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La force des choses
30.4.05
 
Campeão de Inglaterra
BBC Sport

"We have top players and, sorry if I'm arrogant, but we now have a top manager."

José, Génio da Bola (um artista português)

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Inquirição Livresca

Fotografia Mário Furtado

Respondendo à amabilidade da Sofia :

1. Não podendo sair do Fahrenheit 451, que livro quererias ser?
O "Cristo recrucificado" de Nikos Kazantzaki (Ed. Ulisseia), porque mostra o confronto da moral fechada (medo e razão), com a moral aberta (amor com intuição), teorizada por Bergson em "Les deux sources"; mostra como a vida se repete dramáticamente, … todos os dias.
É dos poucos que seria capaz de decorar (em grego é que não), pela simples razão de já sentir aquilo tudo.

2. Já alguma vez ficaste apanhadinha(o) por uma personagem de ficção?
Sim, há muito tempo, houve uma pessoa. Conheci-a nas bandas do Evening Standard em 63; Miss Modesty Blaise.
Porque crescendo só entre bandidos, aprendeu a sobreviver e transformou-se em Magia. Mas quando tentei chegar-lhe, já havia Willy Garvin.

3. Qual foi o último livro que compraste?
- Nova História de Portugal
Vol. III, Direcção de Joel Serrão e A.H. oliveira Marques, Ed. Presença 1995 (acho que é a melhor, tem 13 volume creio)
- Economia, P. Samuelson e W. Nordhaus, Mac Graw Hill 1999 (para a ciência da escassez, chega-me e sobra)

4. Qual o último livro que leste?
- Funcionários de Deus
, Eugen Drewermann, Ed. Inquérito (descobri um novo evangelho: ler cada teólogo que excomungarem. A sério)

5. Que livros estás a ler?
- Historia de las relationes internationales contemporâneas
, Coord. Juan Carlos Pereira, Ed. Ariel 2001 (um excelente manual da coisa)
- O Universo Elegante, Brian R. Green, Ed. Gradiva 2000 (brilhante, até um burro como eu fica em êxtase)
- Presságio de Fogo, Marion Zimmer Bradley, Difel 1997 (irmos à guerra de Tróia com a ficcionista do meu coração)

6. Que livros (5) levarias para uma ilha deserta?
Aqui cuidado, não escolhendo bem podemos morrer de "fome".
- United States Army Survival Handbook (uma boa ideia do Lutz; dá muito jeito e este é o melhor)
- Bíblia Sagrada, Ed. British Foreign Bible Society, Londres 1968, versão portuguesa de João Ferreira de Almeida (Deus descrito pelos homens, pra se ir lendo durante a vida)
- Henri Bergson Oeuvres, Editions du Centenaire, Paris PUF 1959 (Porque se só puder ler um filósofo, é este. Tirou-me as palavras e deu-me o infinito; não passo sem ele)
- Obras completas de Fernando Pessoa (10 volumes), Lisboa, Ed. Ática, 1942-73 (Ele e os heterónimos todos, porque são uma Metafísica primitiva que assombrou toda a minha vida ; Só podendo ler um poeta, este basta-me)
- Obras completas de Eça de Queiroz (15 volumes), Porto, Lello&Irmão, 1946-48 (Porque nele releio toda a prosa portuguesa, desde um jovem agreste nas Farpas, até a um velho instalado em Paris, mas com nostalgias das Serras)

7. A quem vais passar este testemunho (três pessoas) e porquê?
Pela estima e também pela curiosidade sobre os seres míticos da estrato esfera.
Não gosto de cadeias néticas, mas considero esta excepção interessante, porque se os olhos são janelas da alma, a escolha do que se lê dá-nos impressões da mesma. Escolher é dizer por onde vou, e quando só se puder fazer uma escolha, essa deve dar-nos a essência da alma.
Por isso pedi à Muska, ao Daniel, e ao Masson.

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29.4.05
 
Fim de Tarde

ExampleR. Smith

Hoje, sinto-me assim.
Hoje, rumo a sul, rumo para o sol e para as coisas simples, estou com pressa....

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Casca animal

Mick Payton

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Temptation
Milo Manara
Because she's such a temptation
It's driving me crazy
And it's my fascination

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Opinião

Example

Os meus livros da 4ª classe, não foram marcados pela castrante ditatura de direita, do Dr. Salazar. Pertenço à chamada geração rasca, que nasceu e cresceu da e com a Revolução.

Para mim, talvez por ser obstinadamente de esquerda, a direita e os seus ideais são-me estranhos. Admito que se trata de uma falta de abertura de espiríto da minha parte, até porque as direitas, não são todas iguais.

O 25 de Abril, representou para a sociedade portuguesa o fim de enormes desigualdades sociais, que permitiu conferir benefícios imediatos à grande maioria da população e alargou o consumo de massa, bem como a base de reprodução da economia. Ou seja, criaram-se um conjunto de dispositivos que configuram o Welfare State.

Mais importante, garantiu a liberdade.


A partir desse dia, todos os portugueses abriram as janelas e respiraram.

Para mim, esquerda está associada a Abril, embora pense que esta esquerda tenha vindo progressivamente, a perder a memória do período revolucionário e dos seus ideais.

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28.4.05
 
Fim de Tarde

ExampleR. Smith

Hoje sinto-me assim.....

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The Black Angel's Death Song


The myriad choices of his fate
Set themselves out upon a plate

For him to choose
What had he to lose

Not a ghost bloodied country
All covered with sleep
Where the black angel did weep

Velvet Underground (reed, cale)

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Prazeres

ExampleR. Smith


Foi com prazer, que hoje li no Público, que a TV2 vai emitir novos episódios de “Sete Palmos de Terra”.


Habitualmente, não vejo televisão, nem consigo seguir séries, porque na maioria das vezes perco episódios e porque não gosto de criar vicios, só o do SG Ventil, que não consigo largar.

Mas esta série, quase de humor negro, esforço-me por não perder.

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27.4.05
 
Fim de Tarde

Example



As flores ao meus pés...ou os meus pés em flor...

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Prazeres

ExampleJacobsen


É sempre um prazer ver e usar o design dinamarquês.
A Natureza escolhe sempre as soluções mais simples. Ou seja, se duas teorias diferentes podem explicar o mesmo fenómeno, a mais simples é a mais verdadeira.
Este é o princípio do design dinamarques, que introduziu, na minha opinião, o que faltava a Bauhaus, ao atender a soluções naturais e simples em detrimento das necessidades estéticas.
Tenho saudades da Dinamarca….


ExampleBO

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Elle aura toujours le dernier mot

Alain Mirgalet

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Viacelli Transportation Design

Andrew Meehan

What is VIACELLI? (pronounced vee•uh•chell•ee)

Via Celli is the name of the street which I lived on when I lived in the small town of Teramo, Italy.
The year that I spent in Italy proved to be a life-altering experience, and one that I consider a sort of "rebirth" for me.
The work that you see on this site is the result of the wide-ranging experiences I have had since that year's renaissance.

Plus, it sounded cool.

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26.4.05
 
Prazeres
Foi com prazer, que li hoje no Público que existe uma campanha para lançar Leonard Cohen, para Prémio Nobel da Literatura. Não sei, se não será exagerado, mas pessoalmente gosto muito da sua poesia. Como esta:



I saw you this morning.
You were moving so fast.
Can’t seem to loosen my grip
On the past.
And I miss you so much.
There’s no one in sight.
And we’re still making love
In My Secret Life.
I smile when I’m angry.
I cheat and I lie.
I do what I have to do
To get by.But
I know what is wrong.
And I know what is right.
And I’d die for the truth
In My Secret Life.
I bite my lip.
I buy what I’m told:
From the latest hit,
To the wisdom of old.
But I’m always alone.
And my heart is like ice.
And it’s crowded and cold
In My Secret Life


Example

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Draw or Die!
BALAK
RAF
NIKO

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Fim de Tarde

Example


Nas Vésperas do Verão, quando o corpo invade os nossos pensamentos e se torna preocupação aturada, quando o vamos mostrar ou enconder, interrogamo-nos sobre a melhor forma de o usar.

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Coisas Simples

ExampleVieira da Silva


A memória é um elemento essencial do que se chama Identidade, individual ou colectiva, cuja busca é uma das actividades fundamentais dos individuos e das sociedades.
A memória é uma forma de libertação.

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25.4.05
 
Fernando Salgueiro Maia (1944 – 1992)
Nasceu em Castelo de Vide a 1 de Junho de 1944.
Estudou no Colégio Nuno Álvares em Tomar e no Liceu Nacional de Leiria.
Entrou para a Academia Militar em 1964.
Em 1966 ingressou na Escola Prática de Cavalaria.
Combateu em Moçambique e na Guiné, com o posto de Capitão.


No dia 25 de Abril de 1974 comandou a coluna militar de 250 homens e 10 carros de combate, que saiu da EPC de Santarém e marchou sobre Lisboa, ocupando o Terreiro do Paço.

Horas mais tarde comanda o cerco ao Quartel do Carmo que termina com a rendição de Marcelo Caetano.
Foi membro da Assembleia do MFA, durante os governos provisórios, mas não aceitou qualquer cargo político no pós 25 de Abril.
Faleceu em Santarém a 3 de Abril de 1992, com o posto de Tenente-coronel.

É o mais puro símbolo de coragem e generosidade dos capitães de Abril.

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Lei Nº 1/ 74 de 25 de Abril
O programa do Movimento das Forças Armadas Portuguesas prevê a destituição imediata do Presidente da República e do actual Governo, a dissolução da Assembleia Nacional e do Conselho de Estado.
Nestes termos, a Junta de Salvação Nacional decreta, para valer como lei constitucional, o seguinte:

Artigo 1º
1. É destituído das funções de Presidente da República o almirante Américo de Deus Rodrigues Tomás.
2. São exonerados das funções o Presidente do Conselho, Prof. Doutor Marcelo José das Neves Alves Caetano, e os Ministros, Secretários e Subsecretários de Estado de Estado do seu Gabinete.
3. A Assembleia Nacional e o Conselho de Estado são dissolvidos.

Artigo 2º
Os poderes atribuídos aos órgãos referidos no artigo anterior passam a ser exercidos pela Junta de Salvação Nacional.

Artigo 3º
Este diploma entra imediatamente em vigor.

Visto e aprovado pela Junta de Salvação Nacional em 25 de Abril de 1974
Publique-se.

O Presidente da Junta de Salvação Nacional, ANTÓNIO DE SPÍNOLA

(in Diário do Governo, Iª série, nº 97 de 25 de Abril de 1974)

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24.4.05
 
GP de S.Marino (Imola)

Fonte Planet-F1

Hoje, na pista onde morreu Senna, Fernando Alonso fez a corrida da sua vida.
Durante doze voltas aguentou uma enorme pressão do maior piloto deste desporto, o heptacampeão Schumacher.

Após o final deu uma volta de honra levantando três dedos para a multidão de tiffosi italianos; acho que se referia às três vitórias desta época.

O Tiago ficou em último (15º) a duas voltas, na estreia do novo Jordan-Toyota; falou de uma fuga de óleo na caixa de velocidades.

Campeonato do Mundo após 4 provas
1º- F.Alonso 36 pontos (3 vitórias)
2º- J.Trulli 18 pontos
3º- G.Fisichella 10 pontos (1 vitória)
3º- R.Schumacher 10 pontos
3º- M.Schumacher 10 pontos

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Programa de um Partido “Fascista” em 1975
Cap. I Pela Independência e dignidade de Portugal num Mundo cooperante
Cap. II Pela solidariedade efectiva dos estados de expressão portuguesa na independência e na dignidade
Cap. III Pela Liberdade e Segurança dos portugueses
Cap. IV Pela Igualdade das pessoas numa sociedade mais justa
Cap. V
Pelo progresso económico numa sociedade mais próspera
Cap. VI Pela participação dos cidadãos numa administração mais descentralizada
Cap. VII Pela democratização do ensino numa sociedade mais livre
Cap. VIII Pela qualidade da vida num ambiente mais humano


A revolução democrática
O 25 de Abril ficará para a História de Portugal como a data em que se iniciaram dois processos fundamentais para a vitória do nosso Povo: o processo de democratização e o processo de descolonização.


Progresso ao serviço do homem
O desenvolvimento económico será o instrumento dessa politica social que o CDS propõe. Instrumento, insistimos, pois, para nós, é o próprio homem que está no fim e no começo de toda a actividade política.
O homem e não a economia ou a técnica ou a superestrutura.
O homem que não mais pode ser objecto de exploração ou opressão.
…a política fiscal deverá garantir cargas tributárias mais pesadas sobre os rendimentos mais altos e menores ou quase nulas sobre os menores rendimentos, de forma a corrigir-se, também por essa via, a distribuição de riqueza;
… as mais valias deverão dividir-se equitativamente entre o capital e o trabalho;
o acesso à propriedade deverá ser estimulado; as gentes que vivem do campo não mais poderão ser escravos ao serviço das gentes da cidade.

Um Estado forte
Pragmaticamente, haverá que eliminar todas as situações de monopólio privado, não submetidas à lei da concorrência nacional ou internacional, através da nacionalização ou do controlo público, consoante for mais vantajoso para a colectividade; e haverá que encarar o reforço da intervenção concorrencial do Estado no próprio sistema de produção.

Devolvendo poderes às comunidades locais e regionais e facilitando-lhes o exercício da democracia directa.

Inspiração Cristã
O humanismo personalista como filosofia básica da nossa acção; o papel da família como célula fundamental da sociedade…
O direito dos pais escolherem o género de educação a dar aos filhos, …
Eis alguns dos traços mais característicos do Programa do CDS que bem se inserem nos mais genuínos valores da doutrina social cristã.

(Do Programa do Partido de Centro Democrático Social 1975)

Sem Freitas do Amaral e Amaro da Costa, a história do CDS teria sido muito diferente;
O Partido da Democracia Cristã (de onde transitou Nuno Abecassis) por exemplo, desapareceu.
Ontem a esquerda chamava-lhe "fascista", hoje a direita chama-lhe "traidor".
Mas mesmo salvaguardando o ambiente político, pergunto, quem foi que mudou mais de posição, ou por outras palavras, quem se mantém mais integro, Freitas ou a Polis?


E hoje, quantos partidos (de esquerda ou não) dizem coisas destas nos seus programas
?

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23.4.05
 
Please hear what I’ m not saying
Não te deixes enganar por mim.
Não te deixes enganar pela cara que eu uso.
Porque eu uso uma máscara, mil caras,
Máscaras que eu tenho medo de tirar,
E nenhuma delas sou eu.
Finjo que é tudo natural
Mas não te deixes enganar.


Por amor de Deus não te deixes enganar.
Dou-te a impressão que sou seguro,
Que o Sol brilha e que tudo está bem,
Tanto por dentro como por fora,
Que sou todo confiança e calma,
Que as águas estão calmas e tudo está sob controlo,
Que não preciso de ninguém,
Mas não me acredites.

A superfície pode parecer suave, mas a superfície é a minha máscara,
Sempre mudando e sempre escondendo.
No interior não há complacência.
No interior há confusão, medo e solidão,
Mas eu escondo-o. Eu não quero que tu o saibas.
Entro em pânico quando penso na minha fraqueza,
no meu medo, a serem expostos.

É por isso que eu crio frenéticamente uma máscara atrás da qual me escondo,
Uma arrogante e sofisticada fachada,
Que me ajuda a fingir,
Que me esconde do olhar de quem sabe.

Mas esse olhar é a minha única salvação, e eu sei disso.
Isto é, se esse olhar for seguido de aceitação,
Se for seguido de amor.
É a única coisa que me pode libertar de mim próprio,
Dos muros da prisão que eu próprio construí,
Das barreiras que eu tão dolorosamente erigi.
É a única coisa que me garantirá aquilo que eu próprio não posso garantir,
Que eu realmente valho alguma coisa.

Mas eu não falo disto, não me atrevo, também tenho medo.
Tenho medo que o teu olhar não seja seguido de aceitação,
Que não seja seguido de amor.
Tenho medo que penses menos de mim, que te rias,
E o teu riso matar-me-ia.
Tenho medo que no fundo, eu seja nada, que simplesmente não preste,
E que tu vejas e me rejeites.

Então eu jogo o meu jogo, o meu desesperado e fingido jogo,
Com uma fachada de segurança por fora,
E uma trémula criança por dentro.
Então começa o brilhante mas vazio desfile de máscaras,
E a minha vida torna-se um fingimento.
Eu prefiro falar-te com os tons suaves da conversa superficial.
Eu digo-te tudo do que é realmente nada,
E nada do que é tudo,
Do que está a gritar dentro de mim.

Então, enquanto eu for avançando com o meu teatro,
Não te deixes enganar pelo que digo.
Por favor escuta com atenção e tenta ouvir o que eu não digo,
O que eu gostaria de ser capaz de dizer,
O que para sobreviver preciso de dizer,
Mas não sou capaz de dizer.

Eu não gosto de esconder.
Eu não gosto de jogar jogos superficiais e vazios.
Eu quero parar de jogar.
Eu quero ser genuíno e espontâneo, eu próprio,
Mas tens de me ajudar,
Tens de me estender a mão.
Mesmo quando isso parecer ser a última coisa que eu quero.
Só tu podes limpar dos meus olhos o olhar toldado de morto vivo.
Só tu me podes chamar para a vida,
Cada vez que fores amável e gentil e encorajador.

Cada vez que tentares entender-me porque realmente te interessas,
O meu coração começará a ganhar asas,
Pequenas asas,
Asas débeis,
Mas asas.
Com o teu poder de me tocar no sentimento,
Podes soprar vida em mim.
Eu quero que o saibas.

Eu quero que saibas quão importante és para mim,
Como podes ser um criador – um verdadeiro criador – da pessoa que sou.
Se assim escolheres.
Por favor escolhe, não me deixes para trás.

Eu não serei fácil.
Uma longa convicção de não valer nada constrói muros muito fortes.
Quanto mais te aproximares,
Mais cegamente poderei reagir.
É irracional, mas apesar do que os livros dizem dos homens,
Eu muitas vezes sou irracional.
Eu luto contra aquilo que mais ambiciono.

Mas têm-me dito que o amor é mais forte que os muros,
E aí reside a minha esperança.
Por favor tenta deitar abaixo esses muros
Com mão firmes
Mas ternas
Porque uma criança é muito sensível.

Quem sou eu, podes perguntar-te?
Sou alguém que conheces muito bem.
Porque eu sou cada homem que encontras,
e sou cada mulher que encontrares.


Charles C. Finn 1966

This really describes how I felt coming into AA.
I learned along the way that, although I wanted what you had, I was afraid of you, afraid to tell you what I needed - who I was.
I learned to pray - I didn't know what to - and then listen!
The answers came, but it was my responsibility to ask for them (prayer) and then look for the answer (listen).
Eventually, I found you wouldn't go away because of who I was, and was able to open up and let you in.
I am so grateful I was taught that.
I still listen to you speak, whether you have 20 years or 20 minutes.
As a speaker once said, "You never know where you will find the piece that just fits."
Charles L. Whitfield

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22.4.05
 
Poesia Pessoana
...feito de sal e azar.
Se um dia chove,
A água dissolve
O sal,
E sob o céu
Fica só o azar...

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Educação Nacional 1944


Todos sabem que na família há um chefe que a dirige, orienta e protege.
Do mesmo modo, a Nação organizada, que se chama Estado e que é, afinal, uma grande família, constituída por numerosas famílias pequenas, não pode deixar de ter um chefe que a dirija superiormente e que vele constantemente por ela.

O governo português tem a felicidade invejável de possuir actualmente um chefe eminente, cujo nome é conhecido e festejado até nas mais remotas aldeias do país, como salvador desta Pátria arruinada *, e cujo prestígio é incontestável, mesmo no estrangeiro.

Este nome – Salazar – há-de ficar em letras de ouro nas páginas da nossa história, e não poderá apagá-lo a acção do tempo nem a injustiça dos homens.


(Livro de leituras da 2ª Classe 1944)

*Já nos esquecemos, mas ainda hoje é assim em Portugal, e em especial no partido herdeiro, o PSD; espera-se sempre pelo “Desejado”, aquele que vai salvar a Pátria.

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O Escolástico a quem chamaram Fascista

Eduardo Malta 1933 (Fundação Abel Lacerda)

António de Oliveira Salazar tinha uma visão pessimista da natureza humana, à maneira de Hobbes, mas preferia a astúcia à violência, na tradição de Maquiavel
Foi uma das criaturas políticas mais integralmente católicas do século XX europeu, e a Igreja Católica teve uma enorme responsabilidade na sua ascensão e manutenção.
A partir da Revolução de Abril de 1974, a esquerda habituou-se a definir o Salazarismo como um Fascismo.
Não é assim!

Efectivamente recebeu a influencia do Fascismo italiano, mas mais do Mussolini dos anos 20, um ditador comprometido com a direita italiana, do que do chefe carismático da segunda metade dos anos 30, após a viragem totalitária.

Enquanto o Fascismo foi uma resposta da direita revolucionária aos conflitos sociais do século XX e nasceu dos sindicatos, o Salazarismo foi uma restauração nostálgica dos valores do passado nascida da Igreja Católica.
O Fascismo foi uma ideologia urbana e desenvolvimentista, que reivindicava um renascimento cultural; um fenómeno de massas apostado na politização.
O Salazarismo foi um tradicionalismo ruralista que temia a modernidade industrial, e exaltava o ascetismo, a santidade do sacrifício pelo sacrifício; um governo de elites universitárias apostado na despolitização.

O Fascismo foi um regime totalitário que exigia viver perigosamente e lia o passado a pensar no “Homem Novo”.
O Estado Novo foi um paternalismo autoritário que aconselhava a viver habitualmente, e lia a História a pensar no “Homem de sempre”, assumido como apelo ao conformismo.

Salazar foi um ditador católico num país atrasado do século XX, não um monarca absoluto do século XVII, nem um chefe fascista do século XX.

Baseado em Mário Sottomayor Cardia, “Salazar, Abril e o Presente” 1985

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21.4.05
 
Xupacabras


Aleluia! A Fénix renasceu!

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A caça

Jean Dufaux/ Enrico Marini (Les Rapaces)

Sobre a selva urbana, quando as horas morrem, refulgem sinais ocultos.
Os predadores aguardam os seus encontros mortais...

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No reino da Noite

Jean Dufaux/ Enrico Marini (Les Rapaces)

Só elevando-nos podemos ver as goelas hiantes do Mal,
e sentir o sopro cálido...

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20.4.05
 
Autotraição

Frida Kahlo, The Broken Column 1944

É que penso que o que decide sobre o Bem e o Mal
não é a comunicação das pessoas entre elas,
mas apenas a maneira das pessoas se darem consigo próprias.

Jakob Wassermann, "Der Fall Maurizius" Langen-Müller, Munique 1985

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19.4.05
 
Jaquinzinho
Este homem tem um humor magnânimo, generoso, liberal!
visto...

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Spu-mare

Zoe Wizeman

Vem sentar-te comigo à beira mar,
muito longe d'humanos e deuses.

Sem desassosegos, nem amores, nem ódios,
nem paixões que levantam a voz.

(text with a little help from Ricardo Reis)

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Sebastianismo

D. Manuel I
Rey de Portugal e dos Algarves

de Aquém e de Além Mar em África,
Senhor da Guiné, da Conquista, da Navegação

e do Comércio da Etiópia, Arábia, Pérsia e Índia

Ninguém sabe que coisa quere.
Ninguém conhece que alma tem,

Nem o que é mal nem o que é bem.
Tudo é incerto e derradeiro.
Tudo é disperso, nada é inteiro.

Ó Portugal, hoje és nevoeiro...


É a Hora!

Fernando António (Nevoeiro)

Comment: Apesar da alta consideração que tenho pelo Rei das Índias,
prefiro dar o coiro pelos meus filhos!...




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18.4.05
 
Eles Andem aí? ou não?

Example


Só queria saber se vocês andam por aqui.......

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Peregrinos da eternidade

abcnews

"Não há excepções para o drama humano da vida e da redenção.
É preciso atravessar a fronteira da morte, dignificada pela esperança, como expressão de vida oferecida, grão de trigo lançado à terra, na esperança da fecundidade misteriosa da própria morte. "

Roma, 11 de Abril 2005
† José, Cardeal Patriarca

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17.4.05
 
A perfect weekend

moto gp

"Alex Barros went from pole position to victory to cap a perfect weekend,
having dominated every session of the Grande Premio de Portugal."

Campeonato do Mundo Moto GP após Estoril
1 - V.ROSSI 45 pontos
2 - A.BARROS 38 pontos
3 - M.MELANDRI 29 pontos

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Bovarysme

Fonte photoblog

A propósito deste post do Lutz sobre a Casa da Musica, e relendo uma história antiga, deparei-me com a expressão "Bovarysme", do filósofo francês Jules Gaultier.
Gaultier designa com essa palavra o estado de alma que determina o comportamento da personagem central, no romance "Madame Bovary", de Flaubert.
Emma Bovary, pequeno-burguesa, acha-se uma grande dama, talhada para altas cavalarias.
A imagem que faz de si, reflecte-se na sua visão do Mundo, criando-lhe uma vontade de ruptura permanente.
Quer sempre mais e como a realidade não a satisfaz, vive em perturbação constante.
Por "bovarystes" Gaultier designa pessoas que vivem fora da realidade, acima das suas posses, empenhadas em transcender o seu meio por qualquer forma, a qualquer preço.


Mas não há apenas pessoas "bovarystes"; há também nações que, pobres, são dominadas pela ostentação; a ostentação das grandes embaixadas, dos grandes edifícios, dos grandes monumentos…

Não sou contra monumentos nem Casas da Música, mas a realidade é que não há obra pública que não derrape.
Entretanto os portugueses empobrecem, deixando contas para pagar (os tais défices) aos filhos e netos.
Portugal simplesmente não produz para aquilo que consome.

Este discurso é "miserabilista", eu sei…
Mas quem somos nós?

P.I.B per capita (FMI Setembro 2004)
- Reino Unido............. 35.505 US$
- Espanha.................. 23.447 US$
- Portugal.................. 16.021 US$


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16.4.05
 
Exchange (permuta)
"Everything can be exchanged when nothing is bought.
Between us, there are no owners and no purchasers, no determinable objects and no prices.
Our bodies are enriched by our mutual pleasure.
Our abundance is inexhaustible: it knows neither want nor plenty.
When we give ourselves "all", without holding back or hoarding, our exchanges have no terms."

Luce Irigaray, "When Our Lips Speak Together" 1977
(de um post em Purse Lip Square Jaw)

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Prazeres II

ExampleR.Smith



O Prazer de Viajar. A viagem, antes de o ser, é imaginação, muitas vezes é sonho, por isso um prazer maior.

Aquele que viaja, procura um lugar, procura-se a si próprio e procura o outro.

Normalmente, aquele que viaja não parte à descoberta do desconhecido absoluto e por isso a viagem tem três tempos, qual deles o mais importantes, o antes (o sonho), o durante (o descobrir) e o depois (o partilhar).

A viagem só se completa com o depois, quando a partilhamos com os nossos amigos....Estou nesta fase !

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Prazeres

ExampleRainer Klostermeier

Onde está o prazer da revolta? No poder de dizer NÃO!Dizer Não é exacerbar o poder de uma força, pôr em acção a radicalidade de uma energia que se opõe, é, principalmente, poder. Poder no absoluto, mas também no exercício e na prática.

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15.4.05
 
Turismo Soviético


2001 - 2004 by David Levine

Aqui alguns deliciosos cartazes de turismo da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas anos 30.
Poderia pensar-se não ter existido abertura alguma, mas curiosamente até aparece publicidade em alemão.
Lembra-nos o singular Pacto Ribentrop-Molotov de 1939, pelo qual Stalin deixou as mãos livres a Hitler para a invasão (e partilha) da Polónia.

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Glória!

Things 4 - 1 Newcastle (4-2)

Newcastle boss Graeme Souness claimed
"things conspired against"

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14.4.05
 
Diz-me

Yuri Dojc

E a tua boca a divinal manhã
Que diz as frases com que me acarinhas,
Há-de poisar nas dolorosas linhas
Da minha boca purpurina e sã.

Bela

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Damastor

Yuri Dojc

"Fui dos filhos aspérrimos da Terra,
Qual Encelado, Egeu e Centimano;
Chamei-me Adamastor, e fui na guerra
Contra o que vibra os raios de Vulcano."

Gigante, filho da Terra, que após a mitológica guerra entre gigantes e deuses, por vingança destes últimos, foi transformado no Cabo das Tormentas.
Luis Vaz repete assim Ovídio (Metamorfoses), onde o gigantesco rei da Mauritânia, Atlas, fora transformado na montanha com o seu nome.

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13.4.05
 
Alfettas

José Maria Villafuerte
Juan Manuel Fangio com o Alfetta 158,

a caminho da vitória no G.P. de Pescara 1950

Alfa Romeo "Alfetta" /8 ciindros 1,5 litros (compressor) /800 Kg
Tipo 158 (1950) com 350 Cv
Tipo 159 (1951) com 420 Cv
Começou a competir em 1946, e foi retirado no fim de 1951;
Venceu 26 das 33 corridas em que participou, Campeão em 1950 e 1951;
Um dos carros de corrida de maior sucesso de todos os tempos.

Os dois primeiros anos da Fórmula um foram dominados pela equipa Alfa Romeo;
Completamente 1950, com 6 vitórias nos 6 Grand Prix;
já com dificuldades - 4 vitórias em 7 - levantadas pelos Ferrari atmosféricos em 1951.
Tal situação levou a Federação Internacional do Automóvel (FIA) a fazer as primeiras alterações no regulamento, passando a Fórmula de 4,5 litros (ou 1,5 litros com compressor) para 2,5 litros (ou 750 litros com compressor); pensava-se reequilibrar a competição devolvendo a vantagem aos motores atmosféricos.

Às equipas foram dados dois anos para se prepararem, entrando a nova Fórmula Um só em 1954, e correndo os Campeonatos de 52 e 53 nos Fórmulas Dois de 2 litros.
Vinham aí os anos Ascari-Ferrari...

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Credo


"Não acredito em Deus porque nunca o vi.
Se ele quisesse que eu acreditasse nele,
Sem dúvida que viria falar comigo
E entraria pela minha porta dentro
Dizendo-me: Aqui estou!"

Alberto Caeiro (O Guardador de Rebanhos)

Outra vez?
Não vos chegou aquele dia de Páscoa antigo?
Quantas vezes quereis que entre na História?
Homens de pouca Fé...
Eu volto!
Até lá, guardai a Fé.

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Orgasmo


Movimento impetuoso dos humores

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Gérard Castello Lopes

Lisboa 1956

Na cidade nascente, a luz vai escorrendo pelo rio de pedra.
À margem, marcham as procissões de vultos.

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12.4.05
 
Pessoa e os heterónimos...

O chapéu do poeta Fernando Pessoa,1979, óleo s/tela de Costa Pinheiro

Lisboa. 26 de Novembro de 1935

No quarto passa a noite debruçado à secretária.
Confundimo-lo com os livros, papéis, também lápis minúsculos que só ele consegue manusear.
O cinzeiro cheio de pontas de cigarro.
Escreve, compulsivamente, ao jovem amigo Casais Monteiro:
"…Desde criança tive a tendência para criar em meu torno um mundo fictício, de me cercar de amigos e conhecidos que nunca existiram. (Não sei, bem entendido, se realmente não existiram, ou se sou eu que não existo. Nestas coisas, como em todas, não devemos ser dogmáticos.)"


A carta vai a todo o vapor quando Pessoa começa a receber visitas inesperadas.
Caeiro, Reis, Campos e Soares.
Chegam um a um.
É madrugada e já estão todos reunidos.

São surpreendidos por um Pessoa emocionado, papéis em punho.
Terá recebido más notícias? perguntam, preocupados.
O poeta tenta desconversar.
É confuso, perde-se nas palavras, coisa que nunca acontecera antes.
Mas também nunca recebera visitas em tão adiantada hora.

É obra do "Grande Arquitecto do Universo", pensa.
Então que se cumpra o destino... Aos solavancos:
- Adiei a verdade quanto pude. É chegada a hora de deixar cair a máscara.


Os quatro ansiosos.
Quem está sentado levanta-se, quem está de pé senta-se ou passeia pelo quarto.
Pessoa e o seu discurso enviesado, interrompido por dores e gemidos:
- Numa carta confidenciava a um amigo tudo o que agora sinto que devo dizer-vos.
Um gole de coragem e solta:
- Vocês não existem.


Consternação na assistência.
- É isso, vocês não são mais que personagens da minha criação.
Morro e levo-os comigo.
- Só pode ser delírio. Desatino. (diz Álvaro de Campos, ofendido).
- Vou-lhes contar como tudo aconteceu. "Num dia em que finalmente desistira - foi em 8 de Março de 1914 - acerquei-me de uma cómoda alta, e, tomando um papel, comecei a escrever, de pé, como escrevo sempre que posso.

E escrevi trinta e tantos poemas a fio, numa espécie de êxtase cuja natureza não conseguirei definir.
Foi o dia triunfal da minha vida, e nunca poderei ter outro assim.
Abri com um título, O Guardador de Rebanhos.
E o que se seguiu foi o aparecimento de alguém em mim, a quem dei desde logo o nome de Alberto Caeiro.
Aparecido Alberto Caeiro, tratei logo de lhe descobrir - instintiva e subconscientemente - uns discípulos.
Arranquei do seu falso paganismo o Ricardo Reis latente, descobri-lhe o nome, e ajustei-o a si mesmo, porque nesta altura já o via.
E, de repente, e em derivação oposta à de Ricardo Reis, surgiu-me impetuosamente um novo indivíduo.
Num acto, e à máquina de escrever, sem interrupção, nem emenda, surgiu a Ode Triunfal de Álvaro Campos - a Ode com esse nome e o homem com o nome que tem."

- Então, todo este tempo não passámos de uma mentira? (pergunta Ricardo Reis).
Bernardo Soares responde:
O poeta é um fingidor

Mente tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.


- Pois esta é a chave, explica Pessoa.

- Não aceito. Morra em paz o meu criador, porque eu cá continuarei vivinho, poetando como sempre (desafia Álvaro de Campos).

- Arre! Que a criação agora vira-se contra o próprio criador.
Deveria ter suspeitado (lamenta-se Pessoa).
E quanto a si, Caeiro?

- Gosto de tudo que seja real e que tudo esteja certo; E gosto porque assim seria, mesmo que eu não gostasse.
Por isso, se morrer agora, morro contente, porque tudo é real e tudo está certo.

Álvaro de Campos:- Não entendo a sua complacência.
Não está a ver, Caeiro, que Pessoa usou-nos e, principalmente, usou-o.
Compelido a vencer o seu subjectivismo lírico decadentista, venceu-o de forma tão súbita e agressiva que não teve remédio senão dar um nome a esse crítico.
É ai que você surge, para salvá-lo.

Caeiro não esconde seu desgosto.

Pessoa então revela:
- Escrevi, com sobressalto e repugnância, o poema oitavo do Guardador de Rebanhos, com a sua blasfémia infantil e antiespiritualista.

A cada personalidade que consegui viver dentro de mim, dei uma índole expressiva, e fiz desta personalidade um autor, com livros, com as ideias, as emoções, e a arte dos quais eu, autor real, nada tenho, salvo o ter sido, no escrevê-las, o médium de figuras que eu próprio criei.

- Você não tinha esse direito (insiste Campos).

Ainda Pessoa:
- Negar-me o direito de fazer isto seria o mesmo que negar a Shakespeare o direito de dar expressão à alma de Lady Macbeth.

Se assim é das personagens fictícias de um drama, é igualmente lícito das personagens fictícias sem drama, pois que é lícito porque elas são fictícias e não porque estão num drama.
Parece escusado explicar uma cousa de si tão simples e intuitivamente compreensível.
Sucede, porém, que a estupidez humana é grande, e a bondade humana não é notável.

Ricardo Reis, que assistira mudo à revelação, pergunta:
- Mas por que é que você nos inventou? Qual a origem de tudo?


Pessoa, pacientemente, tenta explicar-lhe:
- É o fundo traço de histeria que existe em mim.

Não sei se sou simplesmente histérico, se sou, mais propriamente, um histero-neurastênico.
Seja como for, a vossa origem mental está na minha tendência orgânica e constante para a despersonalização e para a simulação.
Se eu fosse mulher - na mulher os fenómenos histéricos rompem em ataques e coisas parecidas - cada poema do Álvaro de Campos (o mais histérico de mim) seria um alarme para a vizinhança.
Mas sou homem - e nos homens a histeria assume principalmente aspectos mentais; assim tudo acaba em silêncio e poesia…

A resposta não convence, não agrada.
Longe está o tempo em que fora loquaz.
Agora fazem-lhe ouvidos moucos.
Pessoa é todo angústia.
O silêncio que o rodeia.
A incompreensão, mágoa e até o desprezo dos seus outros "eu".
Vira-se para um último apelo.

Fica só com a sua verdade.

Descobri este texto delicioso, escrito por Mirna Queiroz recorrendo a originais do poeta.
O Fernando morreu pouco depois, a 30 de Novembro de 1935, no Hospital de S. Luís dos Franceses.

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