pelos anos-luz.

Imagino criaturas a despertar para os primeiros vislumbres de conhecimento em inúmeros mundos, todas elas partindo do princípio de que o seu planeta insignificante e um punhado de sóis desprezíveis são tudo o que existe.
Crescemos no isolamento.
Apenas lentamente aprendemos a conhecer o Cosmos.


Até agora só ouvimos a voz da vida num pequeno planeta.
Mas pelo menos, começámos finalmente à escuta de outras vozes na grande sinfonia cósmica


Carl Sagan, Cosmos (1980)

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2.8.05
 
Caravanserai

The Desert Ship (image and text from IslamicArt)

Muslim civilization always has been mobile.
Both the Arabs and the various non-Arab conquerors from Central Asia were originally nomadic and inherited a tradition of travel.

And the Faith of Islam imposed upon the Faithful the most powerful of all motives for travel, performance of the hajj or pilgrimage.

In the harsh conditions and inhospitable countryside of most Islamic countries, travelers had a frequent need for places of rest and shelter in areas between the widely spaced cities and towns.

This led to the construction of caravanserais (Merchants' Inns).
The word 'caravanserai' is derived from the Persian "karwan" which signifies a company, or "caravan" of travelers in a serai (large inn).

Muslim rulers often built and maintained serais on major travel routes to foster the political cohesion, trade safety, and economic growth of their kingdoms.

(Tribute to a travelling CSA)

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1.8.05
 
Cosmos 4: The backbone of night

LISA will be the first space-based mission to attempt the detection of gravitational waves. These are ripples in spacetime that are emitted by exotic objects such as black holes (space.com)

A racionalidade do Grande Arquitecto:

Se vivêssemos num planeta onde nada mudasse, pouco teríamos que fazer.
Não haveria nada a compreender.
Não haveria necessidade da ciência.
E, se vivêssemos num mundo imprevisível, onde as coisas mudassem ao acaso ou de forma muito complexa, não teríamos possibilidade de esclarece-las.
E, uma vez mais não haveria Ciência.

Mas vivemos num universo intermédio onde as coisas mudam, de facto, segundo padrões, regras, ou como nós lhes chamamos, leis da Natureza.

Se eu atirar um pau ao ar ele cai sempre, e é por isso que é possível compreender as coisas.

Carl Sagan, Cosmos (1980)

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